Fim amargo à histórica caminhada na UEFA Champions League
15 Abr, 2026
Leão mostrou os dentes ao Arsenal FC mas não chegou para sorrir (0-0)
Acabou, em Londres, a mais entusiasmante das caminhadas a verde e branca na UEFA Champions League. Era preciso um golo para, pelo menos, anular a desvantagem trazida de Alvalade (0-1), mas, no Emirates Stadium, a equipa principal de futebol do Sporting CP empatou 0-0 com o Arsenal FC, esta quarta-feira à noite, na segunda mão dos quartos-de-final e, por isso, acabou eliminada (0-1 no agregado).
Um golo que até esteve muito perto, porque Geny Catamo acertou no poste em cima do intervalo e João Simões, já no último suspiro, teve uma derradeira oportunidade. Ainda assim, a personalizada exibição verde e branca em casa do líder da Premier League não foi suficiente para impor a primeira derrota europeia dos ingleses e relançar o sonho de uma passagem inédita às ‘meias’.
Para este jogo decisivo, frente a um Arsenal FC com três derrotas nos anteriores quatro jogos e em busca de atingir as meias-finais europeias pela segunda época seguida, Rui Borges lançou com ‘onze’ com três mudanças relativamente ao utilizado na Amadora: Ousmane Diomande e Gonçalo Inácio voltaram ao eixo defensivo, Eduardo Quaresma foi deslocado para a lateral-direita de forma a suprir e ausência já conhecida de Iván Fresneda (limitado fisicamente), enquanto no meio-campo Daniel Bragança deu lugar ao regresso de Hidemasa Morita à titularidade. Já face à primeira mão, a grande novidade foi o regresso do capitão Morten Hjulmand após suspensão.
Os londrinos, desta vez sem Martin Ødegaard e Riccardo Calafiori mas com aposta de início em Piero Hincapié, Christian Mosquera e Gabriel Martinelli, entraram com uma intensidade sufocante, mas o Sporting CP, além de ter evitado qualquer ameaça real, soube esfriar esse ímpeto assumindo posses mais longas. Depois, chegou a primeira amostra no ataque, um ‘disparo’ de Luis Suárez forte e ao lado, embora tenha partido em fora-de-jogo.

Com tudo reequilibrado, foram as imprecisões defensivas a abrir espaço para oportunidades e as duas equipas foram trocando golpes sucessivamente, tornando o jogo cada vez mais aberto. Embora em boa posição, nem Francisco Trincão, nem Viktor Gyökeres deram a melhor direcção aos seus remates e, depois, Geny Catamo só não conseguiu contra-atacar após um livre – com o meio-campo adversário deserto – porque a recuperação defensiva de Martinelli foi rapidíssima. E providencial foi, também, Inácio ao bloquear, já na pequena área, o que parecia um golo certo de Gyökeres.
Já a resposta dos Leões, que se continuaram a mostrar muito equilibrados em campo, foi novamente destemida e, desta vez, podia mesmo ter valido para desequilibrar o marcador – e empatar a eliminatória – mesmo em cima do intervalo. Só não foi assim porque o poste estava lá para 'salvar' a defesa menos batida da Champions. Maxi Araújo cruzou para o segundo poste e Geny Catamo, que tinha iniciado a jogada, apareceu vindo de trás e, de primeira, chutou cruzado e viu a bola acertar caprichosamente no ferro.

Antes disso, Pedro Gonçalves já tivera duas ocasiões soberanas para definir, mas rematou muito por cima na primeira e, depois, não aproveitou um mau passe do guarda-redes David Raya ao falhar a entrega rápida para Trincão, isolado. Foi com travo amargo que acabou a primeira parte, sem golos, mas ao mesmo tempo ficou demonstrado que havia motivos para acreditar na reviravolta.
Uma crença a que os mais de três mil Sportinguistas nas bancadas de um Emirates Stadium esgotado foram constantemente dando voz e a equipa, logo no reatamento, deu mais um sinal nesse sentido. Maxi pisou a área dos gunners, flectiu para dentro e rematou cruzado e desenquadrado, mas por pouco.
O Arsenal FC, já há algum tempo sem ameaçar, teve numa tentativa de meia-distância de Eberechi Eze uma primeira reacção, embora aparentemente controlada por Rui Silva. Ainda assim, o actual líder do campeonato inglês – já com Kai Havertz no lugar de Gyökeres - ganhou novo ânimo, voltou à carga como no arranque da partida e deixou um aviso mais sério: Noni Madueke foi da direita para a esquerda e disparou à malha lateral.

Novamente, o Sporting CP não se deixou intimidar. Prova disso foi a forma como voltou a tomar conta da bola e a aproximar-se da baliza de Raya, numa das quais, aos 65 minutos, Maxi queixou-se de ter sido empurrado nas costas dentro da área. Pouco depois, Rui Borges mexeu para tentar dar outra imprevisibilidade ao jogo verde e branco com as entradas de Geovany Quenda e Daniel Bragança, juntando-se João Simões, breves instantes a seguir.
Mesmo com tudo na mesma no jogo e na eliminatória, o Arsenal FC momentaneamente ainda sentiu alguma intranquilidade, porém aproveitou que o jogo entrou numa de ‘pára-arranca’ constante – muitos duelos e faltas - para manter tudo sob controlo. Aos Leões começou a faltar a energia e as soluções para sair dessa ‘teia’, da qual não saíram praticamente até final.

Além disso, os gunners ameaçaram como nunca o golo. Leandro Trossard, esquecido ao segundo poste num canto, cabeceou ao poste e, depois, o recém-entrado Gabriel Jesus entrou na área e finalizou para a malha lateral.
Mesmo assim, o Sporting CP movido sobretudo pela sua crença conseguiu uma última chance, que acabou por dar um final mais dramático a esta caminhada histórica na UEFA Champions League. No tudo por tudo, quando os quatro minutos de compensação estavam a acabar, um lançamento longo de Quenda para a área sobrou, em zona frontal, para João Simões, que rematou rasteiro e a bola acabou por sair muito perto do poste, porém ao lado. Os Leões caíram em Londres de forma inglória, mas de pé.
Terminada a prestação europeia em 2025/2026, o Sporting CP regressa a casa e volta às contas da Liga com mais um jogo muito importante. No domingo (18h00), o Estádio José Alvalade acolhe o dérbi com o SL Benfica.
Sporting CP: Rui Silva [GR], Eduardo Quaresma (Georgios Vagiannidis, 85’), Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo, Morten Hjulmand [C], Hidemasa Morita (João Simões, 77’), Geny Catamo (Geovany Quenda, 71’), Pedro Gonçalves (Daniel Bragança, 71’), Francisco Trincão (Rafael Nel, 85’), Luis Suárez