Jan Galabov na hora da despedida: "Foi uma viagem incrível"
24 Jun, 2026
Zona 4 recordou três anos de muitas conquistas
Após três temporadas de Leão ao peito, Jan Galabov despede-se do Sporting CP com uma marca indelével numa das fases mais bem-sucedidas da história recente do voleibol verde e branco. O internacional checo, que chegou ao Pavilhão João Rocha em 2023, afirmou-se rapidamente como uma das figuras da equipa orientada por João Coelho e foi um dos principais protagonistas de um grupo que não só voltou a impor-se no panorama nacional como também assinou feitos memoráveis nas competições europeias.
Os números ajudam a contar a história. Em três temporadas, o zona 4 disputou 106 partidas oficiais, somou 1169 pontos e ergueu sete troféus. A primeira conquista aconteceu logo na época de estreia e, à Taça de Portugal de 2023/2024, seguiram-se duas épocas consecutivas de enorme sucesso, que devolveram ao Clube os títulos nacionais de 2024/2025 e 2025/2026. A campanha mais recente ficou ainda marcada pela conquista do tão desejado triplete, feito que consolidou o lugar desta equipa entre as mais fortes da história da modalidade no Sporting CP.
Na hora da despedida, Jan Galabov recordou alguns desses momentos vividos de verde e branco, falou dos troféus mais marcantes, das noites europeias no Pavilhão João Rocha e da "união" de um grupo como nunca encontrou na carreira. No fim, garante, "vir para o Sporting CP foi, sem dúvida, a escolha certa".

Quando chegou ao Sporting CP, em 2023, imaginava que se despediria como campeão nacional e com um triplete na bagagem?
Provavelmente não. Antes de mais, nunca sabemos quanto tempo vamos passar num clube, porque a vida e a carreira no desporto são assim mesmo. Só posso dizer que foi uma viagem incrível. Estive três anos no Sporting CP e conquistámos todos os troféus possíveis, pelo menos a nível nacional. Não falo das competições europeias, que têm um nível competitivo muito elevado e são muito difíceis de ganhar, mas acho que podemos dizer que foi um período muito, muito bem-sucedido da minha carreira. Espero que também o tenha sido para o Sporting CP.
Olhando para trás, o que é que o convenceu a aceitar o projecto do Sporting CP? Valeu a pena tomar a decisão de vir para Lisboa?
Valeu 100% a pena. Agora, olhando em retrospectiva, posso dizer que foi uma decisão inteligente. Vi aqui uma boa oportunidade. Vi a possibilidade de jogar numa Liga que talvez não seja a mais forte da Europa, mas que tem muito para oferecer. E chegar a um Clube tão grande trazia também a possibilidade de disputar competições europeias, que era aquilo que eu procurava na altura.
Além disso, conseguir ganhar o campeonato e participar depois na CEV Champions League foi incrível. Estou muito grato por ter vivido esta experiência. Vir para o Sporting CP foi, sem dúvida, a escolha certa.
"Estou muito grato por ter vivido esta experiência. Vir para o Sporting CP foi, sem dúvida, a escolha certa"
Lembra-se do primeiro jogo pelo Sporting CP? O que guarda desse dia?
Sinceramente, tenho muito má memória para essas coisas (risos), mas a primeira vez que jogamos por um novo clube é sempre especial. Há algo de que me recordo bem: chegar a um novo Pavilhão, ver as novas luzes, tudo verde e branco, as pessoas, os adeptos... foi algo que me deixou marcas no coração para sempre.
Acabou de descrever o Pavilhão João Rocha. Que sensação teve ao jogar aqui pela primeira vez?
Na verdade, foi difícil, porque ainda me estava a habituar a uma nova realidade. Uma coisa é ver o Pavilhão nos treinos e outra completamente diferente é senti-lo em jogo. Depois, há as pessoas, o espectáculo de luzes e tudo isso. Portanto, ao início não foi fácil. Mas, com o tempo, tudo se tornou mais natural para mim. Acho que transformámos este Pavilhão numa casa muito forte, numa verdadeira fortaleza. Era muito, muito difícil bater-nos aqui.
"Transformámos este Pavilhão numa casa muito forte, numa verdadeira fortaleza. Era muito, muito difícil bater-nos aqui"
Qual foi o jogo mais especial que viveu pelo Sporting CP?
Para mim, o jogo mais especial foi provavelmente contra o SVG Lüneburg, na CEV Champions League. Primeiro, porque estávamos a jogar a Liga dos Campeões, a melhor competição de clubes que se pode disputar a este nível, e depois porque fizemos uma exibição muito boa. Conseguimos uma recuperação incrível e acabámos por vencer [ndr.: O Sporting CP venceu esse jogo por 3-1, a 10 de Fevereiro de 2026]. Foi um jogo enorme para nós, com muitos adeptos e um ambiente fantástico. Esse jogo destaca-se claramente.
Depois, diria também, como conjunto, os jogos frente ao SL Benfica, sobretudo os da final da última época [2024/2025], quando parecia que estávamos em desvantagem. No fim, conseguimos dar a volta e trazer o troféu para casa. Foram jogos incrivelmente difíceis aqui no Pavilhão João Rocha, mas conseguimos.

Dos sete troféus conquistados no Sporting CP, qual teve mais significado para si?
O Campeonato Nacional da temporada passada, sem dúvida. Aliás, posso falar de dois troféus. Começo pela Taça de Portugal da minha primeira época no Sporting CP [2023/2024], porque foi o primeiro troféu conquistado por este grupo e por este projecto que o Sporting CP iniciou há três anos e meio. Tenho memórias muito fortes desse jogo. A final foi contra a AJ Fonte Bastardo e pensámos que talvez fosse um jogo mais fácil do que realmente acabou por ser. Foi um jogo muito duro. A certa altura, talvez tenhamos ficado um pouco assustados com a possibilidade de perdermos. Por isso, foi uma enorme conquista para mim, até mesmo a nível pessoal. O primeiro troféu é sempre muito especial.
Depois, escolho também o tal título da última temporada [2024/2025], quando começámos a perder a final por 2-0 frente ao SL Benfica. Sentíamos a pressão, mas conseguimos. E conseguimos porque mentalmente fomos muito mais fortes. Sobrevivemos a essa luta. Ganhámos as batalhas e depois ganhámos a guerra [ndr.: O Sporting CP venceu o quinto jogo no Pavilhão da Luz e conquistou a Liga]. Esses dois troféus foram os mais marcantes para mim.
"A primeira Taça de Portugal que conquistei e o título nacional da temporada 2024/2025 foram os troféus mais marcantes para mim"
Ao longo destas três temporadas no Sporting CP, viveu muitos momentos positivos e menos positivos. Há algum que nunca vá esquecer?
Acho que nunca vou esquecer nada do que vivi no Sporting CP. Três anos é muito tempo. Tempo suficiente para guardar tudo na memória, todas as pessoas. Foi especial também porque praticamente ninguém mudou à nossa volta durante este período. Diria que ninguém, tanto na equipa técnica como no restante staff. Sim, alguns jogadores saíram e outros entraram, isso é normal, mas no geral mantivemos uma base muito consistente. E quero deixar-lhes um agradecimento especial: nunca na minha carreira tinha visto os treinadores, adjuntos, nutricionistas e todas as demais pessoas que diariamente cuidam de nós ser tão unidos. Deram sempre o máximo, sabiam tudo o que se passava na equipa, a comunicação e a organização eram incríveis. Nunca vi nada assim antes. Acho que isso é muito único no Sporting CP; a união. E nunca vou esquecer nenhuma dessas pessoas.
Na segunda parte da entrevista, que pode ser lida aqui, Jan Galabov abre o coração para falar da ligação criada com os Sportinguistas, do ambiente especial vivido no Pavilhão João Rocha e do orgulho que sente pelo percurso construído num Clube que descreve como "especial e único". Entre memórias, agradecimentos e a emoção da despedida, o internacional checo recorda os últimos momentos de Leão ao peito e revela o desejo de deixar um legado no voleibol verde e branco.
