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Foto José Lorvão

Rui Borges: "Temos a ambição de estar na final"

Por Sporting CP
05 Jan, 2026

O técnico verde e branco falou sobre a final four da Taça da Liga

Rui Borges esteve presente em conferência de imprensa para fazer a antevisão ao jogo das meias-finais da Taça da Liga frente ao Vitória SC, agendado para esta terça-feira às 20h00. O técnico verde e branco falou também do reforço Luís Guilherme, da onda de lesões na equipa e do regresso de Daniel Bragança. 

Contratação de Luís Guilherme
"É um jogador que identificámos para o imediato, mas acima de tudo para o futuro. Foi uma oportunidade que tivemos. É um miúdo em quem vemos muito potencial, que nos pode dar soluções em mais do que uma posição e é um acrescento ao grupo em termos de qualidade técnica, personalidade e carácter. Tem muito a ver com a nossa equipa.

No West Ham United FC jogava mais à esquerda, no SE Palmeiras à direita, a sua formação foi a dez, e dá-nos soluções em várias posições. Daí dizer que se enquadra na nossa equipa, porque também o Francisco Trincão, o Pedro Gonçalves e o Fotis Ioannidis, por exemplo, são assim.

Claro que vai demorar algum tempo a perceber as dinâmicas da equipa, daí dizer que é um jogador para agora, mas se calhar mais para o futuro, pela sua margem de progressão, pela sua idade e pela sua qualidade. Poderá ou não ir já a jogo."

Disputar a final-four da Taça da Liga
"Os jogadores estão focados. Percebem que pode ser a disputa de um título. Queremos muito ganhar, a equipa tem sempre a ambição de estar nas finais, disputar os troféus, e é isso que queremos muito.

Agora, é focar na Taça da Liga e depois, mais à frente, voltar a focar-nos no campeonato. Queremos competir, e eles demonstram sempre isso, apesar do resultado do jogo de Barcelos. Querem é competir, jogar e mostrar aquilo que são enquanto equipa."

Será um jogo diferente do recentemente disputado com o Vitória SC
"Vai ser um mês de Janeiro e um início de Fevereiro bastante intenso. Muitos jogos, não temos todas as soluções e esperamos que voltem o mais rápido possível, porque há uma sobrecarga para outros atletas que se pode tornar perigoso. Entramos num espaço que não controlamos, de lesões musculares pela sobrecarga. Mas é esperar que apareçam mais soluções e que volte quem está de fora para nos ajudar.

Será um jogo totalmente diferente do do campeonato. É um jogo a eliminar, o Vitória SC com toda a certeza quer disputar a final da Taça da Liga e ganhar um troféu pela sua massa associativa e a grandeza do clube. Será um jogo muito competitivo, acredito que em alguns momentos mais calculado, porque ambas as equipas querem estar na final.

É um Vitória SC que, apesar de tudo, e às vezes não se dá tanto valor, está a fazer um belíssimo campeonato, apesar de todas as mudanças que teve. É a única equipa que ganhou internamente ao FC Porto, eliminou-os desta competição. Vai exigir muito de nós e nós, dentro do que temos disponível, faremos um bom jogo, um jogo bastante competente e não fugindo de que gostamos: ter qualidade de jogo e ter bola, produzir muito."

Lesão de Ricardo Mangas
"Não sei dizer ao certo a extensão de tempo [para a ausência]. Vou atirar para o ar, e o doutor se calhar vai matar-me, mas diria que entre tres a quatro semanas desde a lesão. Acredito que seja por aí."

Recuperação de Zeno Debast e opção no centro da defesa
"Está em processo final de recuperação, felizmente, acredito que nos próximos dias começará a treinar normalmente com o grupo.

Dentro das possibilidades, encontraremos uma solução. Há os miúdos da equipa B, que têm feito um belíssimo campeonato e estão preparados para dar resposta se forem chamados pelo treinador da equipa principal."

Regresso de Daniel Bragança
"Muito feliz pelo seu regresso e foi explícito: quase todo o grupo estava presente no momento em que o Dani entrou em campo, o que exemplifica bem a força desta equipa, a amizade que existe.

Feliz por vê-lo voltar bem, acredito que nos ajudará no futuro. Já está a treinar connosco há alguns dias e tem apenas de ganhar confiança e perder o natural receio que ainda possa existir. Estes minutos na equipa B foram importantes por isso. Nos próximos tempos, com toda a certeza, já estará disponível para a nossa exigência de equipa principal."

João Virgínia
"Vou dizer o que digo sempre em relação aos guarda-redes: não é um dado adquirido que este jogue uma competição, o outro jogue a outra. No momento e dentro daquilo que é a estratégia e a orientação de jogo, tomamos a decisão que acharmos melhor."

Comentar arbitragens
"Já disse que não falo sobre arbitragem, por mais que das outras partes o façam. Tento abstrair-me ao máximo. Todos erram: jogadores, treinadores, árbitros. Faz parte. Sou daqueles que acredita sempre na parte boa das coisas e nunca nas negativas. Por isso, espero que o ruído não se faça sentir e que se valorize mais o futebol português, o nosso campeonato. Mais do que qualquer ruído que possa condicionar quem quer que seja.

Mas tenho notado algo diferente. Tenho visto que só a mim perguntam se vi os lances duvidosos, só o perguntam ao treinador do Sporting CP. É focarmo-nos naquilo que controlamos. Acima de tudo, que sejamos competentes para continuar o nosso trajecto."

‘Orgulho ferido’ após derrota na final passada
"Não tem a ver com orgulho e sim com a ambição da equipa. O ano passado perdemos nos penáltis, algo muito específico, mas não fomos tão competentes nesse aspecto. Queremos é estar lá a disputar as competições, estar nas finais.

A época passada não conseguimos ganhá-las todas, mas o futebol é isso: é seguir, levantar e voltar a lutar para estar novamente nas finais. É isso que queremos muito amanhã: disputar o jogo, contra uma boa equipa, para estarmos na final. E, depois sim, conseguirmos vencer a competição. Eles não se cansam de ganhar e querem é acrescentar história ao Sporting CP."

Maxi Araújo opção a lateral ou médio
"O Maxi tem-nos dado as duas soluções. Dadas as ausências, e em termos de características, ele tem conseguido dar resposta numa e noutra posição. Dentro do que será o jogo e perspectivando aquilo que será o Vitória SC, pode jogar numa posição ou outra. Uma coisa é certa: vai jogar. Se vai jogar a lateral ou a médio/extremo, ainda vamos decidir."

Nova onda de lesões
"Os que demoram mais a recuperar são lesões traumáticas que não controlamos. O máximo que podemos olhar é para as lesões musculares e - felizmente - não temos tido muitas. É o próprio jogo que é de contacto e cria estes problemas.

Temos a CAN esta época, que também condicionou a dinâmica da equipa com dois jogadores importantes, mas o staff e a estrutura de performance e departamento médico têm sido excepcionais.

Em relação ao que não controlamos, não podemos fazer nada. É seguir e acreditar nos que estão. A gestão é difícil de existir, porque para além de não termos tantas soluções, e entrarmos numa linha vermelha de sobrecarga, esta é a fase mais crítica da época, com muitos jogos e algum acumular de fadiga.

Pode haver esse risco de maior lesão, mas ainda acho que é diferente do que acontecia na época passada. Temos de saber contrariar estas coisas menos positivas que acontecem no caminho e a equipa tem dado uma boa resposta. Isso deixa-me feliz."

Foto João Pedro Morais

Luís Guilherme é o primeiro reforço de Inverno

Por Sporting CP
04 Jan, 2026

Avançado de 19 anos chega do West Ham United FC

Aí está o primeiro reforço de Inverno do Sporting Clube de Portugal. Luís Guilherme, de 19 anos, assinou este domingo um contrato válido até 2030.

Blindado por uma cláusula de rescisão fixada nos 80 milhões de euros, o avançado mostrou-se "muito feliz" por chegar a um "Clube gigantesco". Internacional sub-20 pelo Brasil, o jogador deixa assim o West Ham United FC, onde realizou cinco jogos na presente temporada, e 'aterra' em Lisboa com muita ambição e vontade de evoluir.

Antes da passagem pelo futebol inglês, para onde se transferiu na época 2024/2025, Luís Guilherme cumpriu toda a sua formação no SE Palmeiras, um dos clubes de maior referência do panorama desportivo brasileiro. Ainda muito jovem, mas já ao serviço da equipa principal do emblema alviverde, o dianteiro participou nas conquistas do Brasileirão, em 2023, e do Campeonato Paulista, em 2024, títulos que ajudaram a consolidar o seu crescimento competitivo.

Agora, e nas primeiras declarações como jogador do Sporting CP, Luís Guilherme não escondeu a satisfação por representar o Clube verde e branco.

"Estou muito feliz por chegar a este clube gigantesco que é o Sporting CP. Desde a minha primeira conversa com o director que me falaram muito bem do Clube, de ser um ambiente muito familiar, onde os jogadores acolhem bem quem chega. Estou muito feliz, muito realizado e espero poder ajudar ao máximo a nossa equipa", começou por dizer o novo reforço dos Leões, destacando ainda a dimensão do Clube a nível internacional.

"É um clube muito famoso, não só em Portugal, mas no mundo inteiro. Toda a gente conhece o Sporting CP e sabe da grandeza do Clube. Estou muito feliz por poder representar esta camisola", acrescentou.

Questionado sobre as referências que recolheu antes da mudança para Alvalade, Luís Guilherme revelou ter tido várias conversas com jogadores e técnicos que conhecem bem os corredores de Alcochete.

"O Mateus Fernandes sempre me falou muito bem do Sporting CP, da estrutura e do ambiente. Quando lhe disse que vinha para cá, ficou muito feliz e desejou-me toda a sorte do mundo", contou, deixando também palavras de agradecimento a Abel Ferreira.

"Ligou-me, falou muito bem do Clube e desejou-me sorte. Foi ele que me lançou profissionalmente no SE Palmeiras e só tenho a agradecer-lhe por tudo", frisou, confiante de que o processo de adaptação a Portugal será facilitado pelo idioma.

"A adaptação vai ser mais fácil porque se fala português. Algumas palavras são diferentes, mas no geral consigo entender. Espero adaptar-me o mais rápido possível para ajudar os meus companheiros a conquistar títulos", disse.

Definindo-se como "um jogador rápido, que gosta de jogadas bem trabalhadas e com boa capacidade de finalização", o versátil avançado garantiu disponibilidade total para se adaptar às necessidades de Rui Borges.

"Tenho de estar sempre disposto a melhorar. Ouvir sempre os mais velhos, como agora no Sporting CP, e procurar aprender. Tal como olho para mim e vejo aquilo em que preciso de melhorar, é sempre bom ouvir pessoas que têm mais conhecimento, para que me possa adaptar o mais rápido possível e ajudar os meus companheiros", acrescentou.

Luís Guilherme, que vai jogar com o 31 nas costas - "um número simbólico para mim, foi o primeiro que usei como profissional no SE Palmeiras e carrego-o com muita alegria" -, revelou também estar já disponível para ser opção.

"Estou sempre pronto para ajudar o Sporting CP. Mesmo quando joguei menos, continuei a treinar forte para, quando surgisse a oportunidade, dar o meu 100%", assegurou.

Ansioso por começar a trabalhar com o grupo, o avançado deixou aos Sportinguistas uma mensagem clara de ambição: "Podem ter a certeza de que não vai faltar vontade nem garra. Estou aqui para ajudar e espero dar muitas alegrias aos adeptos", rematou.

Foto Isabel Silva

Leões afinam detalhes antes da meia-final

Por Sporting CP
04 Jan, 2026

Preparação prossegue para o jogo frente ao Vitória SC

A equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal continua a preparar a presença na final-four da Taça da Liga. Este domingo, os Leões subiram ao relvado, em Alcochete, já com todas as atenções focadas no duelo com o Vitória SC, referente à meia-final da competição.

Os Bicampeões Nacionais voltam a treinar esta segunda-feira, às 10h30, na Academia Cristiano Ronaldo, com os primeiros 15 minutos da sessão abertos à comunicação social. A partir das 12h15, também na Academia, realiza-se a conferência de imprensa de antevisão ao encontro.

Foto José Lorvão

Matheus Reis: "Vamos estar muito preparados"

Por Sporting CP
04 Jan, 2026

Defesa perspectivou a final-four da Taça da Liga

Em entrevista às plataformas da Liga Portugal, Matheus Reis, defesa do Sporting CP, fez a antevisão da final-four da Taça da Liga que se avizinha, na próxima semana, em Leiria. Na meia-final, os Leões têm encontro marcado com o Vitória SC, esta terça-feira (20h00), no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa.

Na conversa conduzida pelo ex-jogador Afonso Figueiredo, o experiente futebolista brasileiro lançou o embate com o emblema de Guimarães, abordou o histórico do Sporting CP na prova e a importância desta competição a meio da temporada, entre outras questões.

Expectativas para o encontro com o Vitória SC
"Sabemos que é um jogo difícil, enfrentamo-los há pouco tempo [1-4 em Guimarães], mas sabemos que vai ser um jogo completamente diferente. A meia-final é uma decisão e vamos estar muito preparados para chegar, mais uma vez, à final."

O que distingue o Sporting CP das restantes equipas que chegaram à final-four?
"Desde que cheguei aqui tenho tido a honra e a felicidade de, em todas as temporadas, chegar à final-four. Tenho um título [em 2021/2022], dois 'vice' e noutra saímos na meia-final. Sabemos que os jogos são muito difíceis, que teremos de estar muito preparados e a equipa está numa fase muito boa, com confiança e isso vai ajudar-nos bastante."

Lidar com as emoções em jogos decisivos
"O grupo lida da melhor maneira possível. Todos querem jogar estes jogos, estas decisões e somos uma equipa habituada a isso, a lutar por títulos e a jogar grandes jogos. Vamos estar muito preparados."

Histórico Leonino na prova
"Como já disse, nestes últimos cinco anos atingimos sempre a final-four e isso ajuda-nos também. Dá-nos a tranquilidade de saber que chegamos preparados a estes momentos e vamos à procura do título custe o que custar. Tanto em termos emocionais como de pressão, todos os jogadores que estão aqui estão preparados para estar à altura da competição."

Final-four da Taça da Liga pode servir de impulso para o resto da temporada?
"Muito. Acho que é uma competição importante, porque é a meio da época e, ganhando, com certeza que dá uma confiança maior para o resto da temporada. É um título muito importante."

Importância da meia-final
"Temos tido muitos jogos importantes, tanto na UEFA Champions League como na Taça de Portugal ou na Liga, e nós vemos cada jogo como uma final. Este não vai ser diferente. Vamos com tudo, com vontade de vencer, como sempre, e com vontade de conquistar o título."

Significado de uma eventual conquista
"Representaria muito. Temos vários jogadores novos, que ainda não têm nenhum título e seria importante para eles. Eu já conquistei uma, mas quero ganhar outra. É de extrema importância, porque o Sporting CP é um clube gigantesco e tem de estar sempre a conquistar títulos."

Foto Isabel Silva

Recuperação para os titulares

Por Sporting CP
03 Jan, 2026

Leões já preparam a meia-final da Taça da Liga

A equipa principal de futebol do Sporting Clube de Portugal regressou esta manhã ao trabalho na Academia Cristiano Ronaldo. Como habitual, os titulares na partida em Barcelos realizaram o necessário trabalho de recuperação, enquanto os restantes elementos do plantel treinaram normalmente no relvado, já com o foco nas meias-finais da Taça da Liga.

Os comandados de Rui Borges voltam a treinar na manhã de domingo, novamente em Alcochete, para preparar o duelo com o Vitória SC, agendado para a próxima terça-feira, Dia de Reis, às 20h00.

Foto José Lorvão

Bilhetes esgotados para a meia-final da Taça da Liga

Por Sporting CP
02 Jan, 2026

Leões enfrentam o Vitória SC em Leiria na terça-feira

O Sporting Clube de Portugal informa que já não existem bilhetes disponíveis para o jogo da equipa principal de futebol diante do Vitória SC, relativo à meia-final da Taça da Liga.

Os Sportinguistas garantem apoio máximo aos Bicampeões Nacionais no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, onde estará um lugar na final em jogo.

A partida está agendada para terça-feira, 6 de Janeiro, às 20h00, em Leiria.

Foto José Lorvão

Rui Borges: "Saímos penalizados pelo que foi a parte final do jogo"

Por Sporting CP
02 Jan, 2026

Treinador analisou empate em conferência de imprensa

Após o empate em Barcelos (1-1) a abrir o ano, Rui Borges, treinador do Sporting CP, fez o rescaldo do duelo com o Gil Vicente FC em conferência de imprensa.

Análise global do jogo
“Acaba por ser subjectivo, são os ‘ses’, mas sim, podíamos ter feito o 0-2 para ‘matar’ um pouco o jogo e não deixar o Gil Vicente FC crescer. Entramos muito bem na segunda parte e na primeira parte controlámos o jogo. O Gil Vicente FC tentou transições e bolas paradas, onde nos criaram mais perigo, e nós conseguimos quebrar a pressão adversária, mas faltou-nos alguma qualidade. Chegámos ao golo num ataque à profundidade que devíamos ter tentado mais vezes e, depois, na segunda parte entrámos muito bem, mas a partir dos 20 minutos deixámos o jogo ‘partir’ e o Gil Vicente FC entrou em contra-ataques, naquilo em que são perigosos. Não fizemos o 0-2, a expulsão condiciona, tentámos ajustar e nem tempo tivemos, porque acabámos por sofrer o empate. Depois, foi mais com o ‘coração’ para as duas equipas.”

Sobre a exibição feita em Barcelos
“Tivemos 64% de posse de bola, tivemos qualidade na primeira construção, mas faltou-nos mais qualidade no último terço. Mais até na primeira parte, porque na segunda entrámos muito bem e fomos fortíssimos. Depois, devíamos ter instalado e desgastado mais o Gil Vicente FC, mas perdemos bolas e deixámos o Gil Vicente FC entrar em contra-ataques, mas o perigo do adversário até foi mais em bolas paradas. Não vamos definir sempre bem, mas a equipa esteve proactiva.”

Soluções para contrariar a forma como o adversário fechou os caminhos por dentro
“O importante era quebrar a primeira pressão e instalar-nos no meio-campo adversário para obrigá-los a estar mais longe da nossa baliza. Podíamos ter variado mais com bolas mais longas e não rasteiras e a passar por muitos jogadores. Faltou-nos isso mais na primeira parte, mais do que a velocidade. A primeira parte foi menos dinâmica, a segunda melhor, mas dentro do que foi pedido a equipa fez um bom jogo. Saímos penalizados pelo que foi a parte final do jogo.”

As muitas ausências tiveram impacto?
“Não serve de desculpa. Podíamos ter feito o 0-2 e estaríamos aqui a falar de outra coisa, mas não fomos capazes. Deixámos uma equipa que está a fazer um belíssimo Campeonato acreditar até ao fim, no seu estádio, a expulsão condicionou e fez com o adversário acreditasse ainda mais. Não me vou lamentar pelas ausências. Quero ter toda a gente, como é lógico, era importante, mas a equipa bateu-se bem e teve qualidade. (…) Não adianta pensar em quem não está. Já estou a pensar no jogo com o Vitória SC para a Taça da Liga, porque não tenho o Inácio [expulso] e não temos centrais. É o que é, jogamos com 11 e vamos ser competitivos e manter a qualidade, com certeza.”

Efeito do empate nas contas do topo da tabela
“No ano passado tivemos oito pontos de vantagem e passámos para o segundo lugar. Falta muito Campeonato e estamos apenas focados no que podemos controlar e fazer.”

Pontos perdidos na recta final dos jogos com SC Braga e Gil Vicente FC
“São dois jogos específicos. Aqui estávamos com dez e o Gil Vicente FC, naqueles minutos a seguir, cresceu teve mérito em chegar [ao empate] enquanto nos organizávamos. Com o SC Braga foi um penálti, um lance na área. Acabámos por sair penalizados, mas o jogo é isto.”

Foto José Lorvão

Recta final precipitou empate em Barcelos

Por Sporting CP
02 Jan, 2026

Golo sofrido perto do fim após expulsão provocou deslize (1-1)

No primeiro jogo em 2026, a equipa principal de futebol do Sporting CP deslocou-se a Barcelos e empatou 1-1 com o Gil Vicente FC, esta sexta-feira à noite, no jogo que inaugurou a 17.ª jornada da Liga, a última da primeira volta.

Depois de terem desbloqueado um jogo que estava difícil - mas fechado - na primeira parte com um golo de Luis Suárez mesmo em cima do intervalo, os Bicampeões Nacionais podiam ter dilatado a vantagem no arranque do segundo tempo, tal foi o caudal ofensivo gerado, mas faltou eficácia e isso acabou por custar caro. A réplica gilista, principal revelação do presente Campeonato, tornou-se ameaçadora de forma crescente e após a expulsão de Gonçalo Inácio (79’) resultou mesmo no empate (87’) que penalizou o Sporting CP abrir o novo ano.

Assim, os Leões de Rui Borges fecharam a primeira volta da prova no segundo lugar com 42 pontos e nesta jornada ainda podem ver o FC Porto (46) distanciar-se na frente e o SL Benfica encurtar distâncias (36).

Pela frente, no Estádio Cidade de Barcelos, esteve um Gil Vicente FC que ocupa um surpreendente quarto lugar (28 pontos) e que embora não vença desde o início de Novembro, vinha de quatro empates consecutivos - agora cinco. Os Leões de Rui Borges, por seu turno, apresentaram-se a jogo com o mesmo ‘onze’ inicial anterior (4-0 Rio Ave FC), mas com as duas laterais renovadas: à direita, Iván Fresneda regressou após suspensão e recuperou a titularidade a Georgios Vagiannidis e, à esquerda, Matheus Reis ficou com a vaga deixada por Ricardo Mangas, que engrossou - junto a Salvador Blopa – a já extensa lista de ausências Leoninas.

Logo no arranque da partida, os muitos Sportinguistas presentes nas bancadas fizeram por impor as suas vozes no apoio e, no relvado, a equipa verde e branca também não tardou em assumir o protagonismo, monopolizando a posse de bola. Só que o primeiro sinal de perigo no jogo até foi uma ‘bicada’ dos galos de César Peixoto: um repentino pontapé de bicicleta de Gustavo Varela obrigou Rui Silva a esticar-se e sacudir para canto.

O lance acordou de imediato os Leões, que no instante seguinte também ficaram perto do golo, mas Fotis Ioannidis, em elevação na área, cabeceou por cima. Apesar disso, o duelo reequilibrou-se por mérito da organização e intensidade gilistas, que foram dificultando a tarefa ao Sporting CP, até então sem acutilância, nem acerto, para ‘furar’ a quarta melhor defesa da Liga - apenas 11 golos sofridos, dos quais apenas cinco em casa.

Sob essa toada, oportunidades de golo já somente muito perto do fim da primeira parte, a qual não podia ter acabado melhor para os comandados de Rui Borges. Junto à linha de meio-campo, Eduardo Quaresma arriscou um passe vertical e, de forma magistral, abriu caminho para Luis Suárez aparecer isolado na cara de Andrew Ventura e o colombiano, com uma finalização pelo meio das pernas do guardião, inaugurou o marcador em Barcelos mesmo em cima dos 45 minutos e naquele foi o primeiro remate enquadrado do Sporting CP no jogo. A nível individual, atingidos os 15 golos no Campeonato, o avançado dos Leões isolou-se como máximo artilheiro – leva 19 para todas as competições.

Antes disso, do outro lado, Tidjany Touré até tinha aproveitado uma ‘sobra’ num livre para, na área, atirar forte para nova defesa de Rui Silva. O Sporting CP foi, assim, a vencer para o segundo tempo, mas levou também uma má notícia: o capitão Morten Hjulmand viu um cartão amarelo, o quinto na Liga e, por isso, será baixa garantida na próxima jornada - tal como Maxi Araújo, que viu o amarelo na segunda parte.

E a segunda parte, que foi bem mais agitada, abriu também com os Leões de mira na baliza adversária e desta vez de forma absolutamente frenética, mas sem resultar num justificado 0-2. Mérito, sobretudo do guarda-redes Andrew Ventura, que depois de agarrar dois pontapés bem direccionados de Maxi Araújo e Francisco Trincão ainda negou - com o pé - um golo ‘cantado’ a Luis Suárez, responsável por concluir um lance de superioridade numérica. Pouco antes, o colombiano ainda rematou rasteiro e cruzado com a bola a sair ligeiramente ao lado do poste.

Ficou por dar uma ‘dentada’ de Leão na partida e, a esta ‘mão’ cheia de oportunidades em menos de dez minutos, o Gil Vicente FC - mais capaz a transitar - soube dar uma réplica afirmativa, especialmente quando avistou o empate com um cabeceamento de Touré. Rui Silva, muito seguro, respondeu outra vez a grande nível entre os postes.

O jogo no Estádio Cidade de Barcelos ficou incerto e, por isso, cada vez mais perigoso, especialmente a cada bola gilista colocada - uma constante - na área verde e branca.

E tudo ficou mais complicado à entrada para os derradeiros dez minutos, quando o Sporting CP ficou reduzido a dez jogadores por expulsão de Gonçalo Inácio – o árbitro entendeu que o central, como último homem, agarrou Varela à margem das leis e mostrou o vermelho directo. Rui Borges, que tinha lançado instantes antes Hidemasa Morita e Alisson Santos, teve de voltar a rearranjar a equipa e lançou Rômulo Jr, central recrutado à equipa B, em estreia absoluta na equipa principal.

Na cobrança do livre, com a bola a sofrer um desvio, ainda se cantou golo, embora esta tenha saído ligeiramente sobre a barra, mas a ameaça crescente acabou por confirmar-se aos 87 minutos. Depois de inúmeros cruzamentos tentados, o Gil Vicente FC foi feliz através dessa mesma fórmula, com Carlos Eduardo a fazer o empate de cabeça.

E os danos, logo a seguir, ainda podiam ter sido maiores, não fosse Rui Silva a agigantar-se para uma ‘mancha’ decisiva perante Joelson Fernandes, extremo ex-Sporting CP. Por sua vez, os Bicampeões Nacionais, apesar de tudo, ainda foram em busca de ripostar para vencer e tiveram a derradeira oportunidade num perigoso cabeceamento de Hjulmand na sequência de um canto, mas sem efeito e o deslize a fechar a primeira volta confirmou-se.

Agora, a próxima paragem dos Leões é Leiria para disputar a final-four da Taça da Liga. O Sporting CP enfrenta o Vitória SC na meia-final, agendada para a próxima terça-feira (20h00), dia 6 de Janeiro.

Sporting CP: Rui Silva [GR], Iván Fresneda, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Matheus Reis (Alisson Santos, 78’), Morten Hjulmand [C], João Simões (Hidemasa Morita, 78’), Maxi Araújo, Francisco Trincão, Fotis Ioannidis (Rômulo Jr, 84’), Luis Suárez

Foto Isabel Silva / José Lorvão

"Foi um ano de alegria, trabalho e, acima de tudo, muita felicidade"

Por Sporting CP
01 Jan, 2026

365 dias de Rui Borges no comando abordados em entrevista à Sporting TV

Foi apresentado como novo treinador da equipa principal de futebol do Sporting CP a 26 de Dezembro de 2024 e 56 jogos depois, com um título de Campeão Nacional e ainda uma Taça de Portugal conquistadas, Rui Borges já completou um ano no comando.

Nesta nova passagem de ano, o técnico transmontano falou em entrevista à Sporting TV, no balneário dos Leões no Estádio José Alvalade, para recuperar de forma detalhada os momentos mais marcantes de um 2025 inesquecível, mas também para dar conta do que continua a ser construído e ambicionado com o plantel Bicampeão Nacional que lidera.

Os últimos 12 meses resumidos numa palavra
"Felicidade, como é lógico. Foi um ano de alegria, trabalho e, acima de tudo, muita felicidade. Primeiro, porque faço o que mais amo num grande clube e, depois, por tudo o que foi a época e o ano em si. Só me preza dizer felicidade."

Esperava chegar tão cedo ao sucesso que alcançou?
"Nós, equipa técnica, acreditávamos muito, desde o primeiro dia, que um dia íamos conseguir concretizar o sonho de chegar a um grande clube e lutar por títulos. Talvez não acreditássemos que acontecesse tão rápido e tem sido tudo muito rápido nos últimos anos. Os passos em frente têm sido muito repentinos, mas são fruto do trabalho e da competência. Deixa-nos felizes e cada vez mais cientes de que o nosso trabalho é bem feito para lutar por mais sonhos e objectivos. O tempo passa rápido e quanto maior é a exigência do desafio faz com que o pouco tempo que passa pareça muito, porque a intensidade com que se vive o dia-a-dia é enorme."

Em 2025 desfrutou mais do Natal em família?
"Foi um Natal diferente, na época passada. Especial, feliz e vivido de forma muito diferente, porque não consegui saborear a única data de que gosto mesmo. É quando estou com toda a minha família. Nem eu, nem eles, conseguimos desfrutar da melhor maneira, apesar de estarem muito felizes por tudo o que estava a acontecer, mas foi um Natal diferente. Este ano já foi normal, mas também muito introspectivo, sentimental e de nostalgia por relembrar o ano que passou, ser treinador do Sporting CP e Campeão Nacional... O sentimento veio à 'flor' da pele, não posso mentir."

Um ano depois, "quando faltar inspiração que não falte atitude" continua a ser o desígnio mais importante deste balneário?
"Será sempre, não só do balneário como também da equipa técnica. Sou de uma região de muito trabalho, de acreditar muito nele e, por isso, a atitude tem de lá estar sempre, jamais pode faltar. Tem muito que ver com as minhas origens e com a minha personalidade e carácter. Acredito que quando se olha para o grupo sente-se isso: a atitude está lá. A equipa tem noção de que, tendo ganho bastante, cada vez vai ser mais difícil e, por isso, temos de dar sempre um upgrade na nossa qualidade e na nossa atitude. Temos de continuar à procura de ser cada vez melhores."

A estreia com vitória no dérbi (1-0 SL Benfica) e a capacidade para transformar um início complicado num ponto de partida para um grande resto de temporada
"Tem muito que ver com a minha mentalidade positiva. Lembro-me muito bem de estar com o presidente antes de assinar e eu dizia que [o dérbi] era o melhor jogo para eu entrar. De fora, podiam dizer que ia entrar um treinador novo, com dois dias para preparar um jogo grande, diziam que o Sporting CP não estava bem psicologicamente, mas a minha única vontade era estar aqui para ser mais um a ajudar o grupo. Foi nisso que nos focamos: em ajudar com a nossa personalidade e a nossa forma positiva de ser e de estar no dia-a-dia, e em pouco tempo transmitir [aos jogadores] que eram os melhores, porque eram os Campeões e, independentemente do adversário, que conseguiriam unir-se e fazer um grande jogo. A minha perspectiva era desfrutar do jogo, por estar no Sporting CP e por concretizar um sonho, independentemente do adversário. Era um jogo grande, claro, tem um peso maior, mas para mim era só desfrutar do alcançar de um objectivo."

A capacidade de adaptação táctica demonstrada em 2024/2025
"A época passada foi muito particular. Eu acreditava que o segundo treinador [da época], neste caso o João [Pereira], ia ter mais problemas se quisesse mudar as dinâmicas de há algum tempo. Nós, a seguir, acreditávamos que os jogadores iam estar mais receptivos, porque como estavam num momento menos positivo queriam mudar, e foram bastante receptivos. Nos primeiros jogos estivemos mais dentro da ideia da nossa equipa técnica, mas depois, com o desenrolar da época, as lesões e os contratempos que fomos tendo, entre todos - e alguns jogadores falaram disso no fim da época - houve muito falar, comunicar e entender. Sou muito disso, gosto de entender toda a gente, porque só assim conseguimos ter sucesso. Toda a gente é importante. Face a tudo o que aconteceu, a melhor forma foi tentar ir um pouco ao conforto, visto que já tínhamos alguma confiança dos jogadores, e estavam a ganhá-la com os resultados e, aqui ou ali, com mais qualidade nos jogos. Tentámos voltar um pouco ao que faziam, devido também às ausências, e mantê-los confiantes. Houve um bocado desses dois 'mundos', mas desde o primeiro dia que a receptividade do grupo foi fantástica e isso notou-se no fim da época."

O Sporting CP, hoje em dia, interpreta na perfeição a sua forma de ver o futebol?
"Sim, claramente que sim. É uma equipa que está à nossa imagem. Também é uma equipa que nos ajudou, enquanto treinadores, a procurar e entender como poderíamos ser melhores a treinar uma equipa grande, porque é diferente. Agora, os princípios da ideia estão nesta equipa, claramente. Fico feliz por ver a equipa cada vez mais dentro do que queremos e desejamos, mas temos sempre essa parte comunicativa. O futebol é isso cada vez mais, porque nós não somos ninguém sem os jogadores. Vamos buscar algumas particularidades individuais, colectivas, onde se sintam mais confortáveis e isso dá uma mobilidade e variabilidade à equipa que a torna melhor, mais capaz e isso tem sido demonstrado nos jogos que temos feito."

A alteração de peso na frente de ataque: a saída de Viktor Gyökeres e as entradas de Luis Suárez e Fotis Ioannidis
"O Viktor é um 'monstro' na sua posição e foi alguém que marcou uma época no Sporting CP e no campeonato português, claramente. Pelas suas particularidades individuais, decidia um jogo a qualquer momento. O Luis e o Ioannidis também o conseguem, mas o Viktor é muito específico e, a nível individual, tinha muita força na equipa e no campeonato. Agora, as características do Fotis e do Suárez, talvez estejam mais dentro daquilo que perspectivávamos para esta nova época, em termos de dinâmicas de equipa, mas com o Viktor também poderíamos ter isso. Era um jogador com um carácter muito bom, olhava para o grupo e treinava muito bem, tal como o Fotis e o Luis. Esta época, mais do que dar preponderância a um jogador apenas, dá-se preponderância a mais jogadores: o 'Pote' e o Trincão estão a fazer uma grande época, o Maxi também, bem como o Suárez e o Hjulmand, enquanto o Fotis está a aparecer. Acho que se têm valorizado mais individualidades pelo colectivo e isso deixa-me feliz."

Como se consegue a capacidade goleadora actual?
"Com a 'fome' que eles mostram todos os dias em querer ser melhores. Eles sabem que para voltarmos a ganhar será ainda mais difícil do que nas últimas duas épocas. Estamos sempre à procura de ser melhores, isso é notório no dia-a-dia, mas nos jogos também. É uma equipa que não se cansa de ganhar, que respeita os adversários e só por isso é que conseguimos ser o melhor ataque [da Liga]. Claro que não vamos estar sempre bem e ter a mesma regularidade durante 90 minutos, mas numa grande parte, sim. A seriedade está lá e a noção da dificuldade, sobretudo, está lá também e há uma ambição enorme de continuar a ganhar. Acho que para isso passa muito a nossa comunicação e liderança, mas sou um treinador feliz porque tenho um grande grupo de trabalho"

"Se não ganhámos esta Taça [da Liga], é porque está guardado algo melhor para nós". Lembrou-se dessa declaração quando festejou o Bicampeonato e a Taça de Portugal?
"Lembrei-me, porque foi algo dito com muita sinceridade e sentimento. Sou muito positivo. Tenho uma pessoa muito especial no meu avô, que já não está entre nós e com quem falo todos os dias, e esse foi um sentimento que parecia que ele me estava a dizer. Disse-o com um sorriso porque acreditava muito que íamos ser Campeões Nacionais, era o nosso objectivo e não ia haver nada, nem ninguém, que me ia fazer duvidar. Foi algo sentido e lembrado claramente quando vencemos."

Sentir o ambiente de um jogo no Estádio José Alvalade
"É maravilhoso, e ainda hoje tenho o mesmo sentimento. Se estiverem atentos, quando começam os jogos, olho em redor do estádio, porque mexe comigo. Sou muito sentimental e ver o nosso estádio cheio a cantar a nossa música é muito especial. Não há forma de o explicar."

Ouvir o hino da UEFA Champions League no banco de suplentes
"São momentos que vão ficar para sempre. Eu nasci para o futebol. O meu pai jogava e eu não tive outro brinquedo que não a bola, porque era o que me deixava feliz. Cresci a ver o meu pai jogar, a querer ser como ele, chegar a profissional, entrar no campeonato português e nas competições europeias, a selecção... Os sonhos de qualquer miúdo. Não consegui ser um grande jogador, mas é o desporto que amo. Um dos sonhos era poder estar na Liga dos Campeões, não pude como jogador e tive a oportunidade como treinador. É extraordinário alcançar mais um sonho de toda uma vida."

Levantar o troféu de Campeão Nacional
"Foi um sentimento de orgulho e o meu maior troféu é o orgulho dos meus, e assim vai ser sempre. Levantar o título fez-me acreditar que os meus estavam orgulhosos, felizes, por isso foi um orgulho."

Os festejos do título no Marquês de Pombal
"Indescritível. Acho que já disse isso várias vezes. Toda a gente devia passar pelo menos uma vez nessa festa. É algo único e que nem conseguimos ter a verdadeira noção do que se sente ao longo do caminho até ao Marquês ao ver pela televisão. No Marquês também, o mundo verde à nossa frente, o som em si, as músicas do Sporting CP... É único mesmo."

Disputar e ganhar uma final da Taça de Portugal no Jamor
"Para mim tem um sentimento muito próprio. Como não fui um grande jogador, cheguei à II Liga, mas como joguei em escalões inferiores, o sonho era jogar contra uma equipa grande, a Taça de Portugal. Esse sentimento foi, se calhar, o que esteve lá mais tempo e a cada época que passava, porque era a única forma de enfrentar os melhores e pisar os grandes palcos. O sonho da Taça sempre foi alimentado, por isso foi muito especial. Era claramente um sonho estar no Jamor e desfrutar da final. Tem muito que ver com o meu passado e de olhar para a Taça como algo único. Único no sentido da palavra, mas espero estar presente mais vezes (risos)."

Qual o discurso no balneário mais especial ao longo destes 56 jogos?
"Lembro-me de um ou outro. Ainda na Taça de Portugal, lembro-me do jogo com o Gil Vicente FC, em Barcelos, em que fizemos uma primeira parte horrível, provavelmente a pior que fizemos. Fui um bocadinho mais agressivo no sentido de espevitar a malta e, felizmente, conseguimos ultrapassar o Gil. Foi um dos que mais me marcou. Talvez, também, o do jogo na Luz e outro com o Gil, em casa, para o Campeonato, na antepenúltima jornada. Conseguimos o golo da vitória nos descontos e foi um discurso muito intenso da minha parte, e muito sincero, porque acreditava mesmo que aquele era o jogo do título. Não perguntem o porquê, mas sabia que ia ser difícil e disse à equipa que se ganhássemos íamos ser Campeões. Tinha esse sentimento e acreditava que íamos à Luz, pelo menos, fazer um resultado possível."

Continua a sentir que se deixasse de imediato de ser treinador de futebol, seria a pessoa mais feliz do mundo devido ao que já viveu e conquistou?
"Claramente que sim. Sou muito feliz por ter esta oportunidade e agradeço todos os dias pelo que a vida me tem proporcionado nestes 44 anos. Esta vida proporciona-nos muitas coisas, a mim e à minha família, porque tivemos a capacidade de conseguir acrescentar algo à História do Sporting CP e ser Campeão Nacional. Faço o que amo e conseguir, a nível nacional, alcançar os troféus maiores deixa-me muito feliz e concretizado. Se deixasse de ser treinador, olhava para os jogos de forma feliz."

Está convicto de que vai ser feliz no final desta época?
"Muito! Até porque o grupo transparece e demonstra isso. O objectivo tem estar lá, porque se não falássemos [do Tricampeonato] era sinal de que não estávamos tão ligados. Isso mostra a forma como estamos todos ligados num objectivo. Nós queremos muito e isso é claro. Queremos muito ficar na História do Sporting CP de forma ainda mais vincada."

Gestão do plantel em função das várias frentes em disputa
"Temos conseguido. Sou um treinador que acredita sempre em todos, mas eles também têm de dar resposta e têm-na dado. Todos têm tido oportunidades, têm correspondido muito bem e isso demonstra a força deste grupo, a amizade e a entreajuda que existe. É algo especial e diferente, sinto-o sempre na Academia, com todas as pessoas envolvidas no nosso dia-a-dia. Ninguém se acha melhor e todos sabem e sentem que são importantes, acreditam uns nos outros e revêem qualidades uns nos outros. Essa é a melhor forma de um grupo ser vencedor e por isso é que temos ganho tanto, e queremos continua a ganhar muito."

Sobre as contrariedades que têm assolado o grupo
"Olho para os contratempos de forma positiva. É a oportunidade de mudar algo, de dar oportunidades a outros, de acrescentar algo ao grupo, até para o futuro, e de o tornar mais forte. Enquanto líder, compete-me fazer acreditar que todos são importantes e que têm muita qualidade, por isso é que estão no Sporting CP e são Bicampeões."

E ter essa resposta da equipa, apesar das mudanças, é o sonho de qualquer treinador?
"Sim. É o melhor que pode acontecer: olhar e ver a equipa toda ligada e capaz. Mesmo quando falta alguém, para lá do que são a nível individual, acho que ainda dão mais um bocado para estar ao nível do colega que não está presente e jogam também por ele um pouco. Sente-se isso. É um grupo muito próprio."

A proximidade entre equipa técnica e jogadores
"Acho que, se calhar, é o meu maior atributo ou o que me trouxe para o Sporting CP, até tão rápido. E volto a dizer que ninguém consegue nada sozinho. Claro que o treinador pode ajudar os jogadores a acreditarem, a serem melhores técnica e tácticamente, mas o treinador precisa, primeiro, dos jogadores. Ponto. Para mim, isso é claro desde que comecei. Acredito muito em ouvir e não abdico do respeito. Eles sabem e brincam muito comigo, e eu com eles, mas o respeito está lá. Depois, quando a exigência é cem por cento séria, eles sabem que o respeito está lá. Sou muito de falar, ouvir, compreender, porque embora tenha de olhar para eles de forma igual, cada um tem a sua personalidade, um gosta de falar mais individualmente, outro gosta que lhe fale alto, um gosta que lhe dê um abraço, mas outro se calhar não tem tanto essa proximidade. Vamos conhecendo e adaptando para puxá-los ao máximo para o nosso lado, com sinceridade e sendo honesto. Estão ser humanos daquele lado e temos de compreendê-los. Quando comecei como treinador, tive a oportunidade de começar como adjunto e até em competições profissionais e não quis, porque achava que tinha personalidade para ser treinador principal. Cada um tem as suas particularidades."

O que é para si treinar bem?
"Tenho de perceber que a atitude diária está lá. O foco, a concentração, a exigência e, depois, o jogo também demonstra isso. Treinar bem, neste patamar, tem muito que ver com a concentração e ouvir o que é pedido para o jogo, porque não treinamos tanto. Quando é possível ter treinos mais dinâmicos e intensos, o grupo é excepcional. Todos querem jogar muito, todos demonstram ambição e vontade de ajudar."

Equilibrar a vida pessoal com o cargo de treinador do Sporting CP
"Tento muito ser equilibrado e ter tempo para mim, para respirar e para estar com a minha família, que infelizmente está longe. O meu filho joga e estuda, está longe, tenho a minha mulher perto, mas os meus pais e irmãs estão longe. Tento ser equilibrado no dia-a-dia. O treinador Rui Borges, entre as 7h00 e as 7h15, entra na Academia para treinar às 10h30. Tomo o pequeno-almoço lá e almoço lá. Depois, por norma, fico na Academia até às 16h30 ou 17h00 a falar com a equipa técnica. Também temos momentos divertidos e sou feliz porque tenho uma equipa técnica que me conhece muito bem e trabalha comigo há muito tempo, e estão bem cientes do trabalho de cada um. A competência não é minha, é de toda a equipa técnica. Há dias em que também vou almoçar a casa, mas tento equilibrar esses dois mundos, porque temos vida para lá do futebol e a família, para mim, é muito importante. Sou muito apegado aos meus pais, às minhas irmãs, ao meu filho e à minha mulher. Tento ser equilibrado até para aliviar o stress do dia-a-dia e da exigência de estar no futebol e no Sporting CP."

A forte ligação ao avô
"Deixa-me sentimental. Acredito que sim, que está orgulhoso. É uma pessoa muito especial e eu falo todos os dias com os meus avós, mesmo não os tendo presencialmente, infelizmente. O meu avô mostrou-me o que é dar valor às coisas. Não era de grandes posses e talvez por isso eu sou tão autêntico. Acredito que saio muito a ele. Pela sua forma de ser e de estar demonstrou-me o valor de pequenas coisas e não há nada que apague isso. Sou como sou também por isso. Antigamente as pessoas eram frias, mas comigo foi sempre um pouco diferente. Eu adoro romã, como todos os dias na Academia e ele, com um simples saco de romãs, demonstrava-me amor e carinho. Hoje tem esse significado para mim e lembro-me sempre dele. Quando somos mais velhos, cada vez temos mais a noção de que dizemos poucas vezes que amamos os nossos, e eu gostava de ter dito mais vezes ao meu avô que o amava. Nunca o disse muitas vezes, mas acredito que o demonstrei muito. Será sempre a minha pessoa especial. Ele era sapateiro, à antiga, e eu percebia o que era trabalhar a sério. Lembro-me bem do trabalho que ele tinha para fazer aquilo e, se calhar, para ganhar 500 escudos. O meu ser tem muito que ver com o meu avô."

O relógio que o acompanha sempre e o orgulho nas suas raízes transmontanas
"São pequenas coisas que me lembram de onde vim e de onde sou. A malta pega muito no 'Rui de Mirandela' e eu não faço questão de dizer muito isso, só quando cheguei, mas tenho muito orgulho de onde sou. A coisa boa é estar sempre ciente de onde venho e do que me custou chegar aqui. Custou-me, acreditei e trabalhei muito. Agora, é reconfortante entrar na minha cidade e ver o sentimento geral, independentemente das cores clubísticas, de que todos querem que o Sporting CP ganhe. Isso deixa-me feliz, porque é o reconhecimento dos meus, da minha terra e que de alguma forma estou a dignificar. Pela negativa, a única coisa que não gosto é quando vão muito para a parte pessoal e tento relativizar. Sempre me ensinaram que a melhor forma de responder é com silêncio e trabalho, e isso tem falado por mim e pela minha equipa técnica."

Novo 'mote' para 2026?
"É difícil (risos). São coisas que saem no momento, não é algo pensado. Acredito que sou muito verdadeiro e transparente naquilo que digo e faço, porque é aquilo que me vem ao pensamento. Foram frases sentidas e muito particulares. Que nunca falte a atitude competitiva, porque o jogo está mais dinâmico e exigente, mas também porque é algo que nos identifica. Queremos muito jogar bem, demonstrar que somos bons e o grupo está de parabéns nesse sentido. Que 2026 seja, nesse sentido, mais um ano de muito trabalho, de muita exigência e muita atitude."

Foto José Lorvão

Rui Borges: "Temos de olhar para o que somos"

Por Sporting CP
01 Jan, 2026

Sporting CP abre o novo ano frente ao Gil Vicente FC (sexta-feira, 18h45)

2026 arranca com os Leões de novo em acção. A equipa principal de futebol do Sporting CP desloca-se a Barcelos, esta sexta-feira (18h45), para enfrentar o Gil Vicente FC no jogo que inaugura a jornada 17 da Liga.

Na véspera deste primeiro encontro no novo ano e o último da primeira volta, Rui Borges, treinador dos Bicampeões Nacionais, lançou a partida em conferência de imprensa na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete.

Desejos para 2026
“Pedi saúde para mim e par aos meus, é a única coisa que peço sempre. O resto, a felicidade está nas pequenas coisas. Se tivermos os nossos do nosso lado e bem, está tudo bem. Quanto a Maio, isso é trabalho e, com saúde, vamos fazer tudo por isso.”

Adversário e sua abordagem em perspectiva
“É uma equipa que está a fazer um campeonato extraordinário, bateu o recorde pontual do clube e é muito organizada em todos os momentos do jogo. Tem dinâmicas relativamente identificáveis, mas que é muito intensa, principalmente em casa. Vai variando em termos de pressão, umas vezes mais alto e noutros com um bloco médio à espera do momento certo para pressionar, por isso acreditamos que vai variar um pouco o jogo por aí. Acredito que vá manter um bloco médio e com bola é objectiva e com jogadores fortes em 1v1. Tem avançados com características muito boas, médios dinâmicos e uma linha defensiva também forte fisicamente, por isso é uma equipa equilibrada e um jogo difícil. Temos de olhar para o que somos e o que conseguiremos fazer para ultrapassar um bom Gil Vicente FC.”

Possível saída de Pablo, o goleador do Gil Vicente FC, é uma boa notícia ou traz mais imprevisibilidade ao jogo?
“Para nós, equipa técnica, não muda nada. O Pablo voltou agora e tem jogado o Varela, portanto pode ser ele a jogar. São jogadores diferentes, mas com as suas qualidades. É uma equipa que sabe muito bem o que tem de fazer e nós estamos mais focados no seu colectivo. Teremos de estar super focados.”

Ponto de situação do boletim clínico
“O Salvador Blopa está de fora também, por lesão.”

Há a necessidade de ir ao mercado?
“Não, a minha necessidade é recuperar os que não podem dar o contributo e os da CAN. Se tiver toda a gente disponível, fico contente com o que tenho. Assim, temos mais soluções e recursos para o nosso jogo. (…) Se acrescentarmos alguém será sempre numa perspectiva de futuro e não pelas ausências de agora. Estou focado em que o plantel esteja todo motivado, que todos são importantes, todos vão ter oportunidades e têm de corresponder, e é o que tem acontecido.”

Três desejos a nível desportivo?
“Muito sinceramente, não sei responder a isso. Para já é continuar no Sporting CP, porque estou muito feliz aqui, o resto é trabalho. Queremos ficar na História do Sporting CP e lutar por tudo em que estamos inseridos. Sabemos que não vamos ganhar sempre, mas não é por isso que vamos deixar de ser uma grande equipa. O meu desejo é saúde para fazer o que mais gosto onde estou.”

Comparação entre Viktor Gyökeres e Luis Suárez
“São diferentes e dão coisas diferentes à equipa. O Viktor marcou a História do Sporting CP e do futebol português, e acredito que o Luis também vai marcar o seu trajecto no Clube e no nosso campeonato. Sou um sortudo por poder trabalhar com ambos e também com o Fotis. O Luis e o Fotis dão muitas coisas ao colectivo e às dinâmicas que queríamos e que têm mais que ver com a nossa equipa técnica.”

Qual a melhor equipa a jogar em Portugal?
“Para mim, a melhor é sempre a minha, os meus são sempre os melhores, nem que estivesse em 15.º ou 16.º. Em termos pontuais, a melhor equipa actualmente é o FC Porto, porque vai em primeiro [lugar]. Nunca tiro mérito a quem vai na frente e há que respeitar isso, mas eu olho sempre para a minha equipa como a melhor.”

Cuidados pedidos aos jogadores para a Passagem de Ano devido à intensa sequência de jogos que se aproxima
“Não pedi qualquer cuidado. Eles sabem da responsabilidade que têm, são jogadores profissionais e sabem o que podem ou não fazer. Sabem que amanhã temos um jogo importante para o nosso caminho e que vem aí um mês exigente a jogar de três em três dias. Será um mês e meio exigente em termos de jogos, com algumas baixas.”

Fazer uma inédita ‘dobradinha’ consecutiva é objectivo?
“O Sporting CP quer ganhar todos os troféus e disputar as finais. Depois, no fim, tudo será consequência do nosso trabalho e capacidade. Não estou focado em fazer duas ‘dobradinhas’, quero ganhar e ganhar o próximo jogo. Vai ser um jogo difícil e acredito que os nossos adeptos serão muito importantes.”

SL Benfica ainda na corrida ao título?
“Acho que é candidato. Na época passada, não tivemos dez, mas oito pontos para o segundo classificado e recuperaram. Falta muito jogo, há diferentes momentos da equipa e ainda falta muito ponto por disputar. No futebol já vi acontecer muita coisa. A margem de erro é menor, o FC Porto está a fazer uma grande primeira volta e nós temos de fazer a nossa parte e esperar pelo desenrolar da época.”

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