Salvador Blopa e Gabriel Silva em entrevista
16 Jul, 2026
Jovens Leões são dois dos 15 jogadores com ‘ADN Sporting’ em estágio
Algumas histórias parecem escrever-se em paralelo. A de Salvador Blopa e Gabriel Silva começou bem antes de ambos chegarem ao ambicionado patamar do futebol profissional. Cresceram juntos na Academia Cristiano Ronaldo, conquistaram títulos nos escalões de formação, partilharam balneário e foram subindo etapas, quase sempre lado a lado.
Hoje no Algarve, integrados no estágio da equipa principal do Sporting Clube de Portugal, são dois dos mais recentes exemplos da aposta contínua do Clube na sua formação: dos 31 jogadores inicialmente convocados para o estágio, são 15 - praticamente metade - aqueles que, em algum momento, passaram pela Academia Cristiano Ronaldo. Um número que espelha bem a capacidade do ‘viveiro verde e branco’ para produzir talento e jogadores capazes de vingar nos mais altos patamares.
A responsabilidade como mote
Mais do que uma oportunidade de aprender com os 'maiores' e de mostrar serviço a Rui Borges, este é um momento de grande significado para quem sempre vestiu de verde e branco. Quem o garante é Salvador Blopa.
"Nós não estamos a carregar qualquer símbolo ao peito. Estamos a carregar o símbolo do Sporting Clube de Portugal, que para mim é o melhor clube de Portugal e do mundo. É um voto de confiança muito grande que depositaram em nós", começou por dizer o ala, em entrevista à Sporting TV.
O jovem de 18 anos sublinha que esta chamada representa não apenas uma recompensa pelo percurso feito mas, simultaneamente, um sinal claro da responsabilidade que têm entre ombros.
"É um motivo de orgulho para mim, porque sempre tive a ambição de estar no meio dos melhores e felizmente estou cá, entre eles. Significa também que o Sporting CP está a apostar na formação, que temos jogadores com muita qualidade que merecem pelo menos uma oportunidade. Agradecemos a oportunidade que o mister Rui Borges nos deu e só prometemos mais trabalho e dedicação", sublinhou.

Gabriel Silva ecoou as palavras do companheiro. Depois de percorrer todos os escalões de formação, o avançado encara este estágio como a continuação natural de um percurso construído com muito trabalho e paciência.
"É outra responsabilidade. Desde pequeno que treinava naqueles campos, fui passando de escalão em escalão e poder agora chegar à equipa principal é muito gratificante. Agora, é manter o foco e dar o nosso máximo pelo nosso Clube", afirmou o jovem de 19 anos, a jogar duplamente em casa. Natural de Albufeira, estreou-se pela equipa principal no recente jogo de preparação frente ao Celtic FC.
"Sinto-me muito grato por estar aqui e ainda mais por estarem aqui os meus familiares mais próximos [nas bancadas]. É gratificante estrear-me assim, na minha cidade", reconheceu o dianteiro, titular na partida frente aos campeões escoceses.
Do Algarve a Lisboa há um sonho de distância
O percurso até esse momento começou, porém, muito antes. Gabriel Silva recordou os anos em que, ainda muito jovem, conciliava o dia-a-dia no Algarve com as exigências naturais de quem perseguia um sonho.
"Desde cedo fazia essas viagens e comecei a adaptar-me. Com o sacrifício e com o gosto de jogar no Sporting CP, tudo se tornava mais fácil. Treinava aqui no Algarve durante a semana e depois, ao fim-de-semana, ia ao Pólo SCP Lisboa, fazia o jogo e à noite voltava para o Algarve. Era uma coisa bonita porque chegávamos lá, almoçávamos todos juntos e íamos para o jogo todos juntos. Depois, ainda ficávamos ali a jogar à bola, quando o campo estava vazio. É algo que nunca vou esquecer", recordou.
Os pés bem assentes

Gabriel Silva vive agora os primeiros capítulos junto da equipa principal, mas Salvador Blopa já conhece essa realidade desde a temporada passada. A estreia oficial em Alvalade num encontro da Taça da Liga, frente ao Alverca (5-1), os jogos na UEFA Champions League e na Liga Portugal, os golos e os elogios sucederam-se rapidamente, mas o jovem avançado garante que nunca deixou que isso alterasse a sua forma de estar.
"Sempre tive na cabeça que tinha de fazer o meu trabalho, dia após dia, treino após treino, fosse no campo, no ginásio ou em casa. Não tinha noção de que ia acontecer tão rápido, mas, se aconteceu, foi por algum motivo. Estou muito grato pelas oportunidades que o Sporting CP me tem dado, pela confiança que os ‘mister’ têm depositado em mim e sinto-me muito feliz. Vou sempre dar o meu máximo, seja no treino ou no jogo. Só prometo mais trabalho, mais dedicação e ainda muito esforço da minha parte", frisou.
O apoio que vem de cima
Ambos garantem que o ambiente vivido no grupo liderado por Rui Borges facilita a integração dos mais novos. Dos conselhos dos jogadores mais experientes aos pequenos pormenores do dia-a-dia, tudo contribui para acelerar a adaptação.
Para Gabriel Silva, a convivência diária com atletas que sempre viu representar a equipa principal constitui também uma fonte adicional de motivação.
"Dá-me outro ânimo quando entro em campo e nos treinos, para dar o máximo, para tocar bem a bola. Há responsabilidade, claro, mas acho que me vai ajudar muito", afirmou.
Também Salvador Blopa destacou a importância dos ensinamentos que vai recebendo dos colegas mais experientes.
"Eles passam-nos os conselhos que lhes deram quando tinham a minha idade: para não ter pressa e para ir com calma, que tudo vai surgir naturalmente, que não é algo forçado. Vai acontecer no seu tempo", partilhou.
Admiração recíproca
A ligação entre os dois, essa, mantém-se intacta. Cresceram juntos, conhecem-se há vários anos e acompanham de perto a evolução um do outro.
"Sinto-me orgulhoso porque é mais um colega da minha geração que está aqui na equipa A. Sinto que ele está a trabalhar bem e que o mister lhe está a dar um voto de confiança. Espero que o agarre com tudo. O ‘Gabi’ é um ponta-de-lança nato, gosta muito de fazer golos, tem aquele sangue de querer meter a bola lá dentro. Pode passar um pouco mais a bola, mas continua a fazer assistências. É um grande jogador e ainda pode dar muito que falar", elogiou.
Do outro lado, a admiração é recíproca.
"[O Salvador] é um jogador muito forte fisicamente. Tem de conseguir aproveitar ainda mais a velocidade que tem. Na estreia não perdoou e é assim que tem de ser. Fez o trabalho dele. Fiquei muito feliz. Não consegui ir ao estádio ver o jogo, mas mandei-lhe logo mensagem a seguir", recordou.

Uma geração que continua a crescer
Não é por acaso que a geração de 2007 continua a destacar-se dentro da Academia Cristiano Ronaldo. Entre jogadores que já chegaram à equipa principal e outros que continuam a crescer nos diferentes escalões, existe um denominador comum: o companheirismo.
"Sempre tivemos bons jogadores, como o [Geovany] Quenda, o [João] Simões, o Flávio [Gonçalves, outro dos jovens da formação presentes no estágio], mas acho que vem muito da convivência que temos. O Quenda, como veio para cá mais cedo, passou-nos bons conselhos. O Simões também. Estamos sempre a torcer uns pelos outros", contou Salvador Blopa.
Gabriel Silva acredita, igualmente, que essa amizade explica muito do sucesso que, colectiva e individualmente, estes jovens começam a granjear.
"Foi uma geração de muito sacrifício. Sempre nos demos muito bem e há muitos jogadores com qualidade, estejam eles aqui ou não. Acredito que um dia também poderão estar aqui como nós", vaticinou.
Os ídolos do futuro
Hoje, são eles quem começa a ocupar o lugar que antes pertencia aos seus ídolos. Os mais novos da Academia Cristiano Ronaldo já olham para Salvador Blopa e Gabriel Silva como um exemplo.
"É um motivo de orgulho. Quando tinha a idade deles também me inspirava nos jogadores que já cá estavam, como o Nuno Mendes e o Eduardo [Quaresma], que também está aqui. Inspirava-me muito neles e hoje em dia somos nós a inspirar outras crianças que estão na Academia. Digo apenas para terem calma. Hoje em dia há muita pressa de subir etapas, mas tudo tem o seu tempo. Pode acontecer amanhã ou daqui a algumas semanas. Quando tiver de ser, será", aconselhou Salvador Blopa.
Gabriel Silva reforçou a mensagem. "Não é só o talento que chega para sermos jogadores. Cada vez que entramos em campo temos de ser homens, jogadores esforçados, e dar sempre o máximo em todos os treinos. É isso que faz a diferença", frisou o dianteiro.

No fim de contas, são precisamente esses os valores que a estrutura da formação Leonina procura transmitir diariamente aos jovens que percorrem os corredores da Academia Cristiano Ronaldo. Salvador Blopa faz questão de não esquecer quem o ajudou quando o caminho parecia mais difícil.
"Não me posso esquecer de quem me ajudou, porque houve alturas na formação em que não jogava e aconselharam-me sempre a não desistir. Pessoas como o Sr. Aurélio [Pereira], a Dra. Aida [Ramos], os meus amigos, os meus mais próximos. Até agora está a correr bem, mas ainda pode correr muito melhor, e estou sempre muito, mas muito grato, também ao Sr. Tomaz [Morais], que sempre disse, “Salvador, não é como começa, é sempre como acaba”. E ainda não acabou, mas estamos em caminho para que seja algo divertido ", manifestou.
Entre os 'graúdos', Salvador Blopa e Gabriel Silva continuam a trilhar o seu caminho, conscientes de que representar o Sporting Clube de Portugal é tanto um privilégio como uma responsabilidade. E, tal como tantos outros antes deles, sabem que o sonho de chegar à equipa principal não termina com a estreia: é apenas o início do caminho.