O meu amigo Zeca
29 Jan, 2026

Somos, como não me canso de dizer, por ser verdade e as verdades mesmo que doam aos nossos rivais, têm de ser ditas, a maior força desportiva nacional.
Um Clube que nasceu para ser grande, tão grande como maiores da Europa.
Foi isso que os nossos fundadores preconizaram desde o começo de uma caminhada que já tem 119 anos de uma vida de Esforço, Dedicação, Devoção e Glória, feita por tantos homens e mulheres que ao longo deste trajeto envergaram ao peito o símbolo do Leão rampante.
Uma caminhada que acompanhei durante muitos anos por dentro e onde fiz amigos atrás de amigos numa escola de aprendizagem de vida. Como costumo dizer, o Sporting Clube de Portugal nada me deve, eu é que lhe devo tudo. E devo-lhe mesmo muito também no meu processo de crescimento enquanto homem do desporto condição que, sem vaidade, sei alguma coisa e continuo a aprender com quem sabe.
E nessa aprendizagem, guardo referências de vida Leonina. E nessas referências incontornáveis, de que trago algumas no coração, hoje falo de uma.
Eu e ele – apesar de gerações diferentes, ele com mais primaveras no tempo do que eu – entrámos para o dirigismo muito cedo. Éramos, usando um termo ligeiro, muito "chavalos" quando entrámos no Clube para o servir. Eu no basquetebol e ele no "seu" hóquei em patins desde a equipa Campeã Europeia de 1976/1977 ininterruptamente até ter estado no recomeço, em 1999, de forma autónoma, depois da modalidade ter sido interrompida em 1994/1995.
Quis o destino que mais tarde, mais concretamente em 2002, ele viesse para o futebol juvenil, de onde eu, por motivos profissionais, abandonei a secção.
Falo do José Manuel Costa – o Zeca ou, também carinhosamente, o Zequinha, que para quem vive por dentro o Sporting CP desde há muitos anos é uma incontornável referência. E referência é termo ligeiro, ele é mesmo uma lenda do nosso Clube.
Falo com ele inúmeras vezes ao telefone, porque a distância geográfica não nos faz estar tão perto quanto o desejado por ambos.
As conversas são, sendo ambos, sem vaidade, duas "enciclopédias Leoninas", feitas de horas e horas de Sporting Clube de Portugal. O Zeca tem um amigo, é impossível isso não acontecer, em quem com ele se cruzou no universo do Clube. Do hóquei em patins – o seu amor de uma vida – ao futebol juvenil, onde passaram por ele tantos craques do firmamento que ainda jogam de Leão ao peito, são quatro décadas de dedicação sem paralelo ao Leão. Respira o Clube por todos os poros. Sabe dele como muito poucos.
Nas longas conversas, ele tem por hábito dizer-me: "Das coisas que tu te lembras". Ao qual eu respondo que "tomara eu saber tanto quanto tu".
Confidencio também que o Zeca me "melga" a cada conversa para eu passar para livro as minhas inúmeras estórias vividas no Clube, do qual serei dos mais jovens de sempre a ser dirigente de equipas seniores. No caso do basquetebol e, por menos tempo, também do andebol.
É mesmo uma coisa que ele faz questão. E eu, se algum dia esse livro sair, é impossível ele não estar num capítulo largo. Do Pavilhão velhinho à Nave, cruzei-me com o Zeca. O Zeca é uma das pessoas que me faz viver ainda mais o Sporting CP.
Somos enormes como clube e o meu amigo Zeca merece estas linhas por ser também ele enorme na alma. Os que me conhecem sabem que estou nos antípodas de dar "graxa" a alguém e de escrever porque "sim". Neste espaço, nas minhas dedicatórias, só falo de valiosos e valorosos. E o Zeca é isso tudo. Além de um Leão imenso.
P.S 1 – Um Leão que teve uma enorme crença até ao fim, saiu vitorioso de Arouca, um terreno sempre difícil. Estamos vivos, e o Tri é um sonho que, estou certo, sendo difícil, não é impossível. Nós acreditamos em vocês.
P.S 2 – Faleceu Fernando Mamede. Partiu uma referência de todos os tempos do Sporting Clube de Portugal. Um Campeão nas pistas e um ser humano de excelência. Sem ele o nosso Clube fica infinitamente mais pobre. Até sempre, Fernando Mamede.