Rui Borges: "Merecemos terminar com um troféu, mas temos de o demonstrar"
23 maio, 2026
Sporting CP defronta o SCU Torreense à procura da 19.ª Taça de Portugal da história
Aí está o último jogo da época: a final da Taça de Portugal, que se disputa este domingo no Estádio Nacional a partir das 17h15.
Carimbada a passagem até ao Jamor, depois de deixar FC Paços de Ferreira, AC Marinhense, CD Santa Clara, AVS Futebol Sad e FC Porto pelo caminho, a equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal joga agora a derradeira partida frente ao SCU Torreense, da II Liga.
O objectivo dos Leões é mais do que óbvio, alcançar a 19.ª Taça de Portugal do palmarés, mas Rui Borges sabe o Sporting CP vai ter de ser muito sério e não poderá entrar em facilitismos para assim conseguir levantar o troféu e fechar a temporada da melhor forma.
Sporting CP merece a Taça de Portugal?
“A justiça é relativa. Dependendo de quem olha para ela e de como será o jogo, mas, sim, acho que o grupo é merecedor de estar nesta final, de lutar pelo troféu e de vencê-lo. Ainda assim, temos de fazer muito para vencer, não adianta dizer que somos merecedores, temos de demonstrá-lo dentro de campo, contra uma equipa que vai dar a vida, num momento histórico para o clube e para a maioria dos atletas. Temos de estar preparados para a exigência do jogo, independentemente de ser um adversário de um escalão inferior, mas que tem demonstrado a sua qualidade ao longo da época. Ainda esta semana demonstrou contra uma equipa da I Liga toda a sua qualidade e que isso sirva de alerta para o que vamos encontrar amanhã. O grupo merece, por tudo o que fez esta época. É certo que não fomos campeões, que era o nosso grande objectivo, mas queremos e temos de fazer tudo para conseguir o segundo maior troféu do nosso país. É um troféu especial, com uma atmosfera especial, num momento especial e maior até para o SCU Torreense. Por isso, é como disse, exigência máxima. Merecemos, tal como o SCU Torreense diz que merece. O futebol é isto, temos é de o demonstrar dentro das quatro linhas”.
Segunda final da Taça de Portugal seguida:
“Deixa-me feliz, mas acima de tudo por esta época. Acho que tudo o que fizemos foi muito bom. Não conseguimos ser campeões, é certo, e ainda hoje lhes disse que não chegava sermos iguais à época passada para sermos campeões novamente, até porque fomos quase idênticos à época passada e não chegou, mas isso não apaga o que todos eles fizeram. A equipa demonstrou muita qualidade colectiva durante toda a época e de forma consistente, em todas as competições também. Por isso, já disse que são merecedores de ganhar, mas temos de mostrar dentro de campo que merecemos terminar a época com um troféu. Aquilo que queremos é acrescentar mais títulos ao Sporting CP”.
SCU Torreense a meio do playoff de subida à I Liga:
“São jogos em que, com toda a certeza, o mister Tralhão não precisa de motivar os jogadores. Não vai haver cansaço, a motivação será para lá do normal, o que nos vai dificultar a tarefa, e por isso temos de ser muito sérios. É uma equipa que tem demonstrado qualidade, vem de sete jogos sem perder e com apenas três golos sofridos, o que dita bem a sua qualidade nos duelos, de competitividade defensiva... Temos de estar muito concentrados nos nossos comportamentos individuais e colectivos”.
Respeito pelo adversário faz com que seja difícil assumir o favoritismo?
“Temos de ser sérios e não entrar em facilitismos. A pressão neste clube é diária e nada é melhor do que isso, viver com a pressão de querer ganhar. É uma pressão positiva e de que todos gostamos. Não assumimos favoritismo porque para estar numa final ambas as equipas tiverem de ter os seus méritos. Respeitamos isso e tenho experiência nesse sentido. Passei por todos os escalões e sei bem o que significa estar numa final do Jamor e jogar contra grandes equipas. Sei as dificuldades que as equipas colocam às equipas ditas mais pequenas colocam às ditas favoritas. Não olho para o SCU Torreense como uma equipa que está num escalão inferior, até porque está a lutar para subir à I Liga. Por isso, para mim, é respeito máximo e não deixar entrar em facilitismos até porque ainda não ganhámos nada e queremos muito ganhar a Taça de Portugal”.
Jogo mais complicado de preparar?
“Difícil era estar em casa a ver na televisão. Estou feliz por poder disputar mais uma final e com a maior das seriedades. Percebo a questão do favoritismo da vossa parte, mas da minha é seriedade máxima. Basta olhar para o nosso caminho na Taça de Portugal e no campeonato, onde perdemos pontos com equipas que desceram. Por isso, é alerta máximo para a exigência do jogo. Os jogos que mais me stressam são os da Taça de Portugal porque sei da dificuldade que é defrontar equipas de escalão inferior e o quão difícil é ganhar esses jogos”.
Ausência de Fotis Ioannidis:
“Não está para o jogo. Poderia dizer que está 100 por cento recuperado, mas ainda não integrou o treino totalmente connosco. Por isso, por tudo o que foi a paragem, o melhor foi não activarmos a utilização dele. Tenho a certeza de que começará a época a 100 por cento e isso também será importante para ele e para nós”.
Mercado de Verão:
“Fala-se muito. Só podemos falar do Zalazar, e já me pronunciei, tal como o Clube. De resto, é a vossa parte. Faz parte do futebol, temos de estar cientes do que se passa, mas, uma coisa é certa, tudo aqui é feito com rigor e muita comunicação. Estamos identificados com aquilo que queremos para a próxima época e, nesse aspecto, o clube está a ser fantástico”.
Possíveis saídas:
“Gostava de ter todos. Gostava que o Morita não fosse, que o Quenda não fosse, mas é o mercado a funcionar. Fico feliz por vê-los ligados a grandes clubes porque é sinal de valorização individual dentro de um colectivo que foi muito bom ao longo de toda a época. É bom para nós, treinadores, sentir que ajudamos os atletas a serem valorizados e que ajudamos o clube a valorizar os seus activos. Faz parte do futebol, mas não mexe comigo em nada. Gosto muito de todos eles, não queria perder nenhum, mas sei que é o futebol. Para saírem uns, têm de entrar outros. Sou muito frio nisso. Estamos num grande clube: os jogadores e os treinadores passam, mas o Sporting CP será sempre o Sporting CP”.
Último jogo de Morten Hjulmand no Sporting CP?
“É um jogador que tem contrato com o Clube. Estava-me a chatear para se apresentar dois dias à frente porque vai jogar pela selecção ainda. Por isso, é jogador do Sporting CP e eu conto com ele. Vamos ver o que o mercado ditará. Claro que ficarei muito feliz se ele continuar, se não continuar é o que é. Não ficarei muito feliz porque gosto muito dele, tem demonstrado muita qualidade, é um grande líder, deu sempre a cara pelo grupo e isso é muito importante. Cada vez precisamos mais desses líderes num balneário”.
Pode ser o último jogo para muitos jogadores. Isso mexerá com eles amanhã?
“São jogadores profissionais e sabem que o futebol é isto. Os que sabem que vão sair é o Quenda e o Morita, todos os outros jogadores têm contrato com o Sporting CP e sabem quando se têm de apresentar para a próxima época. Nenhum deles pode estar muito nostálgico pelo que será o futuro porque têm contrato com o Sporting CP. O Quenda e o Morita acredito que possam estar mais sensíveis, mas sinto-os felizes e super motivados para acrescentarem mais uma conquista. Acho que a felicidade deles e a parte da motivação estará no auge e não preciso de estar muito preocupado nesse sentido. Querem é saber sim se o míster vai colocá-los a jogar”.
Sporting CP vai ser o clube mais representado no Mundial
“Isso valoriza também o que tem sido o trabalho do Sporting CP não só com o Rui Borges, mas ao longo dos últimos anos. Isso deixa-nos muito felizes. Continuaremos a olhar para o que é nosso e a valorizá-lo da melhor maneira. Fico feliz, mas também estou triste porque queria que estivesse mais gente. O Pote merecia, o Edu, se calhar, também é um caso a ter em conta para o futuro da selecção, tal como outros. Acima de tudo, é a valorização do jogador português e isso deixa-me feliz”.