Diogo Santos e Bruno Maior são dois bons exemplos
Diogo Santos e Bruno Maior são bons exemplos de atletas que nasceram, cresceram e se fizeram homens no futsal do Sporting Clube de Portugal. Desde muito jovens vestem a camisola verde e branca de Leão ao peito, onde deram os primeiros passos na formação e, por isso, sabem como ninguém o que é começar debaixo e chegar ao topo da montanha de uma carreira feita de Sporting CP.
Aos meios de comunicação do Clube, Diogo Santos definiu o que é crescer na formação e chegar à equipa principal. “É ter muito trabalho, é ter os pés assentes na terra, mas acima de tudo poder aprender com os meus colegas. É um motivo de orgulho poder representar este clube e vir desde a formação acho que é ainda melhor, sabe ainda melhor e depois chegar à equipa A”.
Aprender com os melhores para estar agora entre os melhores, foi o trajecto percorrido por Diogo Santos. “Aprender com eles, ter jogadores como o Zicky e o Tomás [Paçó], como grandes referências, porque ídolos eram o que estavam na equipa A. Pude sonhar, sabendo que com bom trabalho feito da minha parte, poderia chegar à equipa A”. O que diferencia o que se faz no Sporting CP para os escalões de formação alimentarem a equipa A é uma receita com ingredientes simples. “Não há segredo, é acreditarem no trabalho de cada um, é ouvir, principalmente o que o Nuno Dias [treinador] tem para nos ensinar todos os dias. É não desistir nunca e lutarem pelos sonhos, como eu. Fiz. Felizmente estou nesta equipa e pretendo continuar”, disse Diogo Santos.
Bruno Maior destaca a capacidade que o Sporting CP tem em conseguir criar uma linha da produção de talentos de enorme qualidade a partir da formação, num modelo de trabalho muito coerente desde a base até ao topo. “O segredo do sucesso na formação de futsal do Sporting CP é muito o ADN que aqui se vive, desde o início da formação, os Benjamins, podemos começar a dizer por aí, trabalha-se da forma idêntica aos seniores, com o mesmo pensamento, que é ganhar, desfrutar, claro, e perceber onde estamos, o Clube, a grandeza do clube e esse é o maior segredo, para que todos os escalões da formação consigam lutar para ganhar algo”.
Bruno Maior inspira-se em vários jogadores, mas elegeu um ainda mais em particular. “O maior exemplo era o Erick [Mendonça], tem um estilo de jogo que eu aprecio e que de alguma maneira tentei seguir. Tento sempre olhar para todos, porque de cada um há sempre forma de aproveitar uma característica de jogador, mas no geral, diria o Erick”.
Cedo se evidenciou, num percurso que teve para o próprio mais reticências de que para o Clube, que foi bem mais peremptório nas certezas.
“Comecei num clube da minha terra, o CAD e as coisas começaram a correr-me bem lá, até que fui chamado ao Sporting CP. O meu primeiro ano foi o mais complicado, ao sair da ‘zona de conforto’, perto de casa e fui para uma realidade completamente diferente, era o clube onde sempre sonhei jogar. Os nervos começaram a aparecer, os medos e muitas vezes pensei em desistir, nessa altura. Acreditaram em mim, disseram que queriam ficar comigo na mesma, mais um ano e bastou dizerem que acreditavam em mim e mudou completamente. Começou a dar resultado”.
“Houve fases em que eu tive dificuldade para acreditar em mim e muitas vezes não sabia se conseguiria chegar a este patamar. Com o tempo mostraram [Sporting CP] que acreditavam no meu valor e comecei a sonhar cada vez mis alto. É passo a passo, não quero saltar etapas, mas com o tempo fui acreditando mais no que podia acontecer e esses casos [regressos de empréstimos] - e no Sporting CP há vários casos -, faz-nos acreditar que podemos lá chegar, que não é impossível e ter esse pormenor dá-nos vontade de trabalhar mais e se calhar, nos dias mais difíceis, não desistirmos”.
Diogo Santos e Bruno Maior tiveram empréstimos antes de se fixarem na primeira equipa e ambos estão gratos tanto ao Sporting CP, como aos clubes para onde foram ganhar ‘rodagem competitiva’, por uma escala que nunca encararam como m passo ao lado ou arás, mas como um passo em frente. “Apanhei o Tomás [Paçó] e o Zicky a subirem [ao plantel principal] mas sempre tive aquele pensamento de que raramente ficavam miúdos da formação na equipa A. Pensava sempre que não ia ficar, que seria um patamar que eu não iria atingir e que iria ser bastante difícil, mas ao longo do tempo, com a ajuda do Tomás [Paçó], do Zicky e até mesmo do Bernardo [Paçó], senti-me muito à vontade para fazer tudo, seja nos treinos, nos jogos e comecei a ter a percepção de que poderia ficar, com bom trabalho, na equipa”.
Diogo Santos recordou essa fase de reconfigurar a carreira, numa fase de crescimento desportivo. “Fez-me bem ter sido emprestado e ter seguido novos rumos, novos caminhos. Se não tivesse ido para fora, ou tivesse sido emprestado a outra equipa, não tinha dado ‘o salto’ que dei e ter ganho a experiência que ganhei ajudou-me bastante. Fez-me crescer sobretudo como homem. Fui para outro país, longe da minha família, dos meus amigos, de tudo, a arriscar na minha carreira. Tive de aprender tudo do zero, mas coreu bem e estou muito orgulhoso do meu trabalho e desse rumo que tive. Lembro-me como aconteceu. Estávamos a ter pré-época, o Nuno [Dias] veio ter comigo e disse-me que naquele ano, estava a aparecer mais, mas não ia ter os minutos de jogo que eu gostava. Agarrei a oportunidade, meti na cabeça que ia dar um ‘salto’ enorme e que ia aproveitar essa experiência ao máximo”.

Bruno Maior também viu o empréstimo como oportunidade e encarou na lógica de que o Sporting CP estava a abrir caminho para uma incorporação no plantel Leonino num futuro que seria próximo. “Podemos ver na carreira do Erick, de vários outros, que quando estavam emprestados, o Sporting CP mostrou que se trabalharmos bem, consegue-se voltar e é um pouco isso. Quando vamos para o Sporting CP nós sabemos que com trabalho e dedicação podemos sempre voltar e fixarmo-nos na equipa principal e acho que é esse acreditar que o Sporting CP nos dá que nos faz sonhar alto e faz-nos trabalhar para conseguirmos”.
Ao ser chamado várias vezes à equipa principal e ainda com idade de atleta de formação, Bruno Maior sentiu no Sporting CP que não há ilusões, mas aproximações cada vez maiores a uma realidade sonhada. “Senti que estava cada vez mais perto. Acho que essa falta de confiança da minha parte levou ao empréstimo, que para mim foi o melhor que aconteceu na carreira. Acho que o mister Nuno Dias acreditava mais em mim do que eu em mim e acho que foi esse pormenor, que é um grande pormenor, que me faltou para ficar logo no plantel sénior e fixar-me. Não saltei etapas, fiz o meu percurso e hoje estou aqui, graças a Deus e ao meu trabalho”.
O percurso não foi sempre linear, mas acabou por nos obstáculos ajudar Bruno Maior a tornar-se… Maior. “Houve uma fase em que ia muitas vezes aos seniores, depois já não ia tantas vezes ou em que se começou a falar no empréstimo, pensei [se ia dar], mas se calhar foi essa altura que me deu um ‘clique’ de que as coisas não acontecem naturalmente, é preciso trabalhar muito para que aconteça. Foi esse ‘mindset’ que me fez mudar muito e hoje sinto-me mais preparado para conseguir dar passos que se calhar, há uns anos, não sentia que ia ser capaz”.
E, voltar ao Sporting CP, permitiu fazer a retrospectiva do que ficou para trás e que só o fez andar para a frente. “Senti quando regressei ao Sporting CP que precisei mesmo daquele empréstimo, porque me fez ver as coisas de outra forma e fez-me dar o ‘clique’ de que as coisas não acontecem naturalmente, é preciso trabalhar para as conquistar. Sempre fui um jogador trabalhador, mas às vezes o que fazemos não basta e temos de fazer mais ainda, os pequenos pormenores e foi isso que fez a diferença. Agradeço, porque sei que quem me emprestou acreditava que eu ia conseguir regressar e hoje-em-dia sei que que foi um passo gigante na minha careira para agora me sentir muito preparado”.
Diogo Santos recuou no tempo e lembrou o que de óptimo tem a formação de futsal do Sporting CP. “O melhor no tempo da formação foram as amizades, o à-vontade que tínhamos para jogar, não tínhamos tanta pressão, Divertíamo-nos muito, porque hoje-em-dia há sempre aquela pressão. Há a felicidade, mas há sempre aquela pressão, então diria que nesses tempos divertia mais a jogar”, evocando como tudo começou. “Eu estava num outro clube, fui chamado para fazer captações, felizmente fiquei. Foi complicado, mas deu para ficar. Twnho ficado sempre no Sporting CP, nunca quis ‘abandonar o barco’, é o clube do meu coração. Tive sempre de trabalhar para chegar onde estou hoje-em-dia, mas foram anos difíceis”.
Depois de anos na formação, ir para Espanha, como emprestado, tem saldo muito positivo para o ala, Diogo Santos. “Quatro meses em Espanha foram importantes para o início da consolidação. “Claramente. Sinto que ainda posso dar mais à equipa, que posso evoluir bastante mais, mas certamente os quatro meses que estive em Espanha fizeram-me um novo homem, um novo jogador, mas quero continuar a trabalhar, dar mais e mostrar aos Sportinguistas que posso dar mais”.
O ala entende que o futsal de formação do Sporting CP está com muito fôlego e tem futuro verde e branco para continuar a prosperar. “As gerações têm evoluído cada vez mais, porque têm vindo aos seniores cada vez mais novos. Têm vindo treinar com a equipa A e isso fá-los crescer imenso e tem um à-vontade com a bola nos pés e até mesmo tacticamente. Certamente que as gerações mais novas têm bastante qualidade”.
Bruno Maior alinha pelo mesmo registo do companheiro e amigo, a quem trata como se fosse um ‘irmão’. “Uma das partes boas de jogar no Sporting CP é que estamos constantemente com boas gerações. A nossa geração é um exemplo disso, conseguimos conquistar o que havia para conquistar naquela altura e nós todos vamos ser gratos ao Sporting CP, porque nos trouxe estas facetas de sermos competitivos, trabalhadores. Tenho a certeza de eu todos nós éramos miúdos trabalhadores, que somos. O Sporting CP deu-nos isso e ainda nos dá. Quando vemos esse ADN, aquele ‘sangue’, é fácil de se espalhar e acho que isso é um segredo. Neste desporto, normalmente quem tem mais sangue e mais vontade, normalmente e quem consegue conquistar”.

Bruo Maior falou de várias virtudes do futsal Leonino e agora do ambiente na equipa principal Leonina da modalidade. “Foi muito fácil a minha integração, quando voltei já sentia que fazia parte desta família, por isso não foi uma adaptação difícil e nota-se que todos lutam para que cada um de nós tenha sucesso. Vão à nossa procura quando sabem que estamos em baixo, quando um treino não corre bem, se não somos convocados, vão procurar, falar, explicar que é uma etapa que tem de se passar e por isso mesmo e que sabe bem-estar no Sporting CP, nota-se que é uma família, cada um puxa pelos outros e não há egos. Foi o que senti desde a primeira vez em que entrei nos seniores e até agora”.
Para a UEFA Futsal Champions League, expectativa e vontade de levar bem longe o nome do Sporting CP são as coordenadas indicadas por ambos os jogadores. “Adoro nestas competições sentir este nervoso e esta ansiedade, porque sei que depois dentro do campo me vai transformar de uma forma que eu gosto. Hoje em dia sinto vontade de jogar e neste palco é impossível não querer entrar dentro do campo e dar o máximo, o que for preciso. O meu maior sonho é ser campeão da UEFA Futsal Champions League pelo Sporting CP e vamos fazer tudo para o tornar possível. Ao longo do tempo tenho conseguido conquistar muitos sonhos e colocar a minha fasquia de desejos mais para cima e este é mais um passo na minha carreira”, disse Bruno Maior.
O que o Sporting CP pode fazer nesta prova tem para Bruno Maior resposta célere. “É jogar à Sporting CP, é entrar em campo sem dar margem, mostrar para o que viemos, mostrar do que somos feitos, mostrar o nosso trabalho diariamente, porque não tenho dúvidas de que temos uma fome grande. Uma equipa cm esta vontade de conquistar, é mais fácil”. Diogo Santos também olha para a UEFA Futsal Champions League, com muita ambição. “Vamos dar tudo por tudo, mostrar que somos a equipa que os Sportinguistas sempre conheceram”.