Para superar o frio de Arouca, só a frieza de Luis Suárez
24 Jan, 2026
Avançado colombiano ‘bisou’ e decidiu perto do fim outra vez (1-2)
De volta à Liga, a equipa principal de futebol do Sporting CP visitou e venceu o FC Arouca por 1-2, este sábado, no duelo referente à 19.ª jornada. O golo da vitória, que teve de ser ‘arrancada’ a ferros, só chegou aos 90+6’ e pelo ‘suspeito do costume’. Depois de ter sido o herói na Champions contra o Paris Saint-Germain FC (2-1), Luis Suárez repetiu a dose de golos (‘bis’) e de protagonismo na Liga.
O avançado colombiano, que já tinha inaugurado o marcador, tornou-se o salvador em Arouca ao transformar o desespero em euforia já na última oportunidade do jogo. A incerteza foi total até ao fim por força, sobretudo, da atrevida entrada dos lobos arouquenses na segunda parte, quando chegaram ao empate e criaram muitos problemas aos Leões.
O final foi feliz para o Sporting CP, que assim continua no segundo lugar, agora com 48 pontos, quatro atrás do líder FC Porto, que ainda tem de jogar.
Para levar de vencida um FC Arouca de Vasco Seabra (13.º) em crescendo na Liga - conquistara oito dos seus 17 pontos nas cinco jornadas anteriores – os Leões de Rui Borges apresentaram-se com duas alterações no ‘onze’ relativamente ao lançado diante do PSG: o capitão Morten Hjulmand, após período de suspensão (na Liga e na UEFA Champions League), regressou à titularidade no lugar de Hidemasa Morita e o extremo Luís Guilherme voltou também a ser opção inicial, este em detrimento de Ricardo Mangas, cuja vaga na lateral esquerda foi ocupada por Maxi Araújo.
As maiores novidades, ainda assim, estiveram no banco de suplentes, com os regressos de Ousmane Diomande e Pedro Gonçalves, que já não faziam parte das opções desde Dezembro e, em Arouca, o criativo voltou mesmo à acção. Por outro lado, o reforço Souleymane Faye ainda não integrou a convocatória.
Recém caída a noite no Estádio Municipal de Arouca (3142 espectadores), o jogo arrancou com os Bicampeões a assumirem as ‘rédeas’ de forma inequívoca e com o ataque a carburar aos poucos. Suárez protagonizou a primeira incursão na área e, de seguida, Geny rematou enquadrado mas frouxo para as mãos de Ignacio De Arruabarrena.

Passada uma primeira vaga de chuva copiosa, dois cruzamentos rasteiros quase fizeram mais ‘mossa’, só que os cortes defensivos do FC Arouca surgiram no momento certo. Ainda assim, foi em cima dos 20 minutos que os Leões ficaram realmente perto do golo: um passe vertical de Gonçalo Inácio isolou Suárez, que até contornou o guarda-redes com sucesso, porém quando tentou enquadrar-se melhor para finalizar acabou por perder espaço e atirou ao lado da baliza.
Embora tenha continuado no controlo da partida, faltava alguma acutilância ao Sporting CP, que procurou outra imprevisibilidade ofensiva ao mudar algumas peças de lugar – Luís Guilherme passou da esquerda para a direita, Francisco Trincão foi para a esquerda e Geny por dentro, mais perto do avançado. Depois de Trincão ter rematado muito por cima quando até estava em boa posição, o FC Arouca mostrou-se no ataque pela primeira vez e o desvio do avançado Barbero não saiu muito longe do poste, mas foi assinalado fora-de-jogo prontamente.
Foi então, praticamente de imediato, que apareceu o ‘pé quente’ de Luis Suárez - deixou a sua marca goleadora em cinco dos últimos seis jogos - para descongelar o marcador a favor dos Leões também em Arouca. À passagem do minuto 35, Maxi Araújo projectou-se no corredor, captou a bola já perto da linha final, tocou atrás para o avançado colombiano e este, depois de se perfilar para dentro, chutou em força para o fundo das redes. O seu nome voltou a ser entoado pela bancada Sportinguista – muito preenchida, sempre vocal e colorida pelos inúmeros impermeáveis verdes e brancos – e o golo fez toda a diferença até ao intervalo.

Uma vantagem que, no entanto, durou muito pouco no segundo tempo, apenas três minutos, porque o FC Arouca - até então inofensivo - reentrou transfigurado e surpreendeu os comandados por Rui Borges. Logo a abrir, um remate de Naïs Djouahra para as mãos de Rui Silva serviu de ameaça, a qual não tardou a concretizar-se para valer o 1-1. Um cruzamento longo encontrou ao segundo poste José Fontán, que nas alturas amorteceu para o remate à ‘queima-roupa’ e certeiro de Barbero.
A chuva voltou por momentos - depressão Ingrid acabou por dar tréguas - e continuaram os ‘calafrios’ para os Leões, que nesta fase tiveram dificuldades para suster os contra-ataques adversários. No mais perigoso só os reflexos de Rui Silva valeram para negar o golo a Djouahra, que tinha fugido à marcação.

Na reacção imediata do Sporting CP, que foi sempre mais esforçada do que precisa, não se conseguiu mais do que uma tentativa de Iván Fresneda muito desenquadrada e, por isso, Rui Borges mexeu a partir do banco e apostou de imediato em Pedro Gonçalves – de volta quase dois meses depois – e Morita por Trincão e João Simões (amarelado).
Com o passar dos minutos, o FC Arouca fechou-se cada vez mais na sua defesa e continuou a complicar muito a tarefa da equipa verde e branca, que ainda passou a contar em campo com a irreverência de Alisson Santos e a precisão de Zeno Debast. Ainda assim, as combinações e os cruzamentos continuaram sem sair e o ‘nó’ no marcador manteve-se por desatar até ao bem perto do fim.
E se na recta final até foi a equipa da casa, primeiro, a aproveitar um canto para ameaçar o golo, mais soberana foi a ocasião dos Leões, só que Arruabarrena esticou-se e sacudiu por cima da barra o cabeceamento de Hjulmand, a somente seis minutos dos 90’.
Em Arouca, tudo se acabou por resumiu ao último suspiro e foi aqui que o Sporting CP voltou a contar com o precioso faro de Luis Suárez, outra vez decisivo, para sair por cima desta sinuosa deslocação. Já na parte final dos cinco minutos de compensação, o derradeiro cruzamento de Geny Catamo saiu tenso e perfeito para a área, onde o colombiano surgiu para o cabeceamento, que nem saiu nas melhores condições mas foi o suficiente para colocar a bola no fundo da baliza e levar toda a gente à loucura - desde os Sportinguistas na bancada a toda a equipa dentro e fora de campo.

Três pontos tão suados como festejados. O ‘culpado’ foi de novo Luis Suárez, que com este golo salvador mantém os Leões na corrida pela liderança e, a nível pessoal, chegou aos 17 na Liga e igualou Vangelis Pavlidis (SL Benfica) no topo da lista dos melhores marcadores. Antes de o apito final selar a vitória verde e branca, Matheus Reis – fora substituído por Debast - ainda viu o cartão vermelho directo na sequência dos festejos no golo.
Cumprida a missão no Estádio Municipal de Arouca, os Leões de Rui Borges viram-se de novo para a UEFA Champions League, deslocando-se ao País Basco, esta quarta-feira (20h00 de Portugal continental), para enfrentar o Athletic Club na derradeira jornada da fase de liga, que vai definir a posição final e o próximo passo do Sporting CP na prova.
Sporting CP: Rui Silva [GR], Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Matheus Reis (Zeno Debast, 80’), Maxi Araújo, Morten Hjulmand [C], João Simões (Hidemasa Morita, 67’), Geny Catamo, Luís Guilherme (Alisson Santos, 80’), Francisco Trincão (Pedro Gonçalves, 67’), Luis Suárez