Rui Borges: "Saio triste daqui"
06 Jan, 2026
Técnico lamentou as lesões de Fotis Ioannidis e Eduardo Quaresma
Após o afastamento nas meias-finais da Taça da Liga, Rui Borges esteve presente na sala de conferências do Estádio Dr. Magalhães Pessoa para fazer a análise à partida frente ao Vitória SC.
Reacção ao jogo e às contrariedades que têm acontecido à equipa
"É difícil. É algo que parece de estudo. Hoje pela primeira vez sinto e acredito que a equipa sinta também: por mais optimistas que sejamos, custa ver tanta gente de fora, lesionada. Não serve de desculpa, atenção, num jogo onde podíamos ter feito o 2-0, mas o adversário acaba a acreditar no tempo de compensação e é feliz. Apenas isso."
Confiança da equipa fica abalada? Há maior pressão?
"A pressão é diária no Sporting CP, independentemente de conseguirmos ou não os objectivos e resultados. A pressão é a de ser melhor e ganhar. Mais do que os resultados, acredito que tudo aquilo que tem acontecido mexa com os jogadores. Nós, como equipa técnica, temos de encontrar forma de os levantar. Temos de seguir e focar naquilo que falta jogar na época: falta a segunda volta inteira e temos de fazer melhor do que na primeira, porque só assim podemos alcançar os nossos objectivos."
Onda de lesões
"Não são as lesões musculares que têm afastado os jogadores. Por mais que seja optimista e não me agarre a isso, a minha maior tristeza é sair daqui hoje sem dois jogadores para o próximo jogo. Chega a um ponto em que é impossível não o sentirmos. Mas não temos assim tantas lesões musculares quanto isso. São sobretudo traumáticas, coisas que acontecem e temos de seguir caminho."
Ida ao mercado
"Há cansaço acumulado, sente-se isso e hoje notou-se na energia colectiva. Tanta lesão devia ser um caso de estudo. É inacreditável, não sei o que mais nos pode acontecer.
Mais duas substituições por lesão, repito, não é desculpa mas torna-se mesmo difícil não haver um momento em que o sentimos. E hoje saio mesmo triste daqui, ainda para mais porque a do Edu [Quaresma] parece um pouco mais grave.
O Sporting CP vive da formação e se tivermos de nos agarrar a eles, vamos fazê-lo. Não podemos ir 'assim' ao mercado, senão daqui a dois meses temos quarenta jogadores para treinar. Temos de ser cautelosos e avaliar se há alguma necessidade específica, mas à formação vamos agarrar-nos sempre."
Consentir a reviravolta
"Vamos tentar lutar por tudo aquilo que ainda podemos, a Taça de Portugal e o campeonato. Ainda falta muito, há muitos pontos em disputa, e temos de fazer uma segunda volta ainda melhor do que a primeira. Quem vai à frente está a fazer um campeonato fora do normal. Estamos focados e concentrados naquilo que queremos. Queremos muito disputar a final da Taça de Portugal, tal como queríamos disputar esta, mas temos de dar o mérito ao adversário, que acreditou sempre.
Nós fomos perdendo alguns ressaltos, algumas bolas, é notório que em termos colectivos não temos tanta energia e, aqui e ali, não fomos tão competentes em alguns lances. É natural que os adeptos não estejam contentes, porque este Clube quer estar sempre na disputa dos títulos e hoje não conseguimos. A tristeza é deles e é nossa."
Faltou atitude?
"Não. Não falta atitude nenhuma. Podíamos ter feito o 2-0 e não fizemos, tal como com o Gil Vicente FC. Temos apenas de perceber como controlar melhor a fase final dos jogos, mesmo com este cansaço acumulado."
Alterações tácticas após lesão de Fotis Ioannidis
"A capacidade individual de cada um é diferente. Metemos o Francisco Trincão para dentro, um pé esquerdo, e metemos um pé direito a jogar largura, o que não é o nosso hábito, mas o Alisson dá-nos o um para um no corredor. Faltou-nos talvez o ataque à profundidade que o Fotis [Ioannidis] nos dá, porque o Trincão é um jogador de apoio, mas em termos tácticos nada mudou, apenas aquilo que cada um dá à equipa."