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Foto José Lorvão

Rui Borges: "O concretizar de um objectivo"

Por Sporting CP
23 Abr, 2026

Técnico naturalmente satisfeito com a presença verde e branca no Jamor

Após o apito final no Estádio do Dragão, Rui Borges era um homem naturalmente feliz pela presença do Sporting CP na final da Taça de Portugal - a 32.ª da história do Clube. Em conferência de imprensa, o técnico verde e branco voltou a destacar o orgulho em liderar este grupo de homens e deixou também elogios à exibição de Geovany Quenda.

Última defesa de Rui Silva e a união da equipa numa semana difícil
"É natural, mas não é só isso [a celebração no momento da defesa] que espelha a força, a amizade e a família que é este grupo. Realmente, nesta época têm-nos acontecido alguns infortúnios em termos de lesões, o que nos condiciona de alguma forma nesta recta final, com a exigência de jogos que temos tido. Mesmo assim, a equipa deu uma resposta fantástica. Uma primeira parte boa, onde fomos melhores do que o FC Porto, e uma segunda parte onde o FC Porto foi melhor. Soubemos sofrer em alguns momentos, sempre muito bem organizados, coesos, competitivos, com muita entreajuda e comunicação, e defendemos bem. Na primeira parte, controlámos o jogo com bola e acabámos por ser melhores. É uma grande defesa do Rui, mas antes disso uma grande defesa do Diogo Costa. São dois grandes guarda-redes."

Lesões de Gonçalo Inácio e Morten Hjulmand, e a resposta 'madura' da equipa à pressão adversária
"São jogadores importantíssimos, dois líderes da equipa fora e dentro de campo, importantes no colectivo e que marcam presença no campo, cada uma à sua maneira. Mas já ganhámos com 'toda a gente' e sem 'toda a gente', entre aspas. Já jogámos sem o Morten [Hjulmand], sem o [Gonçalo] Inácio, sem o Luis [Suárez] e ganhámos na mesma, com maior ou menor dificuldade. Perde-se algumas coisas, ganha-se outras, é futebol.

Por isso é que digo sempre que nunca me lamento, porque começo sempre com onze e, cada um à sua maneira, todos vão cumprir. Depois, eles acreditam muito uns nos outros, não há egos, toda a gente respeita e reconhece valor em toda a gente. Essa é a grande força deste grupo: o respeito e a amizade que têm. A equipa tem demonstrado essa maturidade ao longo de toda a época e isso deixa-me feliz. Por algum motivo são Campeões Nacionais."

Taça de Portugal como 'tábua de salvação'
"Já disse ontem, a presença na final não é salvação nenhuma. Oriento-me por aquilo que é a grandeza do Clube que represento, pela felicidade que tenho de o representar, e foco-me muito naquilo que é o meu trabalho. O primeiro objectivo de um grande Clube é estar presente nas disputas finais dos troféus. O campeonato está mais difícil, mas matematicamente ainda é possível, jamais me dou por vencido e, dentro do que é possível, vamos à luta. Estamos na final da Taça e, na UEFA Champions League, fizemos uma grande prestação.

O único amargo é, com todas as contigências que tivemos naquele momento também, a meia-final da Taça da Liga, mas estivemos lá. Estamos lá e o trabalho tem sido fantástico, muito bem feito. O processo é muito bom, isso é reconhecido diariamente por todos, e não são os troféus que o vão definir . O Sporting CP tem uma grandeza muito grande no seu staff e na sua estrutura. Claro que, depois, queremos acrescentar a isso os troféus, mas o primeiro objectivo é estar lá.

Não é, por isso, uma salvação, e sim o concretizar de um objectivo. Até ver, o troféu ainda é nosso e queremos muito continuar com ele. Conseguimos o primeiro objectivo, estar na final, e ainda temos um jogo pela frente."

Adversário na final
"Não sei quem será, mas independentemente disso tenho um respeito enorme, porque já estive do outro lado. Sei de onde vim e o quanto sonhava disputar uma final da Taça de Portugal, o quanto as equipas de escalões inferiores se engrandecem perante as equipas da primeira Liga, principalmente equipas grandes. Sei bem das dificuldades que vamos ter. Lembro-me bem que o primeiro jogo que tivemos na Taça de Portugal este ano, ganhámo-lo no prolongamento ao FC Paços de Ferreira, um equipa a lutar pela sobrevivência na Liga Portugal 2.

É uma final, com duas equipas que merecem lá estar, e não tenho dúvidas nenhumas de que vai ser um jogo disputado, e muito bem disputado, por ambas."

Tensão no jogo e paragens de Rui Silva
"O Rui Silva acabou o jogo com problemas físicos, tão simples quanto isso. De resto, a tensão é natural, são duas grandes equipas a disputar o acesso à final... é natural que exista intensidade vivida de parte a parte. São coisas naturais de jogo, desde que não ultrapasse os limites do razoável."

Não tirar Suárez mostra que era mais importante não sofrer do que marcar?
"Eu queria ganhar e a primeira parte foi demonstrativa disso, agora é natural que tenhamos caído fisicamente na segunda parte. Ficámos condicionados pelas duas paragens forçadas por lesões. Só tinha mais uma paragem para três substituições, estavam muitos deles esgotados, e só podia meter três. Falei com o Luis [Suárez] e ele disse que ia até ao fim, lutou como ninguém pelo grupo e fê-lo muito bem, deu tudo em campo."

Dificuldades na recta final do campeonato
"As dificuldades serão para todos. Jogos contra equipas a lutar pela sobrevivência, outras pela Europa, outras pelo campeonato. Quanto mais vamos encurtando o campeonato, maior será a exigência. O preço dos pontos está inflaccionado para todos, os jogos são difíceis e haverá momentos em que vamos jogar bem, outros não tanto. Faz parte. Há muitos contratempos a acontecer a todos, nesta recta final, mas temos de saber lutar contra isso e dar sempre o nosso melhor."

Titularidade de Geovany Quenda
"Sinceramente, até surpreendeu. Fez um belíssimo jogo com e sem bola e era expectável jogar menos tempo, mas a energia dele estava boa e mantivemo-lo mais alguns minutos. Em termos estratégicos, o FC Porto pressiona e roda a equipa à direita, e a ideia era manter a largura. Conseguimos na maior parte das vezes bloquear a pressão por aí, e é um jogador que nos dá mais velocidade no ataque à profundidade, independentemente de não estar ainda com essa energia toda. Foi importante, e tem características diferentes das do Pedro Gonçalves, que é quem tem jogado mais nessa posição. Foi muito por aí."

Desfecho da eliminatória influencia a motivação das duas equipas na Liga?
"Não sei responder. Falo pela minha equipa e a minha preocupação é apenas recuperá-los. Este mês foi fora do normal, não só pela quantidade, mas pela exigência de jogos que tivemos, pelos adversários que enfrentámos e pelas lesões que não controlamos. São coisas traumáticas que têm acontecido bastante esta época. Deixa-nos frustrados, porque grande parte das lesões que tivemos não as podemos gerir nem controlar. Condicionou-nos em alguns momentos, mas volto a dizer que o espírito da equipa é fantástico. Tenho um orgulho imenso em ser treinador destes jogadores. Eles merecem esse reconhecimento."

Sporting CP deu espaço ao FC Porto para ligar sectores?
"É perceptível o que o FC Porto faz, embora seja difícil de anular, mas acho que na primeira parte os condicionámos sempre, ganhámos bolas e não os deixámos criar qualquer perigo, com excepção de um lance aos 47'. Foi o único lance de real perigo do FC Porto. É um trabalho difícil para a linha de dois, mas fomos competentes nesse momento. Mais do que não o deixar entrar, é importante condicionar a tomada de decisão do Pablo Rosário e isso conseguimos fazer. (...) Um trabalho fantástico do Luís [Suárez] e do Francisco [Trincão]."