Pauleta: "Fui muito feliz aqui"
04 Jul, 2026
O derradeiro olhar sobre os últimos momentos como futsalista dos Leões
Sete épocas e 17 títulos depois, Pauleta está de saída do Sporting CP. Um período, admite, com "um significado muito grande" e que, além disso, passou à mesma velocidade que o ala nas quadras. "Durante não se pensa muito nisso, mas passou muito rápido", considerou um futsalista que fez parte de um grupo ganhador como poucos em Portugal.
Na primeira parte (de duas) da sua entrevista de despedida, Pauleta reflectiu sobre os seus últimos momentos como futsalista verde e branco e abordou os altos e baixos da sua derradeira época. Faltaram "o Campeonato e as Taças" para uma despedida perfeita, não o escondeu, mas a sua segunda UEFA Futsal Champions League veio com um sabor particularmente especial. "Senti que desta vez fui mais importante", acrescentou.
Aos títulos na 'bagagem', Pauleta junta-lhe o excelente ambiente de balneário vivido e por isso sai feliz, mas também já com saudades.
Quando está prestes a despedir-se do clube que representou ao longo de sete temporadas, que impressões ou sentimentos lhe atravessam a mente?
O primeiro sentimento é logo de saudades, porque vou sentir saudades disto. Foram sete anos cá e fui muito feliz aqui.
Já sabe dizer do que é que vai sentir mais falta?
Vou sentir muitas saudades do balneário e dos meus colegas de equipa. Sempre fomos grandes amigos e isso é o que a gente leva de tudo isto.
"Vou sentir saudades disto"
Ora, o Pauleta sempre foi alguém muito acarinhado no seio do grupo. Despediu-se de muitas pessoas ou como vai manter essas ligações não sentiu que se tratava de uma verdadeira despedida?
Não, porque certamente vamos continuar a falar uns com os outros, mesmo que já não como colegas de equipa, mas vamos continuar amigos.

E, nesse sentido, quem são as grandes amizades que leva de todos estes anos?
Levo grandes amigos. O Pany [Varela], o Zicky, o Erick [Mendonça], o Merlim também... Praticamente toda a gente. Os Paçós, com quem discuto muito nos treinos (risos). Vão faltar-me sempre algumas. Levo o Wesley, o Valério, que só conheci este ano e é uma grande pessoa. Levo muitas pessoas daqui.
Sete épocas é muito tempo ou passou demasiado rápido?
Sim, passou muito rápido. Fogo! Cheguei aqui com 25 anos e, agora, saio com 32, passou muito rápido. Durante [o percurso] não se pensa muito nisso, mas passou muito rápido.
"Levo muitas pessoas daqui"
Globalmente, o que diria que significou para si este bem-sucedido período no Sporting CP?
Fez-me crescer como homem, também como atleta. Tem um significado muito grande, porque sete épocas não são sete dias.
Comecemos, então, por 2025/2026, a sua época de despedida. Venceram a Supertaça logo a abrir a época, depois a equipa vacilou mais do que o habitual na fase regular, não conseguiu vencer as Taças, mas deu uma grande resposta na UEFA Futsal Champions League. Já na final da Liga, apesar da luta até ao fim, o desfecho voltou a não ser o desejado. Com que sabor sai após esta temporada de altos e baixos?
Apesar de tudo, saio feliz. Conseguimos este ano a Liga dos Campeões, que foi sempre um grande objectivo desde que cheguei. Já tínhamos tentado em anos anteriores, ficámos lá perto e este ano voltamos a conseguir. É um feito muito grande. O Campeonato também é muito importante, é o último título que fica e que toda a gente se lembra, mas não conseguimos. Fomos até ao último jogo e tentámos sempre com tudo, mas saio feliz.
Faltou apenas isso para que fosse a sua despedida ideal?
O Campeonato e as Taças também, porque aqui entra-se sempre para ganhar tudo.
"[Champions] É um feito muito grande"
E a nível pessoal, como foi jogar as finais da Liga sabendo que o adeus ao Sporting CP estava já ali ao virar da esquina?
[Suspira] Quando ganhámos o segundo jogo já sabia que ia ter mais tempo, mas o último no João Rocha custou-me bastante... Nesse dia tínhamos treinado de manhã e pensei nisso: vai ser o meu último jogo cá, espero ganhar para ir a quinto jogo, mas vou sentir mesmo saudades disto e dos adeptos. Apoiam-nos muito e já conhecemos os lugares [na bancada] de cada pessoa que está lá sempre. Apoiaram-nos até ao último jogo.

Por outro lado, considera que o facto de saber que eram as suas últimas decisões de Leão ao peito deram-lhe uma energia extra? Se formos a ver, marcou em três jogos da final da Liga e esta acabou por ser a sua época mais goleadora (26) no Clube.
Deu, deu. Tive isso sempre na cabeça. O Zicky é o meu colega de quarto, já sabia que eu ia sair e deu-me muitos conselhos. Disse-me: "Pauleta, tens de sair em grande". Queria sair daqui Campeão, é última coisa que fica e isso deu-me mais força, apesar de muito cansado depois de uma época desgastante.
"O último no João Rocha custou-me bastante..."
Já a UEFA Futsal Champions League foi claramente o ponto alto da época. Era um troféu que esta equipa já merecia repetir há algum tempo?
Já merecíamos. Em Palma [de Maiorca, 2022/2023] já merecíamos, fomos roubados, mas é o que é, não conseguimos. Depois, perdemos com o Palma na meia-final [de 2024/2025] e custou-nos bastante, porque sentimos que fomos melhores. Tinha de haver um ano em que íamos voltar a ganhar e tanto lutámos que o conseguimos. Foi o momento alto da época.
E pela forma como foi conquistado, superando as melhores equipas do ranking da UEFA, ainda teve mais sabor?
Claro que sim, mas independentemente dos adversários o importante, para nós, era ganhar. É sempre o objectivo do Clube. A final, pessoalmente, também me custou bastante, porque sabia que ia ser a minha última Champions pelo Sporting CP. O Merlim falou disso [no balneário], que ia ser o último jogo que íamos jogar todos juntos e isso puxou por nós.
"Queria sair daqui Campeão"
Por toda essa vivência, esta superou a sua primeira Champions ou a primeira será sempre a mais especial?
Importantes são todas, mas esta mexeu mais comigo porque sinto que eu fui mais importante, mais utilizado. A anterior foi diferente, porque jogava menos tempo. A responsabilidade era a mesma, mas senti que desta vez fui mais importante. Foi também a minha última pelo Sporting CP, por isso soube-me melhor.

É a melhor última memória que leva daqui?
É. Em termos de conquistas, sim. Mas como já disse, esta envolvência e ligação que tivemos entre nós, jogadores, treinadores e directores, são coisas que também levo para o resto da minha vida.
"O Merlim falou disso [no balneário], que ia ser o último jogo [de Champions] que íamos jogar todos juntos e isso puxou por nós"
Tendo em conta tudo aquilo que viveu no Sporting CP, que aspectos considera que este grupo não pode perder daqui para a frente, mesmo sem o Pauleta?
Essa ligação, porque é o que une tanto o grupo. Acho que fui muito importante nesse aspecto, porque quando as coisas não corriam tão bem conseguia pôr a equipa outra vez a sorrir. A treinar sou muito chato, estou sempre a rir, fico lixado quando perco e gozam comigo, mas faço o mesmo quando ganho (risos). Acho que é algo que vai continuar e não se vai perder. Há muitos colegas aí, assim.
Eu vou acompanhar sempre e ver os jogos, porque tenho amigos aqui dentro.
Na segunda parte da entrevista, disponível aqui, Pauleta olha para trás e percorre desde o início o trajecto que deixou no Sporting CP. Sete épocas de títulos, muitos, mas de muita evolução pessoal, também, muito por causa de Nuno Dias e respectiva equipa técnica, a quem se mostra eternamente grato.