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Foto César Santos

Coates: "Quero dar tudo por quem confiou em mim"

Por Jornal Sporting
12 maio, 2016

Qualidade do central uruguaio fez com que o Sporting CP prolongasse por mais um ano o empréstimo do Sunderland

Sebastián Coates assinou pelos ‘leões’ em Janeiro e, para muitos dos adeptos do Clube de Alvalade, o central uruguaio era desconhecido. No entanto, depressa apareceu a opinião do seu companheiro de selecção e ex-colega em Liverpool, Luís Suárez: “Um jogador como o Sebastián acrescenta muita qualidade a uma equipa. Tenho a certeza de que será um excelente reforço”. Na verdade, à medida que Coates ia envergando a listada ‘verde e branca’, as declarações de Suárez foram-se revelando verdadeiras. A forma como Sebastián se impôs na defesa ‘leonina’, formando uma dupla extraordinária com Rúben Semedo, justifica na totalidade o prolongamento por mais um ano do empréstimo do Sunderland ao Sporting CP. O jogador não esconde as razões que o fizeram tomar esta decisão.

“Todos os jogadores sonham jogar num Clube onde se lute por títulos, com objectivos ambiciosos, e isso fez a diferença na minha vinda e na minha continuação”, referiu, para depois explicar o porquê de já se ter aventurado no ataque: “Pessoalmente, a minha primeira função é a de defender, mas se posso ajudar e chegar mais longe no ataque, fá-lo-ei”.

A preocupação de Jorge Jesus com o sector recuado foi algo que surpreendeu o internacional uruguaio de forma positiva, isto porque apesar de ter consciência de que os golos são necessários para conquistar vitórias, o trabalho na defesa é um pormenor que pode definir a vitória ou a derrota ao longo do encontro.

“O treinador preocupa-se muito com o que é defensivamente a equipa. Logicamente que os jogos se ganham com golos, mas ele preocupa-se muito em trabalhar a defesa e toda a equipa a defender. Isso não só nem todos os treinadores o fazem, como poucos o fazem. É isso que faz a diferença”, vincou Sebastián, que com os seus 1,96m tem sido uma autêntica parede nos duelos aéreos. No entanto, o central não esqueceu e reforçou a importância dos adeptos, a força que transmitem durante os noventa minutos de qualquer partida: “Encontrei um excelente Clube, com adeptos que estão sempre a puxar pelos jogadores e isso também faz com que o Sporting seja muito importante. Quero dar tudo por esta camisola, pelo Clube, por quem confiou em mim e oxalá que, colectivamente, tenhamos os resultados que todos queremos”.

Nos dias que correm, já não há nenhum adepto ‘sportinguista’ que não saiba que Coates é sinónimo de segurança defensiva e aplauda a alcunha que o atleta trouxe do Uruguai: ‘o chefe’.

Leia a entrevista na íntegra na edição do Jornal Sporting desta semana. 

Foto César Santos

Bruno de Carvalho: “Não há campeões antecipados”

Por Jornal Sporting
12 maio, 2016

O Presidente do Sporting deu uma entrevista exclusiva ao jornal do Clube antes da jornada decisiva

Temos de recuar 42 anos para podermos passar os olhos pela última vez em que Sporting CP e Benfica levaram a decisão do título português para a última jornada. Foi em 1974 que o ‘suspense’ ficou preso em milhões de gargantas até ao último apito do último jogo do Campeonato Nacional. A história não favorece o Clube de Alvalade, isto porque das 25 vezes em que esta situação aconteceu, no século XXI, quem entrou na frente acabou por festejar. O Presidente ‘leonino’ não se rende perante as estatísticas e ainda acredita numa reviravolta épica.

“À entrada para a última jornada, estamos a dois pontos do primeiro lugar. Não é, com certeza, o lugar onde gostaríamos de estar; gostávamos de estar em primeiro e não estamos. Ma estamos absolutamente focados neste jogo que falta e sabemos que, até ao último segundo, tudo pode acontecer – é essa a beleza do futebol. Enquanto matematicamente for possível e enquanto a vontade for grande tudo pode acontecer”, afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal Sporting, referindo também o ambiente que se vive em torno deste último embate contra o Sp. Braga: “Vejo a equipa do Sporting CP completamente focada neste encontro e a acreditar que até ao fim pode ter a felicidade de comemorar um título que nos foge há muitos anos. Vamos, pelo menos, fazer o que está ao nosso alcance para alcançar o objectivo e isso passa por vencer este último jogo e acreditar até ao último segundo”.

É verdade que o sucesso ‘verde e branco’ não depende somente do que se passar no Estádio Municipal de Braga. Na Luz, à mesma hora do Sp. Braga-Sporting CP, estará a disputar-se o Benfica-Nacional, e Bruno de Carvalho não acredita que os jogadores do conjunto ‘madeirense’ queiram ser os “bobos da festa”.

“Quanto ao Benfica-Nacional, tenho andado a observar e ouvir o que se diz e parece que o Nacional não conta, que o adversário não tem mínimo interessa e que o jogo está ganho. Tenho sentido isso nas palavras dos comentadores afectos ao Benfica, mas não acredito nisso” vincou, antes de deixar rasgados elogios ao trabalho que tem sido feito por Rui Alves, o presidente ‘nacionalista’: “Sei que o Nacional é uma grande equipa, não acredito que queiram ser os bobos da festa do Campeonato. Sei o trabalho que o presidente Rui Alves faz ao colocar o Nacional no mapa e a verdade é que o Nacional começou a surgir e a lutar por lugares cimeiros, sendo uma presença assídua e natural na I Liga. O Benfica estará motivado porque a vitória lhe garantirá o Campeonato, acho que o Nacional vai estar motivadíssimo porque tem sido desdenhado nestes últimos tempos e isso não é merecido para uma equipa que tem feito as épocas que tem feito e que ganhou por mérito próprio o seu lugar neste Campeonato”.

Bruno de Carvalho rejeita balanços da temporada antes do soar dos apitos, embora o que se tem passado ao longo da mesma venha dar razão à competitividade que o líder ‘verde e branco’ sempre defendeu que iria existir. 

“O nosso objectivo sempre foi lutarmos e sermos campeões nacionais. Estamos a lutar e só no final veremos se somos ou não campeões. Só a partir daí dará para fazer o balanço desta época. Agora, mantendo o que disse o início desta temporada em relação a termos três grandes equipas que se reforçaram muito bem que seria um Campeonato muito bem disputados, com grandes jogadores, e que tinha a certeza de que seria um Campeonato que iria agradar aos amantes do futebol”, comentou, para depois finalizar com o desejo de que o lado bonito desta modalidade tem de continuar a passar dentro e não fora das quatro linhas, porque só assim haverá margem de progressão: “O jogo fora das quatro linhas está a emperrar o futebol português e não o deixa progredir. As pessoas lá fora também já o perceberam e é muito importante que as coisas se alterem e que consigamos ter estes Campeonatos bem disputados até ao fim, com boas equipas mas que consigamos acompanhar com outro tipo d dirigismo e regulamentação para que possamos crescer todos porque, no fundo, somos todos rivais mas vivemos todos do mesmo negócio, o futebol”.

Poderá ler a entrevista na íntegra na edição desta semana do Jornal Sporting. 

Foto Isabel Silva / José Lorvão

"Foi um ano de alegria, trabalho e, acima de tudo, muita felicidade"

Por Sporting CP
01 Jan, 2026

365 dias de Rui Borges no comando abordados em entrevista à Sporting TV

Foi apresentado como novo treinador da equipa principal de futebol do Sporting CP a 26 de Dezembro de 2024 e 56 jogos depois, com um título de Campeão Nacional e ainda uma Taça de Portugal conquistadas, Rui Borges já completou um ano no comando.

Nesta nova passagem de ano, o técnico transmontano falou em entrevista à Sporting TV, no balneário dos Leões no Estádio José Alvalade, para recuperar de forma detalhada os momentos mais marcantes de um 2025 inesquecível, mas também para dar conta do que continua a ser construído e ambicionado com o plantel Bicampeão Nacional que lidera.

Os últimos 12 meses resumidos numa palavra
"Felicidade, como é lógico. Foi um ano de alegria, trabalho e, acima de tudo, muita felicidade. Primeiro, porque faço o que mais amo num grande clube e, depois, por tudo o que foi a época e o ano em si. Só me preza dizer felicidade."

Esperava chegar tão cedo ao sucesso que alcançou?
"Nós, equipa técnica, acreditávamos muito, desde o primeiro dia, que um dia íamos conseguir concretizar o sonho de chegar a um grande clube e lutar por títulos. Talvez não acreditássemos que acontecesse tão rápido e tem sido tudo muito rápido nos últimos anos. Os passos em frente têm sido muito repentinos, mas são fruto do trabalho e da competência. Deixa-nos felizes e cada vez mais cientes de que o nosso trabalho é bem feito para lutar por mais sonhos e objectivos. O tempo passa rápido e quanto maior é a exigência do desafio faz com que o pouco tempo que passa pareça muito, porque a intensidade com que se vive o dia-a-dia é enorme."

Em 2025 desfrutou mais do Natal em família?
"Foi um Natal diferente, na época passada. Especial, feliz e vivido de forma muito diferente, porque não consegui saborear a única data de que gosto mesmo. É quando estou com toda a minha família. Nem eu, nem eles, conseguimos desfrutar da melhor maneira, apesar de estarem muito felizes por tudo o que estava a acontecer, mas foi um Natal diferente. Este ano já foi normal, mas também muito introspectivo, sentimental e de nostalgia por relembrar o ano que passou, ser treinador do Sporting CP e Campeão Nacional... O sentimento veio à 'flor' da pele, não posso mentir."

Um ano depois, "quando faltar inspiração que não falte atitude" continua a ser o desígnio mais importante deste balneário?
"Será sempre, não só do balneário como também da equipa técnica. Sou de uma região de muito trabalho, de acreditar muito nele e, por isso, a atitude tem de lá estar sempre, jamais pode faltar. Tem muito que ver com as minhas origens e com a minha personalidade e carácter. Acredito que quando se olha para o grupo sente-se isso: a atitude está lá. A equipa tem noção de que, tendo ganho bastante, cada vez vai ser mais difícil e, por isso, temos de dar sempre um upgrade na nossa qualidade e na nossa atitude. Temos de continuar à procura de ser cada vez melhores."

A estreia com vitória no dérbi (1-0 SL Benfica) e a capacidade para transformar um início complicado num ponto de partida para um grande resto de temporada
"Tem muito que ver com a minha mentalidade positiva. Lembro-me muito bem de estar com o presidente antes de assinar e eu dizia que [o dérbi] era o melhor jogo para eu entrar. De fora, podiam dizer que ia entrar um treinador novo, com dois dias para preparar um jogo grande, diziam que o Sporting CP não estava bem psicologicamente, mas a minha única vontade era estar aqui para ser mais um a ajudar o grupo. Foi nisso que nos focamos: em ajudar com a nossa personalidade e a nossa forma positiva de ser e de estar no dia-a-dia, e em pouco tempo transmitir [aos jogadores] que eram os melhores, porque eram os Campeões e, independentemente do adversário, que conseguiriam unir-se e fazer um grande jogo. A minha perspectiva era desfrutar do jogo, por estar no Sporting CP e por concretizar um sonho, independentemente do adversário. Era um jogo grande, claro, tem um peso maior, mas para mim era só desfrutar do alcançar de um objectivo."

A capacidade de adaptação táctica demonstrada em 2024/2025
"A época passada foi muito particular. Eu acreditava que o segundo treinador [da época], neste caso o João [Pereira], ia ter mais problemas se quisesse mudar as dinâmicas de há algum tempo. Nós, a seguir, acreditávamos que os jogadores iam estar mais receptivos, porque como estavam num momento menos positivo queriam mudar, e foram bastante receptivos. Nos primeiros jogos estivemos mais dentro da ideia da nossa equipa técnica, mas depois, com o desenrolar da época, as lesões e os contratempos que fomos tendo, entre todos - e alguns jogadores falaram disso no fim da época - houve muito falar, comunicar e entender. Sou muito disso, gosto de entender toda a gente, porque só assim conseguimos ter sucesso. Toda a gente é importante. Face a tudo o que aconteceu, a melhor forma foi tentar ir um pouco ao conforto, visto que já tínhamos alguma confiança dos jogadores, e estavam a ganhá-la com os resultados e, aqui ou ali, com mais qualidade nos jogos. Tentámos voltar um pouco ao que faziam, devido também às ausências, e mantê-los confiantes. Houve um bocado desses dois 'mundos', mas desde o primeiro dia que a receptividade do grupo foi fantástica e isso notou-se no fim da época."

O Sporting CP, hoje em dia, interpreta na perfeição a sua forma de ver o futebol?
"Sim, claramente que sim. É uma equipa que está à nossa imagem. Também é uma equipa que nos ajudou, enquanto treinadores, a procurar e entender como poderíamos ser melhores a treinar uma equipa grande, porque é diferente. Agora, os princípios da ideia estão nesta equipa, claramente. Fico feliz por ver a equipa cada vez mais dentro do que queremos e desejamos, mas temos sempre essa parte comunicativa. O futebol é isso cada vez mais, porque nós não somos ninguém sem os jogadores. Vamos buscar algumas particularidades individuais, colectivas, onde se sintam mais confortáveis e isso dá uma mobilidade e variabilidade à equipa que a torna melhor, mais capaz e isso tem sido demonstrado nos jogos que temos feito."

A alteração de peso na frente de ataque: a saída de Viktor Gyökeres e as entradas de Luis Suárez e Fotis Ioannidis
"O Viktor é um 'monstro' na sua posição e foi alguém que marcou uma época no Sporting CP e no campeonato português, claramente. Pelas suas particularidades individuais, decidia um jogo a qualquer momento. O Luis e o Ioannidis também o conseguem, mas o Viktor é muito específico e, a nível individual, tinha muita força na equipa e no campeonato. Agora, as características do Fotis e do Suárez, talvez estejam mais dentro daquilo que perspectivávamos para esta nova época, em termos de dinâmicas de equipa, mas com o Viktor também poderíamos ter isso. Era um jogador com um carácter muito bom, olhava para o grupo e treinava muito bem, tal como o Fotis e o Luis. Esta época, mais do que dar preponderância a um jogador apenas, dá-se preponderância a mais jogadores: o 'Pote' e o Trincão estão a fazer uma grande época, o Maxi também, bem como o Suárez e o Hjulmand, enquanto o Fotis está a aparecer. Acho que se têm valorizado mais individualidades pelo colectivo e isso deixa-me feliz."

Como se consegue a capacidade goleadora actual?
"Com a 'fome' que eles mostram todos os dias em querer ser melhores. Eles sabem que para voltarmos a ganhar será ainda mais difícil do que nas últimas duas épocas. Estamos sempre à procura de ser melhores, isso é notório no dia-a-dia, mas nos jogos também. É uma equipa que não se cansa de ganhar, que respeita os adversários e só por isso é que conseguimos ser o melhor ataque [da Liga]. Claro que não vamos estar sempre bem e ter a mesma regularidade durante 90 minutos, mas numa grande parte, sim. A seriedade está lá e a noção da dificuldade, sobretudo, está lá também e há uma ambição enorme de continuar a ganhar. Acho que para isso passa muito a nossa comunicação e liderança, mas sou um treinador feliz porque tenho um grande grupo de trabalho"

"Se não ganhámos esta Taça [da Liga], é porque está guardado algo melhor para nós". Lembrou-se dessa declaração quando festejou o Bicampeonato e a Taça de Portugal?
"Lembrei-me, porque foi algo dito com muita sinceridade e sentimento. Sou muito positivo. Tenho uma pessoa muito especial no meu avô, que já não está entre nós e com quem falo todos os dias, e esse foi um sentimento que parecia que ele me estava a dizer. Disse-o com um sorriso porque acreditava muito que íamos ser Campeões Nacionais, era o nosso objectivo e não ia haver nada, nem ninguém, que me ia fazer duvidar. Foi algo sentido e lembrado claramente quando vencemos."

Sentir o ambiente de um jogo no Estádio José Alvalade
"É maravilhoso, e ainda hoje tenho o mesmo sentimento. Se estiverem atentos, quando começam os jogos, olho em redor do estádio, porque mexe comigo. Sou muito sentimental e ver o nosso estádio cheio a cantar a nossa música é muito especial. Não há forma de o explicar."

Ouvir o hino da UEFA Champions League no banco de suplentes
"São momentos que vão ficar para sempre. Eu nasci para o futebol. O meu pai jogava e eu não tive outro brinquedo que não a bola, porque era o que me deixava feliz. Cresci a ver o meu pai jogar, a querer ser como ele, chegar a profissional, entrar no campeonato português e nas competições europeias, a selecção... Os sonhos de qualquer miúdo. Não consegui ser um grande jogador, mas é o desporto que amo. Um dos sonhos era poder estar na Liga dos Campeões, não pude como jogador e tive a oportunidade como treinador. É extraordinário alcançar mais um sonho de toda uma vida."

Levantar o troféu de Campeão Nacional
"Foi um sentimento de orgulho e o meu maior troféu é o orgulho dos meus, e assim vai ser sempre. Levantar o título fez-me acreditar que os meus estavam orgulhosos, felizes, por isso foi um orgulho."

Os festejos do título no Marquês de Pombal
"Indescritível. Acho que já disse isso várias vezes. Toda a gente devia passar pelo menos uma vez nessa festa. É algo único e que nem conseguimos ter a verdadeira noção do que se sente ao longo do caminho até ao Marquês ao ver pela televisão. No Marquês também, o mundo verde à nossa frente, o som em si, as músicas do Sporting CP... É único mesmo."

Disputar e ganhar uma final da Taça de Portugal no Jamor
"Para mim tem um sentimento muito próprio. Como não fui um grande jogador, cheguei à II Liga, mas como joguei em escalões inferiores, o sonho era jogar contra uma equipa grande, a Taça de Portugal. Esse sentimento foi, se calhar, o que esteve lá mais tempo e a cada época que passava, porque era a única forma de enfrentar os melhores e pisar os grandes palcos. O sonho da Taça sempre foi alimentado, por isso foi muito especial. Era claramente um sonho estar no Jamor e desfrutar da final. Tem muito que ver com o meu passado e de olhar para a Taça como algo único. Único no sentido da palavra, mas espero estar presente mais vezes (risos)."

Qual o discurso no balneário mais especial ao longo destes 56 jogos?
"Lembro-me de um ou outro. Ainda na Taça de Portugal, lembro-me do jogo com o Gil Vicente FC, em Barcelos, em que fizemos uma primeira parte horrível, provavelmente a pior que fizemos. Fui um bocadinho mais agressivo no sentido de espevitar a malta e, felizmente, conseguimos ultrapassar o Gil. Foi um dos que mais me marcou. Talvez, também, o do jogo na Luz e outro com o Gil, em casa, para o Campeonato, na antepenúltima jornada. Conseguimos o golo da vitória nos descontos e foi um discurso muito intenso da minha parte, e muito sincero, porque acreditava mesmo que aquele era o jogo do título. Não perguntem o porquê, mas sabia que ia ser difícil e disse à equipa que se ganhássemos íamos ser Campeões. Tinha esse sentimento e acreditava que íamos à Luz, pelo menos, fazer um resultado possível."

Continua a sentir que se deixasse de imediato de ser treinador de futebol, seria a pessoa mais feliz do mundo devido ao que já viveu e conquistou?
"Claramente que sim. Sou muito feliz por ter esta oportunidade e agradeço todos os dias pelo que a vida me tem proporcionado nestes 44 anos. Esta vida proporciona-nos muitas coisas, a mim e à minha família, porque tivemos a capacidade de conseguir acrescentar algo à História do Sporting CP e ser Campeão Nacional. Faço o que amo e conseguir, a nível nacional, alcançar os troféus maiores deixa-me muito feliz e concretizado. Se deixasse de ser treinador, olhava para os jogos de forma feliz."

Está convicto de que vai ser feliz no final desta época?
"Muito! Até porque o grupo transparece e demonstra isso. O objectivo tem estar lá, porque se não falássemos [do Tricampeonato] era sinal de que não estávamos tão ligados. Isso mostra a forma como estamos todos ligados num objectivo. Nós queremos muito e isso é claro. Queremos muito ficar na História do Sporting CP de forma ainda mais vincada."

Gestão do plantel em função das várias frentes em disputa
"Temos conseguido. Sou um treinador que acredita sempre em todos, mas eles também têm de dar resposta e têm-na dado. Todos têm tido oportunidades, têm correspondido muito bem e isso demonstra a força deste grupo, a amizade e a entreajuda que existe. É algo especial e diferente, sinto-o sempre na Academia, com todas as pessoas envolvidas no nosso dia-a-dia. Ninguém se acha melhor e todos sabem e sentem que são importantes, acreditam uns nos outros e revêem qualidades uns nos outros. Essa é a melhor forma de um grupo ser vencedor e por isso é que temos ganho tanto, e queremos continua a ganhar muito."

Sobre as contrariedades que têm assolado o grupo
"Olho para os contratempos de forma positiva. É a oportunidade de mudar algo, de dar oportunidades a outros, de acrescentar algo ao grupo, até para o futuro, e de o tornar mais forte. Enquanto líder, compete-me fazer acreditar que todos são importantes e que têm muita qualidade, por isso é que estão no Sporting CP e são Bicampeões."

E ter essa resposta da equipa, apesar das mudanças, é o sonho de qualquer treinador?
"Sim. É o melhor que pode acontecer: olhar e ver a equipa toda ligada e capaz. Mesmo quando falta alguém, para lá do que são a nível individual, acho que ainda dão mais um bocado para estar ao nível do colega que não está presente e jogam também por ele um pouco. Sente-se isso. É um grupo muito próprio."

A proximidade entre equipa técnica e jogadores
"Acho que, se calhar, é o meu maior atributo ou o que me trouxe para o Sporting CP, até tão rápido. E volto a dizer que ninguém consegue nada sozinho. Claro que o treinador pode ajudar os jogadores a acreditarem, a serem melhores técnica e tácticamente, mas o treinador precisa, primeiro, dos jogadores. Ponto. Para mim, isso é claro desde que comecei. Acredito muito em ouvir e não abdico do respeito. Eles sabem e brincam muito comigo, e eu com eles, mas o respeito está lá. Depois, quando a exigência é cem por cento séria, eles sabem que o respeito está lá. Sou muito de falar, ouvir, compreender, porque embora tenha de olhar para eles de forma igual, cada um tem a sua personalidade, um gosta de falar mais individualmente, outro gosta que lhe fale alto, um gosta que lhe dê um abraço, mas outro se calhar não tem tanto essa proximidade. Vamos conhecendo e adaptando para puxá-los ao máximo para o nosso lado, com sinceridade e sendo honesto. Estão ser humanos daquele lado e temos de compreendê-los. Quando comecei como treinador, tive a oportunidade de começar como adjunto e até em competições profissionais e não quis, porque achava que tinha personalidade para ser treinador principal. Cada um tem as suas particularidades."

O que é para si treinar bem?
"Tenho de perceber que a atitude diária está lá. O foco, a concentração, a exigência e, depois, o jogo também demonstra isso. Treinar bem, neste patamar, tem muito que ver com a concentração e ouvir o que é pedido para o jogo, porque não treinamos tanto. Quando é possível ter treinos mais dinâmicos e intensos, o grupo é excepcional. Todos querem jogar muito, todos demonstram ambição e vontade de ajudar."

Equilibrar a vida pessoal com o cargo de treinador do Sporting CP
"Tento muito ser equilibrado e ter tempo para mim, para respirar e para estar com a minha família, que infelizmente está longe. O meu filho joga e estuda, está longe, tenho a minha mulher perto, mas os meus pais e irmãs estão longe. Tento ser equilibrado no dia-a-dia. O treinador Rui Borges, entre as 7h00 e as 7h15, entra na Academia para treinar às 10h30. Tomo o pequeno-almoço lá e almoço lá. Depois, por norma, fico na Academia até às 16h30 ou 17h00 a falar com a equipa técnica. Também temos momentos divertidos e sou feliz porque tenho uma equipa técnica que me conhece muito bem e trabalha comigo há muito tempo, e estão bem cientes do trabalho de cada um. A competência não é minha, é de toda a equipa técnica. Há dias em que também vou almoçar a casa, mas tento equilibrar esses dois mundos, porque temos vida para lá do futebol e a família, para mim, é muito importante. Sou muito apegado aos meus pais, às minhas irmãs, ao meu filho e à minha mulher. Tento ser equilibrado até para aliviar o stress do dia-a-dia e da exigência de estar no futebol e no Sporting CP."

A forte ligação ao avô
"Deixa-me sentimental. Acredito que sim, que está orgulhoso. É uma pessoa muito especial e eu falo todos os dias com os meus avós, mesmo não os tendo presencialmente, infelizmente. O meu avô mostrou-me o que é dar valor às coisas. Não era de grandes posses e talvez por isso eu sou tão autêntico. Acredito que saio muito a ele. Pela sua forma de ser e de estar demonstrou-me o valor de pequenas coisas e não há nada que apague isso. Sou como sou também por isso. Antigamente as pessoas eram frias, mas comigo foi sempre um pouco diferente. Eu adoro romã, como todos os dias na Academia e ele, com um simples saco de romãs, demonstrava-me amor e carinho. Hoje tem esse significado para mim e lembro-me sempre dele. Quando somos mais velhos, cada vez temos mais a noção de que dizemos poucas vezes que amamos os nossos, e eu gostava de ter dito mais vezes ao meu avô que o amava. Nunca o disse muitas vezes, mas acredito que o demonstrei muito. Será sempre a minha pessoa especial. Ele era sapateiro, à antiga, e eu percebia o que era trabalhar a sério. Lembro-me bem do trabalho que ele tinha para fazer aquilo e, se calhar, para ganhar 500 escudos. O meu ser tem muito que ver com o meu avô."

O relógio que o acompanha sempre e o orgulho nas suas raízes transmontanas
"São pequenas coisas que me lembram de onde vim e de onde sou. A malta pega muito no 'Rui de Mirandela' e eu não faço questão de dizer muito isso, só quando cheguei, mas tenho muito orgulho de onde sou. A coisa boa é estar sempre ciente de onde venho e do que me custou chegar aqui. Custou-me, acreditei e trabalhei muito. Agora, é reconfortante entrar na minha cidade e ver o sentimento geral, independentemente das cores clubísticas, de que todos querem que o Sporting CP ganhe. Isso deixa-me feliz, porque é o reconhecimento dos meus, da minha terra e que de alguma forma estou a dignificar. Pela negativa, a única coisa que não gosto é quando vão muito para a parte pessoal e tento relativizar. Sempre me ensinaram que a melhor forma de responder é com silêncio e trabalho, e isso tem falado por mim e pela minha equipa técnica."

Novo 'mote' para 2026?
"É difícil (risos). São coisas que saem no momento, não é algo pensado. Acredito que sou muito verdadeiro e transparente naquilo que digo e faço, porque é aquilo que me vem ao pensamento. Foram frases sentidas e muito particulares. Que nunca falte a atitude competitiva, porque o jogo está mais dinâmico e exigente, mas também porque é algo que nos identifica. Queremos muito jogar bem, demonstrar que somos bons e o grupo está de parabéns nesse sentido. Que 2026 seja, nesse sentido, mais um ano de muito trabalho, de muita exigência e muita atitude."

Foto José Lorvão

Rui Borges: "Temos de olhar para o que somos"

Por Sporting CP
01 Jan, 2026

Sporting CP abre o novo ano frente ao Gil Vicente FC (sexta-feira, 18h45)

2026 arranca com os Leões de novo em acção. A equipa principal de futebol do Sporting CP desloca-se a Barcelos, esta sexta-feira (18h45), para enfrentar o Gil Vicente FC no jogo que inaugura a jornada 17 da Liga.

Na véspera deste primeiro encontro no novo ano e o último da primeira volta, Rui Borges, treinador dos Bicampeões Nacionais, lançou a partida em conferência de imprensa na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete.

Desejos para 2026
“Pedi saúde para mim e par aos meus, é a única coisa que peço sempre. O resto, a felicidade está nas pequenas coisas. Se tivermos os nossos do nosso lado e bem, está tudo bem. Quanto a Maio, isso é trabalho e, com saúde, vamos fazer tudo por isso.”

Adversário e sua abordagem em perspectiva
“É uma equipa que está a fazer um campeonato extraordinário, bateu o recorde pontual do clube e é muito organizada em todos os momentos do jogo. Tem dinâmicas relativamente identificáveis, mas que é muito intensa, principalmente em casa. Vai variando em termos de pressão, umas vezes mais alto e noutros com um bloco médio à espera do momento certo para pressionar, por isso acreditamos que vai variar um pouco o jogo por aí. Acredito que vá manter um bloco médio e com bola é objectiva e com jogadores fortes em 1v1. Tem avançados com características muito boas, médios dinâmicos e uma linha defensiva também forte fisicamente, por isso é uma equipa equilibrada e um jogo difícil. Temos de olhar para o que somos e o que conseguiremos fazer para ultrapassar um bom Gil Vicente FC.”

Possível saída de Pablo, o goleador do Gil Vicente FC, é uma boa notícia ou traz mais imprevisibilidade ao jogo?
“Para nós, equipa técnica, não muda nada. O Pablo voltou agora e tem jogado o Varela, portanto pode ser ele a jogar. São jogadores diferentes, mas com as suas qualidades. É uma equipa que sabe muito bem o que tem de fazer e nós estamos mais focados no seu colectivo. Teremos de estar super focados.”

Ponto de situação do boletim clínico
“O Salvador Blopa está de fora também, por lesão.”

Há a necessidade de ir ao mercado?
“Não, a minha necessidade é recuperar os que não podem dar o contributo e os da CAN. Se tiver toda a gente disponível, fico contente com o que tenho. Assim, temos mais soluções e recursos para o nosso jogo. (…) Se acrescentarmos alguém será sempre numa perspectiva de futuro e não pelas ausências de agora. Estou focado em que o plantel esteja todo motivado, que todos são importantes, todos vão ter oportunidades e têm de corresponder, e é o que tem acontecido.”

Três desejos a nível desportivo?
“Muito sinceramente, não sei responder a isso. Para já é continuar no Sporting CP, porque estou muito feliz aqui, o resto é trabalho. Queremos ficar na História do Sporting CP e lutar por tudo em que estamos inseridos. Sabemos que não vamos ganhar sempre, mas não é por isso que vamos deixar de ser uma grande equipa. O meu desejo é saúde para fazer o que mais gosto onde estou.”

Comparação entre Viktor Gyökeres e Luis Suárez
“São diferentes e dão coisas diferentes à equipa. O Viktor marcou a História do Sporting CP e do futebol português, e acredito que o Luis também vai marcar o seu trajecto no Clube e no nosso campeonato. Sou um sortudo por poder trabalhar com ambos e também com o Fotis. O Luis e o Fotis dão muitas coisas ao colectivo e às dinâmicas que queríamos e que têm mais que ver com a nossa equipa técnica.”

Qual a melhor equipa a jogar em Portugal?
“Para mim, a melhor é sempre a minha, os meus são sempre os melhores, nem que estivesse em 15.º ou 16.º. Em termos pontuais, a melhor equipa actualmente é o FC Porto, porque vai em primeiro [lugar]. Nunca tiro mérito a quem vai na frente e há que respeitar isso, mas eu olho sempre para a minha equipa como a melhor.”

Cuidados pedidos aos jogadores para a Passagem de Ano devido à intensa sequência de jogos que se aproxima
“Não pedi qualquer cuidado. Eles sabem da responsabilidade que têm, são jogadores profissionais e sabem o que podem ou não fazer. Sabem que amanhã temos um jogo importante para o nosso caminho e que vem aí um mês exigente a jogar de três em três dias. Será um mês e meio exigente em termos de jogos, com algumas baixas.”

Fazer uma inédita ‘dobradinha’ consecutiva é objectivo?
“O Sporting CP quer ganhar todos os troféus e disputar as finais. Depois, no fim, tudo será consequência do nosso trabalho e capacidade. Não estou focado em fazer duas ‘dobradinhas’, quero ganhar e ganhar o próximo jogo. Vai ser um jogo difícil e acredito que os nossos adeptos serão muito importantes.”

SL Benfica ainda na corrida ao título?
“Acho que é candidato. Na época passada, não tivemos dez, mas oito pontos para o segundo classificado e recuperaram. Falta muito jogo, há diferentes momentos da equipa e ainda falta muito ponto por disputar. No futebol já vi acontecer muita coisa. A margem de erro é menor, o FC Porto está a fazer uma grande primeira volta e nós temos de fazer a nossa parte e esperar pelo desenrolar da época.”

Foto Isabel Silva

Último treino de 2025

Por Sporting CP
31 Dez, 2025

Atenções focadas na deslocação a Barcelos

A fechar o ano, a equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal já tem os olhos postos no primeiro objectivo de 2026. Os Leões de Rui Borges regressaram esta manhã à Academia Cristiano Ronaldo para dar início à preparação da visita ao Gil Vicente FC, agendada para o próximo dia 2 de Janeiro, às 18h45, no Estádio Cidade de Barcelos.

O trabalho prossegue amanhã, com novo treino em Alcochete, seguido da habitual conferência de imprensa de antevisão à partida, marcada para as 12h45.

Foto José Lorvão

Bilhetes esgotados para a deslocação a Barcelos

Por Sporting CP
30 Dez, 2025

Jogo disputa-se na próxima sexta-feira

O Sporting Clube de Portugal informa que já não existem bilhetes disponíveis para o jogo da equipa principal de futebol em casa do Gil Vicente FC.

Os ingressos esgotaram pouco tempo depois de serem colocados à venda, com os Sportinguistas a mostrar assim que darão apoio máximo aos Leões em Barcelos.

A partida está agendada para sexta-feira, 2 de Janeiro, às 18h45, no Estádio Cidade de Barcelos.

Foto Isabel Silva

Treino de recuperação em Alcochete

Por Sporting CP
29 Dez, 2025

Leões regressam ao trabalho na quarta-feira

Após o último encontro de 2025, que terminou com uma goleada frente ao Rio Ave FC, a equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal treinou esta segunda-feira na Academia Cristiano Ronaldo.

Como habitual, os jogadores mais utilizados na recepção aos vilacondenses cumpriram o necessário trabalho de recuperação, enquanto os restantes elementos do plantel treinaram normalmente no relvado, sob o olhar atento de Rui Borges.

Os Bicampeões Nacionais gozam agora de um dia de folga e regressam a Alcochete na manhã de quarta-feira, para mais uma sessão à porta fechada, já com as atenções centradas na deslocação a Barcelos. O duelo com o Gil Vicente FC está agendado para dia 2 de Janeiro de 2026, às 20h45.

Foto Isabel Silva

Rui Borges: "Que 2026 seja melhor ainda do que 2025, que foi fantástico"

Por Sporting CP
28 Dez, 2025

Técnico em conferência de imprensa após o último jogo do ano

Após o apito final, Rui Borges, treinador dos Leões, analisou a vitória clara sobre o Rio Ave FC (4-0), em conferência de imprensa, no Estádio José Alvalade.

A produção ofensiva da equipa
“Espero que os motive a ser cada vez melhores, sem ficar contentes com o que temos conseguido no processo ofensivo. Acima de tudo, manter esta ambição de ser sempre melhores. Valorizo, também, que foi mais um jogo sem sofrer golos. Que 2026 seja melhor ainda do que 2025, que foi um ano fantástico.”

Futebol exibido pelos Leões merecia melhor classificação?
“Merecer é subjectivo. O melhor é o FC Porto porque vai em primeiro, jamais se lhe pode tirar esse mérito. Agradeço as palavras do treinador do Rio Ave FC [considerou que o Sporting CP joga o melhor futebol em Portugal], é sinal de respeito e de reconhecimento da nossa qualidade. Mas claro que nem sempre vamos estar tão bem. Hoje tivemos uma primeira parte mais ‘adormecida’ e uma segunda mais ao nosso nível. Faz parte e é natural, porque do outro lado está outra equipa com as suas qualidades.”

Experiência retirada da época passada para lidar com várias ausências
“Sempre fui assim, não me lamento e agradeço todos os dias por poder estar aqui a fazer o que mais amo. Olho para o meu dia-a-dia de forma muito positiva. No ano passado tivemos dez [ausências em simultâneo], agora oito. O Fotis e o Maxi jogaram doentes, não treinaram, o Edu acordou com sintomas, na primeira parte sentiu-o, mas depois fez uma segunda parte de selecção nacional. Confio e acredito em todos. Este ano é uma nova época, um plantel diferente e dentro das nossas ideias arranjamos soluções, e eles dão resposta.”

A exibição de Luis Suárez
“Tem feito um grande início de época, e não tem que ver só com o hat-trick de hoje. Desde o início é evidente a ligação que tem com a equipa. Está a cumprir as expectativas de quando o contratamos. Não tenho dúvidas de que vai marcar a era dele. Tem percebido o que tem de fazer para ajudar a equipa e, depois, a equipa ajuda-o a ele.”

A resposta de Maxi Araújo a jogar mais subido no terreno
“Tem dado resposta, não só neste jogo. Acho que leva quatro golos e uma assistência. Na selecção joga a extremo, de forma diferente, mas joga. Adaptou-se muito bem à dinâmica da equipa e dá-nos coisas fantásticas, por isso é que tem golos. Dá um ataque à profundidade, por exemplo, que o ‘Pote’ não dá tantas vezes. (…) É um jogador com um compromisso e energia fora do normal e personifica os valores Sporting CP, tanto em qualidade como em atitude. Não me surpreende nada.”

Corrida a dois na Liga após o empate do SL Benfica em Braga?
“Eu quero ser primeiro, não quero ser terceiro, por isso olho para o primeiro e sei que, agora, levo dois pontos [de atraso] e temos de fazer a nossa parte para lá chegar. Não olho para o terceiro classificado, olho para o primeiro. A segunda volta tem muitos jogos, ainda vai correr muita água, mas temos de fazer a nossa parte.”

Eduardo Quaresma deve ir ao Mundial?
“O seleccionador é que tem de decidir, mas claramente que pelo que tem feito é claramente jogador de selecção nacional. Tem aproveitado a ausência do Diomande e do Zeno [Debast], soube esperar, mas acreditamos muito nele e tem feito belíssimos jogos. Feliz por ele e que continue assim. Tem crescido muito, mesmo no seu dia-a-dia, está mais maduro e rigoroso.”

Mês de Janeiro recheado de jogos é decisivo?
“É o calendário. Janeiro ainda vai ser mais bravo do que Dezembro. Vamos disputar a Taça da Liga e os jogadores querem disputar uma final outra vez. Eles querem é jogar, para mim é mais difícil, porque não conseguimos descansar alguns tanto como gostaríamos, mas temos de lidar com isso. Olho para um jogo de cada vez, mas acho que o mês de Janeiro não vai ditar nada no desfecho do Campeonato. Há muito jogo ainda para correr.”

Sporting CP tornou-se a equipa que mais vezes orientou em termos de jogos (56)
“É sempre especial. Estou num grande clube, onde fui Campeão Nacional, ganhei a Taça de Portugal e onde sou muito feliz. E que faça muitos mais, sinto-me feliz.”

A aposta nos jovens da formação
“Todos estão preparados para dar resposta. O Flávio dá-nos coisas muito próprias, o Blopa também, e são jogadores que têm estado mais connosco face às ausências, mas há muitos mais na equipa B que podem ser chamados. A equipa B está a fazer um belíssimo campeonato e têm de manter-se humildes para ter mais oportunidades. Acreditamos que no futuro serão importantes no Sporting CP.”

Foto José Lorvão / Isabel Silva

Adeus a um 2025 inesquecível abrilhantado com goleada em Alvalade

Por Sporting CP
28 Dez, 2025

Suárez (hat-trick) foi a estrela que guiou os Leões frente ao Rio Ave FC (4-0)

Para fechar o ano de 2025 da melhor maneira, a equipa principal de futebol do Sporting CP voltou ao Estádio José Alvalade, este domingo à noite, para vencer o Rio Ave FC por 4-0, em jogo da 16.ª jornada da Liga.

Luis Suárez, em noite de sonho, apontou o seu primeiro hat-trick de Leão ao peito e ainda assistiu para o outro golo, assinado por Maxi Araújo. Antes da passagem de ano, os Bicampeões Nacionais brindaram os Sportinguistas que encheram o Estádio José Alvalade (47032 espectadores) com mais uma noite em grande, a quarta vitória consecutiva e a oitava em casa – o melhor registo em todo o ano civil que agora finda. Assim, os Bicampeões Nacionais (41 pontos) não desarmam no encalço do líder FC Porto (43 com um jogo em falta) e aumentaram para cinco os pontos de distância para o SL Benfica (36), que empatou em Braga.

Em Alvalade, para ultrapassar um Rio Ave FC especialmente duro como visitante – fora de casa conseguiu 11 dos seus 17 pontos e sofrera apenas uma derrota - Rui Borges só fez uma alteração (forçada) na fórmula inicial Leonina que tinha levado ao triunfo em casa do Vitória SC (1-4): Georgios Vagiannidis foi o dono da lateral direita na ausência do suspenso Iván Fresneda (cumpriu ciclo de amarelos).

E o Sporting CP não tardou em ir para cima do bloco médio/baixo dos vilacondenses montado pelo grego Sotiris Sylaidopoulos. Logo no primeiro minuto, Luis Suárez rodou na área e atirou ao lado e, cerca de dez minutos depois, um remate cruzado de Maxi Araújo obrigou Cezary Miszta a ir à relva para a primeira defesa.

No entanto, foi preciso esperar mais para que os Leões conseguissem verdadeiramente assentar o seu jogo perante um Rio Ave FC (décimo classificado) até então inofensivo, embora sempre à espreita do contra-ataque e muito organizado defensivamente. Ainda assim, antes da meia hora, mais duas oportunidades: Suárez, com um belo cabeceamento, fez a bola passar perto da barra e, depois, uma ‘mancha’ de Miszta negou o golo a um Ricardo Mangas em esforço.

Apesar da superioridade, não estava fácil desbloquear o jogo em Alvalade, mas uma bola parada executada na perfeição abriu o caminho aos 33 minutos. A cruzamento de Maxi num canto, João Simões elevou-se para fazer o primeiro desvio ao primeiro poste e, ao segundo, o goleador Suárez apareceu triunfal para a emenda decisiva e levou o Sporting CP a vencer para o intervalo.

Para o reatamento do encontro, os Bicampeões Nacionais trouxeram a mesma vontade de dominar com bola, porém inicialmente com as mesmas dificuldades para encontrar espaço por dentro, até que um passe picado de Luis Suárez – exibição total - mudou isso. A bola sobrevoou a defesa rioavista de forma perfeita e Maxi Araújo, que saiu ‘disparado’ para a cara do golo, teve a frieza para driblar Miszta antes de fazer o 2-0 – quarto golo do uruguaio nos seus últimos quatro jogos.

Foi a partir daqui que se abriram as ‘comportas’ para mais uma avalanche ofensiva verde e branca que acabou em goleada. Antes disso, Suárez teve um perigoso remate interceptado e, a seguir, Miszta foi rápido a tapar os caminhos da baliza perante Ioannidis, mas nada pôde fazer, a seguir, no minuto frenético em que os golos apareceram - e em dose-dupla.

Aos 60’, Francisco Trincão cobrou um canto para o segundo poste e Suárez correspondeu certeiro de cabeça e logo de seguida, aos 61’,  voltou a cantar-se o nome do colombiano nas bancadas, porque o camisola 97 recolheu a recarga a um remate de Trincão e só teve de encostar para o golo que fixou o 4-0 e o seu primeiro hat-trick de verde e branco – leva 18 golos na sua época de estreia no Sporting CP, 14 só na Liga, onde volta a estar no topo da lista dos melhores marcadores, em igualdade com Vangelis Pavlidis (SL Benfica).

Os Leões cheiraram ‘sangue’ e atacaram sem piedade para deixar tudo resolvido de repente e, de imediato, Rui Borges procedeu a várias mudanças a partir do banco para gerir a partida. Gonçalo Inácio, Hjulmand, Simões e Maxi deram os lugares a Matheus Reis, Giorgi Kochorashvili, Hidemasa Morita e Alisson Santos e, mais tarde, Flávio Gonçalves substituiu Ioannidis.

Até ao fim, as aproximações mais significativas continuaram a pertencer ao Sporting CP, que rubricou mais um jogo de sentido único em casa. Como visitante, a equipa de Vila do Conde apenas tinha sido derrotada em Moreira de Cónegos e, agora, em Alvalade, onde os Bicampeões Nacionais não sofrem golos há precisamente dois meses, ou seja, pelo sexto jogo consecutivo.

Para os Leões de Rui Borges, que já levam 12 jornadas consecutivas sem perder, segue-se uma deslocação a Barcelos para enfrentar o Gil Vicente FC a abrir o novo ano. O jogo está marcado para a próxima sexta-feira, dia 2 de Janeiro de 2026, às 18h45.

Sporting CP: Rui Silva [GR], Georgios Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio (Matheus Reis, 68’), Ricardo Mangas, Morten Hjulmand [C] (Giorgi Kochorashvili, 64’), João Simões (Hidemasa Morita, 64’), Maxi Araújo (Alisson Santos, 64’), Francisco Trincão, Fotis Ioannidis (Flávio Gonçalves, 77’), Luis Suárez

Foto José Lorvão

Rui Borges: "A ambição é a de querer mostrar que continuamos a ser os melhores"

Por Sporting CP
27 Dez, 2025

Leões recebem o Rio Ave FC no último jogo do ano

Para encerrar o ano de 2025, a equipa principal de futebol do Sporting CP volta ao Estádio José Alvalade e enfrenta o Rio Ave FC, este domingo (20h30), em encontro relativo à 16.ª jornada da Liga.

Na véspera da partida, Rui Borges, treinador dos Leões, esteve em conferência de imprensa para fazer a habitual antevisão.

Os perigos do Rio Ave FC como visitante
“Em relação ao Rio Ave FC e se está mais fragilizado sem o Clayton, eu dou como exemplo o jogo na Luz em que empataram e nem o Clayton, nem o André Luiz foram titulares, os dois jogadores que nesta fase se falam mais e têm sido mais marcantes. Isso diz bem daquilo que é o Rio Ave FC, uma equipa que nos vai criar algumas dificuldades, Fora de casa só perdeu em Moreira de Cónegos, empatou na Luz e em Famalicão, e isso mostra a sua competitividade a jogar fora. Se acharmos que vamos fazer um golo com o passar do tempo, estaremos enganados. Temos de ser sérios e rigorosos como fomos com o Vitória SC. [O Rio Ave FC] é uma equipa forte nos duelos, muito competitiva e que joga em muitos momentos em contra-ataque. Temos de estar preparados para isso, com boas transições defensivas, algo em que temos melhorado. Queremos estar no nosso normal para ultrapassar uma equipa que tem sido difícil de bater fora de sua casa.”

Opções para a partida
“O Maxi Araújo está em dúvida, porque está meio adoentado. O Debast e o Dani ainda estão em processo de chegar ao seu melhor nível. No momento certo serão soluções, mas não é para já. O Hjulmand [perto de cumprir suspensão por ciclo de amarelos] vai jogar, não há gestão, porque o jogo mais importante é com o Rio Ave FC, que é o próximo. Quando faltar um, joga outro e vão dar resposta. Tem sido assim e vai continuar a ser.”

A motivação do Tricampeonato como ‘gasolina’
“Os meus jogadores já têm gasolina que chegue. A maior ambição deles, como foi notório nalgumas entrevistas deles durante estes dias, é a de conquistar algo muito importante e que marcará a História do Sporting CP: o Tricampeonato. É a maior motivação que temos. Queremos voltar a ganhar e ficar na História do Clube. (…) É natural que todos queiram ganhar aos que ganham e o nosso grupo é Bicampeão. É natural que criem esse ruído em volta dos campeões e o nosso grupo sente isso, como qualquer outro. Se é motivação? Acredito que em algum momento, sim, faz parte, porque vamos ouvindo e lendo. No meu discurso não uso muito, uso muito que eles são bons, os melhores. A ambição é a de querer mostrar que continuamos a ser os melhores, mais do que o ruído dos outros. Estamos muito preocupados com o que nós podemos fazer e a equipa mostra isso no seu jogo.”

Perspectivas para o mercado de Janeiro
“Se entrar alguém é porque tudo é feito de forma bem estruturada e pensada, sempre numa perspectiva de futuro, e não porque temos lesões ou jogadores na CAN. (…) É natural que se fale mais da posição de extremo pela lesão do Quenda e a ausência do Geny, mas as adaptações têm sido boas e têm dado soluções. Não estou preocupado. Vamos ver o que nos pode dar o mercado. Se tivermos capacidade e acharmos que é o melhor momento e alguém que vai acrescentar algo no imediato ao grupo, todos esses factores são importantes.”

As declarações do presidente Frederico Varandas após a vitória em Guimarães
“Foi a opinião do presidente e eu também já falei o que tinha a falar sobre o jogo [com o CD Santa Clara]. O presidente disse-me logo no avião e eu só aí vi a imagem. É sempre critério, já vi marcarem e também não marcarem. Mais do que dizer se é ou não, já vi acontecerem ambas as coisas.”

Dia mais feliz e o mais desafiante ao serviço do Sporting CP
“Não tive dias difíceis, só dias felizes. Mesmo quando não ganhei ou perdemos algum troféu, estava feliz por estar ali a disputá-lo e de estar no Sporting CP. Sou muito positivo. O dia mais feliz… É difícil dizer só um dia. O dia da apresentação [cumpriu um ano no dia 26, ontem] é marcante para nós, equipa técnica, e os dois dias em que ganhámos [troféus], porque o Campeonato é o sonho de qualquer treinador e o da Taça, até porque tinha os meus pais no estádio. Diria estes três dias.”

Se o SL Benfica é Lewis Hamilton - comparação feita por José Mourinho, treinador das águias -, que piloto de F1 é o Sporting CP?
“Não vejo Fórmula 1, vejo andebol e voleibol, desportos em que o Sporting CP também ganha muito. Não sou fã de F1.”

A aposta em João Simões
“O maior desafio é dele. É um miúdo muito maduro e isso também lhe é reconhecido pelos colegas, mas tem muito para crescer. É muito focado, sabe que vai errar, mas está pronto para errar outra vez e aprender. Vai ter um futuro brilhante.”

O prémio de personalidade do ano do MaisFutebol e votos para o novo ano
“Sinto-me lisonjeado, mas não me acho muito importante. Fico feliz, os troféus fazem parte, mas representa a equipa e não o treinador, porque eu não sou nada se eles não acreditarem no que digo e peço. É fruto do grupo, da estrutura e de todo o nosso trabalho diário. O nosso trabalho trouxe-nos aqui e vou continuar a acreditar. Acredito que 2026 será um ano muito bom, com muita saúde, porque do resto corremos atrás. Acima de tudo, peço saúde.”

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