Sporting CP foi do céu ao inferno no fim e caiu perante o SL Benfica (1-2)
De regresso ao Estádio José Alvalade e à Liga após a histórica prestação na UEFA Champions League, a equipa principal de futebol do Sporting CP perdeu com o SL Benfica por 1-2, este domingo, na partida da 30.ª jornada.
Luis Suárez teve nos pés a chance de adiantar os Leões de penálti, mas foi Schjelderup, dessa mesma forma, a marcar ainda na primeira parte, obrigando o Sporting CP a correr atrás do prejuízo. Assim foi, apesar de duas bolas nos ferros também, e Hidemasa Morita fez o empate aos 72’, mas tudo ruiu nos descontos e de forma dramática, com Rafa Silva a sentenciar a derrota verde e branca depois de Rafael Nel ter feito primeiro o 2-1 para o Sporting CP, mas em fora-de-jogo.
Entre rivais e num dérbi capital na luta pelo título, o desfecho foi castigo severo para os Leões de Rui Borges, que ficaram com contas mais complicadas no topo da tabela. O FC Porto alargou a margem na liderança (79 pontos), o SL Benfica subiu à condição ao segundo lugar (72), enquanto o Sporting CP (71) caiu provisoriamente para terceiro, embora ainda tenha de cumprir um jogo em atraso.
Para enfrentar um SL Benfica de José Mourinho ainda invicto na Liga e em pleno ‘tudo ou nada’ para mudar a classificação final, Rui Borges apostou exactamente no mesmo ‘onze’ apresentado a meio da semana em casa do Arsenal FC, composto por Rui Silva na baliza, Eduardo Quaresma, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio e Maxi Araújo na linha defensiva, meio-campo entregue a Morten Hjulmand e Hidemasa Morita, enquanto Geny Catamo, Pedro Gonçalves, Francisco Trincão e Luis Suárez ocuparam o último terço. João Simões, por seu turno, juntou-se nas ausências a Iván Fresneda, Nuno Santos, Luís Guilherme e Fotis Ioannidis.
Dérbi é dérbi e, por isso, a entrada das equipas foi especialmente tonitruante, acompanhada por bandeiras verdes ondeadas em todas as bancadas, que estiveram cheias como nunca com 51470 espectadores, a melhor casa de sempre. Já depois de Francisco Trincão e Daniel Bragança terem sido homenageados no relvado pelas marcas redondas atingidas – 200 e 150 jogos de Leão ao peito, respectivamente – e de um minuto de silêncio em honra do ‘magriço’ Vicente Lucas, deu-se o pontapé de saída na partida, adiado para as 18h15, devido ao atraso do SL Benfica na chegada ao estádio por constrangimentos na Ponte 25 de Abril, após um acidente.
O Sporting CP entrou ‘mandão’ com bola e nos primeiros cinco minutos já somava três oportunidades de golo: dois remates de Geny Catamo, os mais perigosos, que Anatoliy Trubin sacudiu como pôde – o primeiro ainda foi ‘pingar’ na trave por duas vezes – e na recarga Pedro Gonçalves ainda atirou à malha lateral da baliza.

A resposta das águias também foi rápida e chegou num canto, mas com igual eficácia do guardião verde e branco, que entre os postes ‘voou’ para negar um golo certo a cabeceamento de Nicolás Otamendi. Também de canto, após uma saída mal medida de Trubin, ‘Pote’ ficou perto de aproveitar, mas o remate saiu desenquadrado.
Seria uma questão de eficácia até inaugurar o marcador em Alvalade, mas a partir dos 11 metros. Os decibéis subiram já perto do quarto de hora de jogo, quando o árbitro João Pinheiro, chamado pelo VAR, foi ao monitor rever um pisão na área sobre Trincão e marcou penálti. Na cobrança, contudo, o guarda-redes encarnado adivinhou as intenções de Suárez e defendeu o castigo máximo. Mais eficaz foi o SL Benfica, que aos 27’ também dispôs de um penálti – por mão de Morita – e não desperdiçou. Andreas Schjelderup bateu em força e para o meio, fazendo o 0-1.
Um golpe muito penalizador para a forte entrada dos Leões, que tentaram reagir de imediato, mas esbarraram várias vezes na numerosa organização ofensiva do SL Benfica, bem como nas várias paragens que o dérbi foi tendo até ao intervalo.
Sobretudo com Geny e Trincão a tentar desequilíbrios, mas sem criatividade nem acerto suficientes no último terço, onde se disputou maioritariamente o resto da primeira parte, a desvantagem verde e branca manteve-se intacta sem qualquer ameaça real. As águias, por seu lado, ainda tentaram avistar o contra-ataque através de uma arrancada a solo de Franjo Ivanović – novidade no ‘onze’ – que Inácio resolveu com mestria.

Já no reatamento da partida, Pedro Gonçalves quase deu o melhor tónico para acreditar na reviravolta. O camisola 8 flectiu da esquerda para dentro e com um pontapé rasteiro acertou em cheio no poste. Mais tarde, Geny Catamo atirou ao lado e ‘Pote’, outra vez em carreira de tiro, chutou à figura.
Só que com o Sporting CP a correr atrás do prejuízo com mais risco, o jogo tornou-se mais perigoso face ao espaço disponível para as transições do SL Benfica e duas delas, ambas finalizadas por Schjelderup, deixaram avisos bem sérios. Na primeira, valeu a ‘estirada’ de Rui Silva junto à relva, enquanto a seguinte saiu ligeiramente ao lado.
Perto do poste, também, mas do outro lado, saiu um pontapé cruzado de Morita, já com Georgios Vagiannidis e Zeno Debast em campo - por Quaresma e Diomande –, seguindo-se a entrada de Geovany Quenda para ir em busca de soluções a partir do banco. E uma destas mudanças ajudou, e muito, para chegar ao desejado empate, quando o tempo corria cada vez mais contra o Sporting CP e a favor do SL Benfica.
Descaído sobre a direita, Debast fez uso da sua precisão e cruzou de forma perfeita para Morita ir à área cabecear para o fundo das redes, com Trubin pregado ao relvado. ‘Terramoto’ em Alvalade e com réplica logo a seguir, mas o guardião ucraniano travou mais um remate de longe de Geny.

Embora o 1-1 tenha renovado a crença verde e branca, o SL Benfica - mais fresco com quatro substituições de uma vez – conseguiu refrear o ímpeto do Sporting CP, repartindo mais a posse de bola. Além disso, Leandro Barreiro apareceu solto ao segundo poste e só não ficou perto do golo porque o desvio saiu muito por cima.
Rui Borges respondeu com as entradas de Daniel Bragança e Rafael Nel – saíram uns desgastados Morita e Geny – para o esforço final no dérbi e na corrida pelo título e os Leões ganharam um novo fôlego, mas foram do céu ao inferno numa questão de escassos minutos e já em período de compensação.
Pouco depois de Bragança ter tentado a sua sorte de fora da área e a bola ter saído muito perto do alvo, Rafael Nel isolou-se, fintou Trubin e fez balançar as redes, porém tinha partido em ligeira posição de fora-de-jogo. E tudo piorou, a seguir. Na resposta imediata, Rafa entrou na área contrária e finalizou na cara de Rui Silva, fechando as contas do dérbi com o 1-2.

O Sporting CP, ainda assim, não caiu sem tentar tudo em busca do empate, mas Inácio teve a sua promissora chance bloqueada e o derradeiro remate em arco de Trincão errou o alvo. Uma derrota duplamente penalizadora para os comandados de Rui Borges, não só pela forma cruel como se abateu mas também pelo impacto nas contas do topo da tabela a quatro jornadas do fim.
Agora, abre-se uma nova frente no imediato: o desfecho da meia-final da Taça de Portugal. Depois da vantagem conseguida na primeira mão em Alvalade (1-0), o Sporting CP desloca-se ao Estádio do Dragão, na quarta-feira (20h45), para garantir uma nova presença no Jamor.
Sporting CP: Rui Silva [GR], Eduardo Quaresma (Georgios Vagiannidis, 60’), Ousmane Diomande (Zeno Debast, 60’), Gonçalo Inácio, Maxi Araújo, Morten Hjulmand [C], Hidemasa Morita (Daniel Bragança, 88’), Geny Catamo (Rafael Nel, 88’), Pedro Gonçalves (Geovany Quenda, 68’), Francisco Trincão, Luis Suárez