A festa a verde e branco antes da final da Taça de Portugal
24 maio, 2026
Onda Verde inundou mata do Jamor pelo terceiro ano seguido
Jamor é sinónimo de Taça de Portugal, festa, família e, ultimamente, de Sporting Clube de Portugal. Pelo terceiro ano seguido a equipa fecha a temporada no Estádio Nacional com o troféu da prova-rainha na mira e isso significa, também, que mais uma vez uma boa parte da mata circundante pinta-se e faz-se ouvir de verde e branco.
O dia é de festa e, por isso, começa bem cedo para os mais aventureiros ou, até, para os que não deixam que a distância os afaste. Uma breve caminhada pela labiríntica zona Norte do recinto, que este ano voltou a ficar destinada aos Sportinguistas, prova isso mesmo, porque entre a muita música, as geleiras, guarda-sóis e cadeiras que começam a chegar e as brasas já acesas, são inúmeros os pontos do país - e não só - representados aqui, no Vale do Jamor, em Oeiras. De Mangualde a Freamunde, passando por Peniche até… Londres.

Ora, vindos da capital de Inglaterra vieram Cristopher Pedrosa e o amigo Pedro, vestidos a rigor e com uma bandeira que delata a sua proveniência. “Nasci e vivo em Londres, mas os meus pais são portugueses. Emigraram para lá. O meu pai é Sportinguista ferrenho e é o responsável por eu também o ser”, contou o primeiro. Em Londres, os dois amigos estiveram na bancada do Emirates Stadium para ver o Sporting CP contra o Arsenal FC nos quartos-de-final da UEFA Champions League e, agora, marcaram férias de forma estratégica para estar em Portugal e, sobretudo, marcar presença na final da Taça e “aproveitar” a festa, pelo menos, no pré-jogo.
“Todos os anos em que o Sporting CP chega ao Jamor, nós não faltámos. É sempre assim. O Reino Unido tem boas equipas, mas não há disto”, deu conta Cristopher, corroborado por Pedro. “Este é o terceiro ano seguido que vimos, mas também já tínhamos estado contra o CD Aves [2017/2018] e contra o FC Porto [2018/2019]”, lembrou.
Agora, o derradeiro obstáculo é uma equipa da Liga 2 que é para encarar com “respeito máximo”. “O SCU Torreense tem mérito, porque chegar a uma final de Taça nunca é fácil”, acrescentou o jovem. Ainda assim, a vontade dos dois adeptos é clara. “É o último jogo da época e falta-nos um troféu. A equipa tem de deixar tudo em campo pelo símbolo e dar ainda mais festa aqui à malta”, salientou Pedro.
Enquanto uns ainda montam as tendas ou procuram o espaço - à sombra, de preferência - em que vão fazer a festa durante o dia, são muitas as famílias presentes que encontraram neste dia de Taça o plano ideal para passar em conjunto. Alguns pela primeira vez, até, como é o caso de uma família que empreendeu viagem desde São Martinho do Campo, em Santo Tirso. “Saímos às 3h30 e chegámos aqui às 8h30. Deixámos o carro lá em baixo tivemos de vir por aí acima”, respondeu Rui Ferreira, acompanhado pelo seu padrinho, Jaime Pereira.

Sem dúvidas já de que efectivamente se trata de um dia “completamente diferente”, os ingredientes trazidos para viver a festa do Jamor pela primeira vez são simples. “Alegria”, atirou desde logo, mas não só disso se alimenta um adepto num dia tão longo. “Trouxemos panados, bifanas, pão de ló, melão… A típica comida portuguesa”, disse o jovem Rui, sorridente.
Pouco depois, para compor esta família de sete pessoas, chegou Sara, que conseguiu bilhete para o jogo e, por isso, vai viver em pleno a experiência no Estádio Nacional. “É a primeira vez que vou assistir a uma final da Taça. Expectativa? A vitória do Sporting CP, claro!”, apontou, realçando que espera “um dia bem passado, acima de tudo”. “Vamos curtir o ambiente, sei que vai haver concertos também e, claro, comer e beber, porque isto tem de ir tudo vazio para cima (risos)”, avisou.
E quem começou a aproveitar aquilo que a FanZone - organizada pelo Sporting CP - teve para dar foi, desde logo, a filha Caetana, de apenas dois anos. Além do tambor personalizado que trouxe de casa e do seu boneco bebé, chamado “Pote” - revelou com a ajuda do pai - a pequena Sportinguista apresentou-se de cara pintada, como um leão.
“O meu Jamor é verde e branco”, lê-se no pórtico que serve de entrada à FanZone, onde cada vez mais adeptos se foram reunindo para aproveitar a Loja Verde presentes, os brindes disponíveis, as várias food trucks e a muita animação reservada até à hora de início do jogo. Pelo palco passou a banda Vizinhos e, como já é habitual, os Supporting, proporcionando um audível ensaio geral para muitos dos cânticos que se ouvirão nas bancadas.

Até lá, ainda é preciso passar pela hora de almoço e, por isso, a bola rola apenas entre amigos e em vários pontos da mata. E não há festa do Jamor sem porco no espeto, uma imagem que se sucede. Para isso, há quem se encomende aos profissionais, como Micaela Dias, desde as 6h30 à frente das brasas. “Assar lentamente e cortar fininho para que a carne não fique seca” é um dos segredos, revelou, preparando-se para dar de comer a “cerca de 140 pessoas”. Mais à frente e também de pinças na mão, outro profissional contratado para um extenso banquete garantiu, já visivelmente atarefado, que tem mais de 120kgs de carne para assar.
Muitos, por outro lado, trazem habitualmente o seu fogareiro e preparam uma refeição mais familiar. “Já é uma tradição. O cozinheiro é sempre o mesmo, eu, e vimos todos para a festa. Sempre atrás do Sporting CP”, disse Hélder Mendes, pai de dois jovens Sportinguistas, todos lisboetas, que trouxeram mais amigos. Porque “amigos também não podem faltar”, para lá da comida e bebida, atira um deles.
E para todos eles, frequentadores assíduos desta festa, o Jamor é também um espaço de memórias. Entre as melhores, a mais recente, a final da Taça vencida na época passada ao SL Benfica. “Estávamos todos na bancada”, contou um dos filhos, Vasco, que puxou ainda mais a fita atrás, precisamente à épica final contra o SC Braga, uma década antes. “Aquele golo do Fredy Montero aos 90’ e muitos! Eu e o meu pai estávamos mesmo na porta, quase a sair do estádio, e quando foi o golo ficámos malucos!”, recordou. Agora, o Sporting CP prepara-se para a sua 30.ª final da Taça no Jamor, onde venceu 16 das 18 que tme no palmarés.
Já com o pontapé de saída em mais uma final cada vez mais perto, todos coincidem na importância do que está em jogo. “É importante para fechar bem a época e, na próxima, vamos à procura de mais troféus”, afirmou o amigo Diogo.
A festa pré-jogo, mais uma vez, está feita e bem feita. Daqui para a frente, tudo depende do que aconteça no relvado do Estádio Nacional, palco que volta a ter os Leões na decisão pela terceira época seguida. É, também, o último jogo em 2025/2026.