Rumo às 'meias' da Taça com esforços redobrados
05 Fev, 2026
Geny Catamo entrou e selou passagem com 'míssil' no prolongamento (3-2)
Desta vez, foi preciso ir até ao fim e mais além. Para avançar rumo às meias-finais da Taça de Portugal, a equipa principal de futebol do Sporting CP recebeu e venceu o AFS por 3-2, após prolongamento, esta quinta-feira à noite, na eliminatória dos quartos-de-final.
Estreia a marcar do reforço Luís Guilherme e um autogolo encaminharam a vitória, que chegou a parecer em tudo tranquila, mas dois penáltis – o último já para lá dos 90’ – recolocaram os avenses na discussão e obrigaram a prolongamento e esforços redobrados antes do clássico na Liga. A solução estava no banco, de onde saltou Geny Catamo para marcar e selar de vez, aos 117’, a passagem na prova-rainha.
Na Taça de Portugal, o Sporting CP foi até à final no Jamor nas últimas duas edições (vencida em 2024/2025 e perdida em 2023/2024) e, agora, está mais perto de lá voltar como detentor do troféu. O FC Porto, numa meia-final a duas mãos, é o próximo obstáculo, sendo que o primeiro embate já está marcado para o dia 3 de Março (20h45), em Alvalade.
Para superar o ‘aflito’ AFS de João Henriques, último classificado da Liga (ainda sem qualquer vitória), mas que na prova-rainha vinha de eliminar o Vitória SC em Guimarães (0-1), Rui Borges apostou num ‘onze’ recheado de mudanças relativamente ao apresentado na recepção ao CD Nacional (2-1): só Eduardo Quaresma, Luís Guilherme e Luis Suárez foram ‘repetentes’, aos quais se juntaram entre as (muitas) novidades os regressos à titularidade de Gonçalo Inácio – após lesão -, Morten Hjulmand e Francisco Trincão e, ainda, as apostas em João Virgínia, Georgios Vagiannidis, Ricardo Mangas, Giorgi Kochorashvili e Daniel Bragança. No banco começou Nuno Santos, que aos 77 minutos cumpriu, em Alvalade, o tão desejado regresso à acção pela equipa principal – não jogava desde o 26 de Outubro de 2024.
Dado o apito inicial, Trincão e Luís Guilherme - pela esquerda e direita, respectivamente - começaram a dar ‘asas’ ao Leão no ataque, mas nem um, nem outro, após ganharem a linha de fundo com classe, encontraram destinatário para os seus cruzamentos rasteiros. Os dois extremos foram, também, os protagonistas dos primeiros remates do Sporting CP num ‘morno’ arranque de encontro, mas se o do brasileiro foi bloqueado antes de chegar à baliza, o do internacional português saiu com demasiado efeito para fora.
Mais pontaria teve, até, o emblema de Vila das Aves, que em poucos toques criou situações de remate cruzado a Guilherme Neiva e Leonardo Rivas, mas ambas saíram à figura de Virgínia. Só que à entrada para a meia hora de jogo os Leões pisaram por momentos no acelerador e chegaram ao 1-0.
Primeiro, Simão Bertelli ainda negou o golo a Suárez, que fintou com brilhantismo o último defesa para irromper pela área, mas logo no lance seguinte, aos 29’, a bola acabou no mesmo no fundo das redes, graças um momento de qualidade do novo 31 verde e branco. Hjulmand soltou para Luís Guilherme e o canhoto flectiu da direita para dentro e atirou em jeito e fora do alcance do guardião para o seu primeiro golo no Clube.


Conseguida a liderança, o Sporting CP manteve-se totalmente no controlo, sempre com bola, e quando meteu uma velocidade acima nos processos, já perto do intervalo, o 2-0 só não se concretizou por manifesta infelicidade. Uma bela e rápida combinação entre Suárez e Trincão isolou o avançado colombiano, que viu Simão Bertelli levar a melhor e na recarga valeu a trave ao AFS. Suárez, de cabeça, devolveu a bola para o ‘coração’ da área e foi Kochorashvili a acertar com estrondo no ferro.
A margem mínima não se desfez nos primeiros 45 minutos, mas dilatou-se logo a seguir, no reinício da partida, aos 49’. Luís Guilherme combinou e activou a correria de Mangas, área adentro, pela esquerda e o cruzamento rasteiro encontrou acabou por encontrar um desvio no defesa, apesar da tentativa de calcanhar de Suárez, para encaminhar a bola e fazer o 2-0. Pouco depois, o ‘matador’ dos Leões até conseguiu mesmo um desvio artístico e a bola não saiu longe do alvo.

Embora o jogo estivesse totalmente controlado, uma ‘escorregadela’ na defesa abriu caminho para uma rara investida avense no ataque que culminou com Hjulmand a ir ao chão para bloquear um remate perigoso, mas havia mais. Chamado pelo VAR, o árbitro reviu as imagens, descortinou um braço na bola do capitão Leonino e assinalou penálti, prontamente convertido por Pedro Lima.
Após o 2-1, Rui Borges fez as primeiras substituições, lançando ‘Pote’ e João Simões por Bragança e Kochorashvili e, já aos 77’, promoveu um dos momentos da noite. Debaixo de uma sonora ovação de pé de todo o estádio, Nuno Santos voltou a pisar o relvado de Alvalade, e o camisola 11 só não deixou a sua marca no jogo porque a emenda de Pedro Gonçalves ao seu cruzamento bem medido saiu um pouco por cima.

O reforço Souleymane Faye também somou mais minutos em campo e o encontro desenrolou-se sem sobressaltos praticamente até ao fim, quando uma nova revisão VAR frustrou os planos Leoninos. Mais um penálti assinalado a favor do AFS, agora por falta de Vagiannidis, deu a hipótese do 2-2 ao experiente Nené, que não vacilou, e a eliminatória, de repente, ganhou nova vida.
E nada mudou nos 11 minutos de compensação, em que no pouco tempo jogado houve uma grande chance para cada lado – Oscar Perea e João Simões sem sucesso na finalização – e uma lesão grave de Antoine Baroan a lamentar fruto de um choque violento.
Já no prolongamento, os Leões – já com Maxi Araújo no lugar de Mangas - entraram com tudo e Suárez ainda fez balançar as redes, porém o lance foi logo anulado por fora-de-jogo. Antes dos 105’, o colombiano ameaçou também de cabeça, mas um defesa, nas imediações da baliza, ‘limpou’ a tentativa.
Geny Catamo foi a derradeira aposta de Rui Borges, a partir do banco, para acentuar ainda mais a busca incessante da equipa verde e branca diante de um AFS cada vez mais fechado na sua defesa. E a ‘cartada’ só não foi certeira com efeitos imediatos porque Suárez, com tudo para marcar, não conseguiu corresponder à assistência primorosa do moçambicano.

O Sporting CP não esmoreceu e acabaria mesmo por forçar a vitória, mas esbarrou, ainda, em Simão Bertelli, que fechou a sua baliza com duas defesas difíceis, uma a remate de fora da área de Simões e outra a cabeceamento de Suárez. Só que o guardião avense já nada pôde fazer, aos 117 minutos, face ao pontapé triunfal de Geny Catamo, que foi mesmo o responsável por recompensar o sofrimento Sportinguista. Depois de ‘serpentear’ da direita para a esquerda, desferiu um fortíssimo remate para o 3-2 e deu um final feliz a uma longa noite em Alvalade.
Dado o importante passo rumo às meias-finais da Taça de Portugal, os Leões de Rui Borges centram as suas atenções na Liga e no clássico que vai mexer com as contas do topo da classificação. Separados por quatro pontos, Sporting CP (51 pontos) e FC Porto (55) enfrentam-se, esta segunda-feira (20h45), no Estádio do Dragão.
Sporting CP: João Virgínia [GR], Georgios Vagiannidis (Geny Catamo, 106’), Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Ricardo Mangas (Maxi Araújo, 95’), Morten Hjulmand [C], Giorgi Kochorashvili (João Simões, 68’), Luís Guilherme (Souleymane Faye, 87’), Daniel Bragança (Pedro Gonçalves, 68’), Francisco Trincão (Nuno Santos, 77’), Luis Suárez