Quando a seis minutos do fim Pedro Seabra deixou a bola escorregar num ataque rápido onde faria o 28-25 e Pedro Solha apontou um golo de baliza a baliza, parecia que estava dado o clique para o Sporting conseguir de vez recuperar da desvantagem no marcador e alcançar a segunda vitória na meia-final. No entanto, na sequência de um remate desperdiçado aos seis metros com vantagem numérica, o objectivo esfumou-se. É certo que o ABC teve mérito na forma como conseguiu superar o sistema defensivo ‘verde e branco’ de 6:0 – sem Bosko Bjelanovic, ainda tocado da partida em Braga –, mas a verdade é que aquilo que tinha sido a força no jogo 1 acabou por ser a fraqueza na segunda partida: a baliza, com Luís Oliveira e Svensson a não conseguirem fazer esquecer o lesionado Cudic.
Ainda assim, o início do encontro apontava para outro desfecho: a formação ‘leonina’ ganhou vantagens de dois golos com uma defesa agressiva sobre o portador da bola e um ataque organizado a superar o 3:2:1 bracarense sabendo jogar com as entradas dos pontas para a segunda linha em cruzamento na zona central. No entanto, um parcial de 6-0 permitiu ao ABC ganhar um avanço de cinco golos (10-5), muitos deles em ataques rápidos após remates falhados e falhas técnicas ‘verde e brancas’. O máximo que o Sporting conseguiu foi mesmo forçar o ritmo nos minutos finais, recuperando de 11-15 para 15-15 que se registava no final dos 30 minutos.
No segundo tempo, os ‘leões’ voltaram a entrar melhor mas nunca desviaram o encontro da constante alternância de resultado. Exemplo: na fase de maior predominância o Sporting chegou aos 20-18, deixou-se ultrapassar para 21-20 e passou de novo para a frente com 22-21, 23-22 e 24-23. Estava tudo em aberto mas as duas maiores carências dos comandados de Zupo Equisoain hipotecaram o triunfo: o eclipse total da primeira linha (Carlos Carneiro, Fábio Magalhães e Frankis Carol, ‘disfarçado’ pela boa entrada de João Paulo Pinto) e a falta de eficácia na baliza, com Luís Oliveira e Daniel Svensson a fazerem apenas seis defesas no conjunto dos 60 minutos. Assim, e na sequência de um remate falhado aos seis metros em superioridade numérica, o ABC conseguiu ficar de novo com uma vantagem de dois golos que não mais seria recuperada, deixando a eliminatória como começou e com o adversário com o ‘factor casa’.