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Futsal

Foto João Pedro Morais

João Matos: "Temos de estar extremamente orgulhosos por sermos o melhor clube europeu"

Por Sporting CP
10 Jul, 2026

Futsal venceu a Supertaça e a Liga dos Campeões

O futsal contribuiu com dois títulos para a época com mais troféus das modalidades do Sporting Clube de Portugal. A equipa orientada por Nuno Dias venceu a Supertaça e a Liga dos Campeões.

Os Leões conquistaram a Supertaça no arranque da temporada, depois de vencerem o SL Benfica por 6-1, em Gondomar, e a Liga dos Campeões em Maio, em Pesaro (Itália), após levarem a melhor (2-0) sobre o Palma Futsal, bicampeão em título.

João Matos, em época de despedida, ficou satisfeito com as duas conquistas, mas, naturalmente, lamentou a não conquista do Campeonato Nacional, um título que os Leões queriam muito reconquistar.

Ainda assim, o capitão verde e branco, que se despediu do Sporting CP no final da temporada após mais de 40 títulos conquistados, fez um balanço positivo de 2025/2026 e enalteceu, sobretudo, a época histórica das modalidades Leoninas.

2025/2026 acabou com dois títulos. Como foi esta temporada?
Foi uma época exigente, dura e aquém daquilo que conseguiamos fazer pela qualidade, trabalho e dedicação que impusemos ao longo da época. Vencemos dois troféus, mas, sem dúvida, merecíamos mais porque fizemos muito por isso. Por isso, há que reflectir e trabalhar sobre aquilo que foi feito, de forma a que, na próxima época, os meus colegas consigam dar mais troféus ao Sporting CP. Ainda assim, não deixou de ser uma época em que ganhámos às melhores equipas da Europa e em que conquistámos o melhor título que há para conquistar a nível de clubes. Obviamente que foi extraordinário conquistar pela terceira vez a Liga dos Campeões.

A Supertaça foi o primeiro troféu conquistado e com um resultado expressivo frente ao SL Benfica. O que recorda desse título?
Conquistar a Supertaça é sempre uma excelente forma de começar a época. Depois de uma pré-época extremamente dura, essa conquista acaba sempre por ser a cereja no topo do bolo no que diz respeito àquilo que fizemos no mês anterior em termos de preparação. Fizemos um grande jogo e o resultado foi extraordinário.

E da conquista da Liga dos Campeões?
A Liga dos Campeões foi, obviamente, uma conquista muito especial. Foi a terceira do Clube e conquistámo-la frente a uma equipa (Palma Futsal) contra a qual tínhamos sede de vingança por causa do que tinha acontecido na última final. Além disso, fizemos uma caminhada incrível face a quem defrontámos, quem vencemos e da forma como vencemos. Acabou até por ser uma conquista mais especial por causa disso. Foi a primeira vez que a prova se disputou neste novo formato, eliminámos os campeões de muitos países e vencemos o Campeão Europeu em título. A meu ver, tudo isso acabou por dar ainda mais valor a uma conquista que, por si só, já é muito grande. E, como disse, foi a terceira do Sporting CP, que é o único clube português que tem três.

Esse foi o melhor momento da época?
Foi, sem dúvida. A Liga dos Campeões é uma prova super importante para todos os jogadores e nós tínhamos a ambição de a voltar a conquistar. O plantel queria muito ganhá-la e, depois de tudo o que passámos na época até chegar àquela decisão, a forma como a ganhámos — jogando bem, com boas energias e com um grande sentimento — foi muito bom. Foi extraordinário.

E o mais difícil, qual foi?
Além de termos sido eliminados pelos Leões de Porto Salvo nos quartos-de-final da Taça da Liga — quando estávamos a passar um bom momento e era mais um troféu que queríamos conquistar —, foi perdermos o Campeonato Nacional. O Sporting CP já não tinha sido campeão na época anterior e queríamos muito reconquistar esse troféu. Foi um momento duro, sobretudo pelo que fizemos nos cinco jogos. Na minha opinião, merecíamos ter ganhado algum dos jogos fora; principalmente o primeiro e no terceiro tivemos a vitória na mão.

Apesar disso, e de se esperar sempre mais do futsal pelo palmarés dos últimos anos, o sentimento é de dever cumprido ou ficou a mágoa por não terem conseguido mais?
Ficou a mágoa de não conquistarmos mais nenhum troféu, logicamente. Nos últimos anos ganhámos muitas vezes e a sensação de toda a gente é de que o futsal vai sempre conquistar os troféus. Por isso, acaba por ser pouco ter conquistado só dois em cinco, mas não deixamos de ser Campeões da Europa. Isso, naturalmente, não apazigua a perda de três troféus internos, mas acho que temos de estar extremamente orgulhosos por sermos o melhor clube europeu. O desporto é mesmo isto: não se consegue ganhar sempre, mas lutamos sempre para ganhar.

O certo é que, mesmo assim, acabou por ser a época com mais títulos das modalidades do Sporting CP. O que significa para si fazer parte de uma temporada assim?
É óptimo. É incrível o que tem acontecido nas outras modalidades porque se sente, claramente, um ambiente e um fervor enorme mesmo por parte dos adeptos em todas as modalidades, e isso é bonito de se ver. É bom ver que os adeptos têm gosto em vir ao Pavilhão ver as modalidades e que sentem que todas podem conquistar qualquer título. Isso é extraordinário. E, se escrevi muitas páginas bonitas colectivamente, pertencer ao leque daqueles que fizeram parte da época com mais títulos nas modalidades do Sporting CP também é bonito.

Para finalizar, o que dizer aos Sportinguistas depois de mais uma temporada em que estiveram sempre lado a lado?
O que lhes quero dizer é obrigado porque, de facto, jogámos sempre em casa. Estiveram sempre connosco. Aproveito também para deixar uma mensagem de agradecimento a todos os atletas e ao staff de todas as outras modalidades pelo trabalho extraordinário que fizeram e por terem conseguido galvanizar ainda mais o adepto Sportinguista. É bom ver o Pavilhão João Rocha bem composto, ver que os adeptos nos ajudam e que são, sem dúvida, parte do sucesso.

Foto UEFA

Leões já conhecem adversários na UEFA Futsal Champions League

Por Sporting CP
08 Jul, 2026

Ronda Principal disputa-se entre 27 de Outubro e 1 de Novembro

O Sporting Clube de Portugal já conhece os adversários da Ronda Principal da UEFA Futsal Champions League em 2026/2027. O sorteio, realizado esta quarta-feira, ditou que os Leões integrarão o Grupo 3, onde vão medir forças com o Etoile Lavalloise (França), o MNK Olmissum (Croácia) e o FC Stalitsa Minsk (Bielorrússia).

Os actuais campeões europeus vão iniciar a defesa do título em Omiš, na Croácia, entre os dias 27 de Outubro e 1 de Novembro de 2026, com as datas dos encontros ainda por confirmar. Os três primeiros classificados do grupo garantirão o apuramento para a fase seguinte da principal competição europeia de clubes de futsal.

Foto Isabel Silva, Sporting CP

"Consegui conquistar tudo, aqui, por isso fui bem-sucedido"

Por Sporting CP
04 Jul, 2026

Sete temporadas de Pauleta em retrospectiva em discurso directo

Com o fim de uma história conjunta chega o seu balanço, e é isso que faz Pauleta na segunda parte da sua entrevista de despedida, depois de na primeira se ter debruçado, principalmente, sobre as emoções e os momentos da sua última época.

Sempre sorridente, o ala de 32 anos recordou como arrancou o seu percurso no Sporting CP em 2019, então como uma das revelações do Campeonato, e como foi imbuir-se na mentalidade vencedora dos Leões até ficar eternizado como um dos Tetracampeões Nacionais - feito singular no futsal nacional - entre tantos outros troféus alcançados.

O veloz esquerdino reconhece que "foi muito graças ao Sporting CP" que se tornou no jogador que é, algo que deve em grande parte a Nuno Dias e respectiva equipa técnica, considerando-os "ponto fulcral" nas conquistas, mas sobretudo na ambição sem limites dos Leões ao longo dos anos. Por tudo isso, Pauleta fez questão de deixar-lhes uma sentida e final mensagem de despedida.

 

Quando olha para trás acha que já tem a noção clara de que fez parte de algo realmente especial, isto é, de uma equipa que conseguiu um domínio sem igual a nível nacional e venceu títulos europeus, além do ambiente existente no grupo?
Tenho noção disso, mas acho que vou ter uma noção melhor quando sair. Já falei sobre isso com jogadores que saíram daqui e dizem-me isso: "só vais dar valor mesmo quando saíres". Enquanto estamos aqui e ganhamos podemos sentir que é 'mais uma', entre aspas, ficamos habituados, mas acho que só ao sair é que vou ter noção de tudo. 
Já parei para pensar nisso, claro, até porque quando vim para cá olhava para o Sporting CP como uma equipa muito forte, que ganhava sempre. Agora, eu já ganhei aqui e, por isso, quando sair é que vou dar valor de verdade a todas as conquistas. 

Vamos, então, ao seu início: a sua chegada ao Clube em 2019. Com que expectativas chegou ao então, pela primeira vez, Campeão Europeu em título?
Cheguei para ser mais um a tentar ajudar. Sabia que não ia ser fácil, porque havia aqui alguns dos melhores jogadores do mundo, mas também sabia das minhas qualidades. Além disso, os jogadores que faziam parte do 'núcleo duro' ajudaram-me a integrar-me da melhor forma.

"Quando sair é que vou dar valor de verdade a todas as conquistas"

 

E agora, que está de saída, diria que cumpriu essas expectativas iniciais?
Foram cumpridas, acho que sim. Consegui conquistar tudo aqui, no Sporting CP, por isso fui bem-sucedido. E não foi só uma vez, foram duas ou mais, nalguns casos.

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Ao mesmo tempo, esse Sporting CP de 2019/2020 vinha de perder o título de Campeão para o SL Benfica depois de um Tricampeonato. Lembra-se da mentalidade que havia nessa equipa para a nova época?
A mentalidade era ganhar. Como disse várias vezes ao longo dos anos, estamos aqui para ganhar tudo, seja qual for a competição ou o jogo. Os jogadores e os treinadores deixaram isso bem claro logo no início.

"Cheguei para ser mais um a tentar ajudar"

 

E, para si, como foi dar esse ‘salto’ também a nível mental, vindo da AD Fundão, para uma equipa que lutava por todos os títulos?
Acho que foi fácil, porque todos os jogadores jogam para ganhar, mas aqui é mais fácil fazê-lo. Eu, por exemplo, nunca tinha ganho nenhum troféu e lembro-me que ganhámos logo a Supertaça [2019].

Essa sua primeira época acabaria cancelada pela pandemia, mas a 'fome' da equipa acabaria por torná-la avassaladora e seguiram-se épocas com 'pleno' de títulos, um inédito Tetracampeonato, a sua primeira Champions... Como é que se mantêm esses níveis de ambição e de consistência?
É nos treinos, e o [Nuno] Dias é o primeiro responsável, porque não deixa nenhum jogador descansado. Podíamos ter ganho alguma coisa, mas, logo no treino a seguir, a primeira reunião com a equipa técnica é assim: "Já passou, é passado e temos já outro jogo para ganhar". Temos essa pressão, mas é uma pressão boa e da que gostamos. Fui sempre habituado a isto.

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O Pauleta foi parte activa no Tetracampeonato - algo nunca antes feito no futsal nacional - e deixou a sua marca de forma recorrente com golos em vários jogos das finais, em especial no de 2022/2023. Para si foi o mais marcante dessa série de títulos?
[Pára para pensar] Talvez, sim, fui o melhor jogador das finais. [Essa distinção] Está lá em casa num armário (risos). Mas todas as conquistas são importantes, para mim. Festejar todos juntos, em equipa, é o que levo.

"[Sobre a dinâmica de vitória atingida] Nuno Dias é o primeiro responsável, porque não deixa nenhum jogador descansado (…) Com ele é sempre mais, mais, mais"

 

Foram anos de muitos títulos, sem dúvida, mas acredito que tenham sido de muita aprendizagem, também. São Pauletas muito diferentes aquele que entrou aqui e, agora, aquele que sai?
Claro que sim. Cheguei aqui como se fosse uma criança e saio um homem. Melhorei tacticamente, aprendi muito, chorei, sorri... Saio totalmente diferente.

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Por outro lado, um aspecto que foi constante, diria, foi a forma como na quadra sempre se destacou a levar a equipa para a frente com a sua velocidade. O míster Nuno Dias alguma vez tentou pôr-lhe mais 'travão' nisso?
Queria mais, mais, sempre. Com o Dias é sempre mais, mais, mais. Incentivou-me sempre a ir para a frente.

Chegou aqui como uma das revelações do Campeonato e é no Sporting CP que se torna um habitual nas opções da selecção nacional, onde acaba por ganhar um Mundial (2021) e um Europeu (2022). O que é que isso diz da sua evolução e da importância do Sporting CP na sua carreira?
Foi muito graças ao Sporting CP que me tornei o jogador que sou. Mais uma vez, muito graças à equipa técnica, porque sem eles e sem jogar não iria à selecção. Por isso, foi também graças a eles que consegui chegar a esses títulos por Portugal.

E como foi trabalhar diariamente às ordens dessa equipa técnica?
Ele [Nuno Dias] diz que chamarem-lhe chato é um elogio. É a pessoa mais chata do mundo, mas isso é bom, porque nunca nos deixa relaxados. É um ponto fulcral nas nossas conquistas. Esse trabalho diário ajudou-nos bastante e acho que eles vão ser eternos aqui. A equipa vai continuar a ganhar, porque eles são muito exigentes.

"Ele [Nuno Dias] diz que chamarem-lhe chato é um elogio"

 

Sete temporadas, 17 títulos, 268 jogos e 125 golos marcados. São números que o deixam totalmente satisfeito?
Eu queria mais, claro, nunca podemos ficar satisfeitos com o que temos. Mas saio feliz com esses números, muito contente.

Daqui a muitos anos, quando se recordarem estas grandes equipas do Sporting CP de que fez parte, como gostaria que se lembrassem do Pauleta?
Uma pessoa alegre, o resto é o resto. Dos títulos o Museu Sporting fala por si. Fora da quadra tentei falar sempre, com todo o respeito, com as pessoas que me abordassem. Acho que isso também é importante e que levo. Mais tarde, as pessoas vão falar dos títulos, mas acho que o que fica também é a pessoa que fomos.

"Foi muito graças ao Sporting CP que me tornei o jogador que sou"

 

E aos Sportinguistas, o que lhes diz no momento da despedida?
Continuem a apoiar o Sporting CP, porque aqui está-se sempre mais perto de ganhar.
E gostava de deixar, ainda, uma mensagem a mais três pessoas: Nuno Dias, 'Casca' [alcunha do adjunto Paulo Luís] e também ao Filipe [Rodrigues]. Agradeço-lhes do fundo do coração as pessoas que foram para mim, por como me ajudaram a ser a pessoa e o jogador em que me tornei. Um muito obrigado a eles, e ao Rodrigo [Pais de Almeida] também, porque antes foi meu treinador e deixava-me sair [dos treinos] para ir trabalhar à noite (risos). E ajudou-me, também, quando cheguei ao Sporting CP, por isso muito obrigado.

 

OS NÚMEROS DE PAULETA NO SPORTING CP:

7 temporadas (desde 2019/2020)
268 jogos
125 golos
2 UEFA Futsal Champions League (2020/2021 e 2025/2026)
4 Campeonatos Nacionais (2020/2021, 2021/2022, 2022/2023 e 2023/2024)
3 Taças de Portugal (2019/2020, 2021/2022 e 2024/2025)
4 Supertaças (2019, 2021, 2022 e 2025)
4 Taças da Liga (2020/2021, 2021/2022, 2023/2024, 2024/2025)

Foto João Pedro Morais, UEFA

"Já sinto saudades…"

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Parte quatro da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte dois e parte três da entrevista.

Despede-se com três Ligas dos Campeões, 12 Campeonatos Nacionais, 10 Taças de Portugal, entre tantos outros troféus. A primeira Champions foi o título mais importante?
Sim, no Sporting CP, sim, mas também fui Campeão do Mundo com a Selecção. E, com todo o respeito aos Sportinguistas, e acho que percebem, o Mundial sobrepõe-se a uma Liga dos Campeões. Mas a primeira que conquistámos foi, sim, o título mais importante porque foi, sem dúvida, um ponto de viragem. Foi a bola bater no poste e entrar depois de muitos anos a tentar, foi investimento, foram jogadores, foram derrotas duríssimas em finais, foi tudo e mais alguma coisa. Essa conquista galvanizou-nos e impulsionou-nos para termos ainda mais fome, e aquilo que conseguimos fazer foi extraordinário: vencemo-la e demos continuidade a isso ao mais alto nível. E, por isso, é que a minha carreira virou completamente do avesso com títulos internacionais em seis/sete anos.

Ganhou no Sporting CP e ganhou na Selceção, com a companhia de muitos jogadores do Clube também. Sente que as conquistas no Sporting CP, esse vício e hábito de ganhar, ajudaram a Selecção?
Tudo o que eu fiz no Sporting CP ajudou a Selecção. É no clube que se aprende, que se ganha essa fome e essa ambição, porque o trabalho diário é feito aqui. A Selecção bebe depois aquilo que se faz nos clubes. E, claro, ajudou muito, certamente. Há sete anos não tinha nenhuma Champions, agora tenho três. Estive uma década e meia sem ganhar uma e, de repente, tenho três. Jamais pensava que isto iria ser possível. Sem dúvida que desbloquear essa página nos deu fome de conquista, e essa fome de conquista, também pelos jovens que foram aparecendo no Sporting CP — com uma mentalidade diferente da minha, mais ambiciosa, mais louca e mais intensa —, ajudou a Selecção.

Começou este percurso a vencer e terminou a vencer, ainda que não tenha conquistado um último Campeonato Nacional. Quão importante é para si que tenha sido assim? O adeus com mais uma Champions na mão…
Acabar a carreira com a conquista de mais uma Liga dos Campeões é de sonho, claro. Mas, e permitam-me dizer isto, esta prova devia jogar-se no final da época, como acontece no futebol. Com todo o respeito pelo nosso campeonato, ganha-se uma Champions, é-se o melhor clube da Europa ao ganhar a competição mais importante de clubes, e dois dias depois já se está a preparar um jogo de play-off do campeonato. É cruel, não se faz a um atleta e não se faz a uma estrutura que acaba de tocar o céu. Acima de tudo, não é justo porque não nos permite desfrutar essa conquista na plenitude. Mas, claro, terminar a carreira com esta conquista foi muito bom. No campeonato, infelizmente, o desfecho não foi como queríamos e como esta equipa e este plantel mereciam. E, para mim, ainda há a mágoa de não ter conseguido jogar a negra por lesão, tal como no ano passado.

Disse, no decorrer desta entrevista, que o Sporting CP lhe deu tudo na vida. Por isso, o que leva neste seu último dia no Clube?
Levo um misto de emoções muito grande e que ainda é muito difícil de processar e de digerir, mas já sinto saudades. Levo um enorme sentimento de orgulho, uma carreira inacreditável, pessoas, momentos e memórias. Por isso é que ainda me é muito difícil conseguir explicar aquilo que sinto neste momento e que vou sentir no futuro. Acima de tudo, prefiro falar do que de bom fica e não da tristeza de não continuar a representar o Sporting CP.

E, agora repassando tudo o que aqui viveu nestes mais de 20 anos, há algum momento mais marcante que lhe venha logo à cabeça?
Há vários, mas o levantar a primeira Liga dos Campeões aqui no João Rocha é algo impossível de esquecer. Acho que foi o meu momento mais feliz no Sporting CP. Essa conquista foi mesmo especial por tudo. Como já disse, por ser a primeira, pelos festejos, pela loucura da equipa e dos adeptos…

E o momento mais triste qual foi?
Provavelmente a Liga dos Campeões que disputámos no MEO Arena. Foi muito difícil não conseguirmos conquistar o troféu diante dos nossos adeptos, mas as condições que tínhamos na altura, o plantel, o momento, o contexto e quem defrontámos [FC Barcelona] se calhar conseguem minimizar essa tristeza. O que sempre foi, de facto, muito triste para mim foi não poder ajudar a equipa devido a lesão, principalmente nestes últimos dois anos.

"Ficar na história? Não tenho essa noção"

Para terminar, e porque o seu legado é impossível de apagar, tem noção de que fica na história do Sporting CP?
Não tenho essa noção porque acho que, apesar de saber os números, não tenho bem noção do que fiz e do que conquistei. Os números e os títulos dizem que estive presente, que trabalhei e que fiz muito pelo Sporting CP, por isso ficarei na história por ter ajudado o clube a conquistar estes títulos todos, mas não tenho bem noção do que deixo individualmente.

E como é que acha que, no futuro, vai ser recordado pelos Sportinguistas?
Muito sinceramente, acho que daqui a dez anos já ninguém se vai lembrar de mim porque o desporto, nestas coisas, é muito ingrato. Claro que fiz muito, e quem faz muito é sempre lembrado, mas não quero criar nenhuma expectativa porque a realidade me diz que muito depressa caímos no esquecimento. Já foi assim com outros.

Isso é a humildade a falar ou, de facto, não sabe a dimensão da grandeza que tem e do que fez?
Se calhar não. Sei a forma como sou visto e reconhecido pelo Mundo fora no futsal, mas não tenho essa noção. Acho que essa janela se vai abrir agora e tenho de esperar para ver.

Leia a parte um, parte dois e parte três da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

Foto Isabel Silva

"Antes era difícil chegar à equipa principal, eu fui um dos felizardos"

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Parte três da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte dois e parte quatro da entrevista.

Em termos de treinadores acabou por só ter três no Sporting CP, mas passou por várias gerações de jogadores. Mudou muita coisa dentro do balneário desde a primeira equipa até à última?
Mudou muita coisa, o que é normal, e coube-me a mim adaptar-me a essa evolução constante, que não se vive só no balneário, mas também no resto da vida. Felizmente, adaptei-me sempre muito bem e sempre tivemos excelentes balneários. Como falámos anteriormente, e como costumo dizer, acompanhei as evoluções em tudo. Há uns 18 anos, no Sporting CP, qualquer pessoa que estivesse aqui, se quisesse treinar com a equipa de futsal, treinava. Chegava ao Multidesportivo, pedia para subir, dizia que podia treinar à terça e à quarta-feira e treinava, enquanto hoje somos mega profissionais, temos analistas, somos observados em tudo, temos de responder a questionários, tomamos suplementos. É tudo diferente e, também por isso, a própria forma de estar no balneário é diferente. Com a dita velha guarda, que eu tenho no coração para a vida toda, tive momentos extra futsal que me marcaram para sempre. Também passávamos mais tempo juntos. Agora não, não só pela minha idade ser muito diferente da de muitos dos que cá estão, mas também porque dou mais privilégio à família, sou pai e tenho mais obrigações, ou porque hoje a modalidade é mais profissional.

E agora o vosso mediatismo também é muito maior, não é?
Sim, é tudo maior. Toda a nossa exposição é muito maior e requer outros cuidados, temos de ser sinceros. É a verdade e a realidade, mas as coisas são como são e cabe-nos a nós adaptarmo-nos e criarmos ligações em todas essas diferenças e evoluções que vão acontecendo.

"Temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP"

Uma coisa que também mudou, para lá do que já falámos, foi o peso da formação na equipa principal do Sporting CP…
Sim, o Sporting CP tem feito um excelente trabalho e, na minha opinião, o futuro está salvaguardado por muitos anos. Antes era diferente. Eu, basicamente, durante 15 anos de sénior fui o único jogador que transitou da formação para a equipa principal e se manteve. O Gonçalo fez a formação, mas esteve emprestado; o Varela, o André Galvão, o Erick, o Neves ou o Diogo também, mas depois veio um trabalho da estrutura, pensado e organizado, e, felizmente, já mais jogadores fizeram essa transição, afirmaram-se e mantiveram-se. Isso, para mim, é muito bonito de se ver e é incrível, mas também dá para perceber o quão difícil era, lá atrás, chegar ao plantel sénior e afirmar-se. Eu fui um desses felizardos. Mas, actualmente, temos melhores jogadores do mundo formados no Sporting CP e temos uma Champions conquistada com muitos jogadores formados no Sporting CP. Além disso, continua a haver muito talento e muito potencial na nossa formação, que, eu espero, possa acrescentar valor e dar continuidade a isto. Quem sabe um dia o Sporting CP não possa ter um plantel com 12 ou 14 jogadores da formação.

E acredita que alguns deles também serão capazes de transmitir tão bem os valores do Sporting CP, como fez o João Matos?
Sim, não tenho dúvidas disso. Esta geração [irmãos Paçó, Zicky Té, Diogo…] sente muito o Sporting CP. Às vezes também é preciso pô-los com os pés na terra, porque sentem em demasia o Sporting CP e isso nem sempre é benéfico, e eles sabem disso. Já não são jovens, têm mais de 25 anos e isso no desporto já não é ser jovem, mas eu não consigo olhar para o Zicky, o Diogo ou os Paçós como não sendo jovens (risos). São jovens com maturidade, conhecimento e experiência. São extraordinários, são, realmente, extraordinários e não há dúvida nenhuma disso, mas, como todos nós, têm de continuar a crescer. Eles sabem disso, sabem que não podem estagnar, mas também têm consciência de que, de uma forma diferente, porque cada um é como é, conseguem passar os valores do Sporting CP. São jovens que têm qualidade, que já venceram muitos títulos e já venceram Ligas dos Campeões.

Leia a parte um, parte dois e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

Foto Isabel Silva, UEFA

"Fora do Sporting CP não teria mais de 40 títulos"

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

Parte dois da grande entrevista de João Matos

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting Clube de Portugal e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte um, parte três e parte quatro da entrevista.

Esteve, basicamente, em todo o processo de crescimento do futsal do Sporting CP. Acha que teria sido possível construir a carreira que construiu, e vencer o que venceu, noutro clube que não este?
Não. Seria impossível até porque não conquistei nada disto sozinho. Foram as pessoas que acrescentaram valor ao Sporting CP que permitiram que isto acontecesse. Não foi uma questão de acaso ou de sorte, nem apenas do trabalho do João Matos, ainda que tenha dado a minha contribuição porque todos demos. Isto foi tudo graças ao Clube, às infra-estruturas, às pessoas credenciadas e com capacidade de trabalho, aos jogadores de muita qualidade que foram passando por aqui e ao staff que foi acrescentando valor. Passei por muitos ciclos, muita coisa e, de facto, acompanhei a evolução do clube em muita coisa e, certamente, fora do Sporting CP não teria mais de 40 títulos.

E acha que o facto de ter jogado só aqui, ter mantido os valores e ter conquistado tanto, faz com que seja respeitado não só pelos Sportinguistas, mas pelos adeptos em geral?
Acho que como em tudo, ou quase tudo, na vida se não houvesse 40 títulos, não seria assim, mas acredito que a lealdade, o compromisso, a dedicação e o esforço construam um legado. E agora, mais aos poucos, estou a perceber que sou um jogador consensual. 

"Saber que fui um bom desportista é algo que fica da minha carreira e é tão bom como um troféu"

E é importante para si ter esse reconhecimento de adeptos do Sporting CP e rivais, jogadores, jornalistas e pessoas ligadas ao futsal, mas não só?
É uma boa questão… é bom sentirmos isso, é bom olharmos para trás e percebermos que fomos pessoas com valores e pessoas educadas — umas vezes mais do que outras. Tenho noção de que quando era mais jovem tive os meus devaneios e que nem sempre fui correcto, mas a maturidade e a experiência vieram acrescentar outros valores. Mas, sim, é bom saber que olham para mim e que me abordam como um bom homem do desporto, com bons valores, educado e que respeita tudo e todos. Saber que fui um bom desportista é algo que fica da minha carreira e é tão bom como um troféu.

Foram os seus valores e o “ser como um Leão” dentro de campo que o fizeram sobressair, em comparação com jogadores mais vistosos?
Foi uma das coisas, certamente que sim. Ter consciência das nossas limitações é sempre um passo muito importante para crescermos. Eu tinha consciência do que tinha de melhorar e de que tinha de fazer valer as minhas valências para ajudar sempre a equipa. Acho que isso, o pôr sempre o colectivo em primeiro lugar, é que me fez vingar durante muitos anos e estar estes anos todos no alto rendimento. Isto é um desporto colectivo. Quando estava em campo era 20 por cento do rendimento da equipa, mas quando estava fora também tinha a minha percentagem de ajuda. Sabia que nunca ganharia nada sozinho e, por mais que diariamente tentasse superar o colega da minha posição, no final dava-lhe a mão para jogar tanto ou mais do que eu porque, se ele tivesse um rendimento melhor do que o meu, o Sporting CP ganhava e eu também ganhava mais um título.

E essa forma de ver a competição nasceu consigo ou foi algo que se foi desenvolvendo ao longo dos anos e, sobretudo, quando assumiu a braçadeira de capitão?
Creio que isto veio de casa e da educação que tive. Sou de uma família humilde e de desportistas, que me passou estes valores. Eu na formação do Sporting CP, e mesmo no Carnaxide, antes de vir para cá, já era assim. Na altura, tinha características diferentes e evidenciava-me mais do que os outros, mas sempre fui um jogador de equipa porque acho que só faz sentido assim. E isto vale para a vida também. Acho que devemos dar a mão ao outro, ajudá-lo a crescer e a ser melhor. Eu acho que sou assim, tenho essa essência, no desporto como na vida, e acho que isto de olhar pelos outros, ajudá-los e querer fazê-los ser melhores, forma equipas fantásticas e faz com que as equipas cresçam em termos de rendimento, em termos de ligação emocional e isso, se calhar, ajuda a conquistar títulos.

"Eu e o Nuno Dias casámos muito bem"

Foi também por isso, e por ter o poder de dizer as coisas certas no momento certo, que se tornou capitão nas equipas de formação do Sporting CP, na equipa principal e na Selecção?
Por acaso, não sou muito de palavras, sou mais observador, mas acho que as palavras certas têm de ser ditas na hora certa e no contexto certo porque quando se fala muito a mensagem não tem tanto impacto. Há mensagens que têm de ser impactantes, seja para causar efeito imediato, seja para motivar ou o que for, e há palavras que também têm de ser pensadas, assim como ditas no momento certo. Isso não nasceu comigo, fui crescendo e evoluindo nesse campo porque tive professores extraordinários.

Ao longo dos últimos anos, foi a extensão do Nuno Dias dentro de campo e a carreira dos dois está intimamente ligada. Acha que a chegada dele acabou por ser um momento fracturante na história do futsal Leonino e português?
Claro, não é por acaso que o Sporting CP é considerado a equipa da década nos anos em que ele está no Sporting CP. Eu e o Nuno casámos bem. Fui uma extensão dele dentro de campo, houve momentos em que pensámos de forma idêntica e outros em que não, mas sempre nos completámos com a mesma mensagem dita de formas diferentes e acho que isso ajudou muito a termos sucesso.

De que forma é que a liderança dele deu espaço à sua, enquanto capitão, ao longo de todos estes anos?
Nunca houve barreiras, nem entraves. O Nuno chegou ao Sporting CP com um método de treino e de jogo totalmente diferentes daquilo a que nós estávamos habituados. Mudou completamente a forma de treinarmos e de jogarmos e eu tive de me adaptar a essa realidade. Isso foi difícil, foi um excelente desafio para mim, que vinha de outro tipo de rotinas, mas o Nuno também teve de se adaptar àquilo que era a minha forma de estar e acho que, como disse, casámos perfeitamente. O Nuno veio trazer outro tipo de liderança, com muita ambição, com muita rigidez e com muito perfeccionismo, mas nunca chegou ao pé de mim e disse “não faças isto, faz assim” ou “preciso de ti assim, não quero que estejas neste registo”. Da mesma forma que eu nunca cheguei ao pé do Nuno e disse “não podes falar assim com determinada pessoa” ou “não podes ter este tipo de comportamento”. Isso nunca aconteceu porque as ideias casavam.

As duas lideranças entendiam-se e respeitavam-se…
Exactamente. Eram lideranças diferentes, mas entendiam-se e respeitavam-se porque tínhamos em comum o desejo de que a equipa crescesse e a mesma vontade de ganhar.

Leia a parte um, parte três e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

Foto João Pedro Morais

"Dei muito de mim ao Sporting CP, mas o Clube deu-me tudo"

Por Sporting CP
03 Jul, 2026

João Matos com uma grande entrevista de final da carreira

Mais de 20 anos depois a vestir a listada verde e branca, João Matos despede-se do Sporting Clube de Portugal e do futsal.

Homem de um só clube, decidiu pendurar as sapatilhas e terminar a carreira aos 39 anos, depois de mais de duas décadas ao mais alto nível. Para trás ficam mais de 800 jogos e mais de 40 títulos de Leão ao peito, que fazem dele o jogador que mais vezes vestiu a camisola do Sporting CP e o que mais troféus conquistou também.

Tornou-se Lenda do Clube por tudo o que fez e deu na quadra, assim como por ter personificado tão bem o lema do Sporting CP: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória fizeram sempre parte do percurso de João Matos.

Internacional por Portugal durante mais de 15 anos, diz também adeus como o jogador mais internacional de sempre com 213 jogos e quatro títulos, entre eles dois Campeonatos da Europa e um Mundial.

Na hora da despedida, João Matos falou com os meios de comunicação do Sporting CP e deu conta das emoções, recordando a carreira que construiu e o legado que ficará para sempre na história do emblema Leonino e do futsal português. Pode ler, também, a parte dois, parte três e parte quatro da entrevista.

Depois de tantos anos, tantos jogos e tantas conquistas, decidiu terminar a carreira. Já lhe "caiu a ficha" sobre essa decisão?
Não, não caiu, não vai cair tão cedo e pior será quando os meus ex-companheiros começarem a pré-época e voltarem a jogar neste pavilhão [João Rocha]. Apesar de a decisão já estar na minha cabeça há algum tempo, vai ser uma experiência nova para mim, um novo desafio e uma grande mudança de vida. Por mais que esteja decidido, ainda que pudesse continuar a jogar porque o fim não se deve a condições físicas, foi o contexto que me levou a tomar esta decisão, vai ser difícil e vai demorar o seu tempo.

E sente que, apesar dos mais de 20 anos, passou tudo muito rápido?
Passou a voar. Queixamo-nos sempre de que as épocas são longas e cansativas, mas foram 24 e passaram muito rápido. É giro olhar para trás e ver que são mais de duas décadas, 20 anos enquanto sénior, e ter flashbacks de quando cheguei. Perdi algumas memórias do meio do caminho, mas estes últimos anos foram muito marcantes. Os últimos cinco anos voaram completamente. Foi um período extraordinário em termos de conquistas e agora dou por mim no fim da carreira. 

Valeu tudo a pena?
Sem dúvida, acho que não há dúvida sobre isso, e isto que está aqui ao nosso lado [os troféus] demonstra bem que valeu a pena.

Viveu tudo e desfrutou destes troféus como queria?
Vivi tudo da maneira que vivo a vida. Este desporto dá-nos muitas competências e muitas valências, mas também nos dá uma coisa que é a acção-reacção. Perdi a bola, tenho de a recuperar a seguir, por exemplo. Essa consciência e toda esta rapidez foram-se acumulando na minha cabeça: ligar e desligar constantemente. Por isso, da mesma forma que quando perdia estava focado no que se seguia, quando vencia era igual. Se é correcto ou não, se desfruto muito ou pouco, desfrutei à minha maneira e na minha forma de ser e de estar no desporto. Sem excessos, sem loucuras, muitas vezes ciente de que podia festejar mais, mas também não se pode, por exemplo, ganhar uma Champions e festejar muito porque dois dias depois já se está a treinar e podes não ganhar a competição que se segue. O único título que nos permite desfrutar por mais algum tempo é o campeonato porque entramos em período de férias. Por isso, acho que esta rotina virou mentalidade. Por um lado, ajudou a que nas derrotas não me fosse abaixo, mas, por outro lado, se calhar fez-me não desfrutar tanto como os meus colegas.

Ainda assim, viveu tudo intensamente. O trabalho e a dedicação dentro e fora de campo…
Sim, fui sempre assim e, por isso, agora preciso de desligar. A minha cabeça está cansada, estou a mil e essas rotinas diárias, mesmo não estando a treinar, deixam-me acelerado. Nesta modalidade, e no desporto em geral, vivemos as coisas com muita intensidade. São treinos, são estágios, são viagens e temos de conjugar tudo isto com o nosso lado pessoal. Isso, por vezes, é muito cansativo e muito exigente. Por aí, e acho que cada vez há mais essa noção, a vida de um desportista não é um mar de rosas.

E não se arrepende do tanto que perdeu no lado pessoal para ganhar tanto no lado profissional?
Nada, de todo. E mesmo que não tivesse ganho mais de 40 títulos, não me iria arrepender, porque esta vida não se faz só de títulos, faz-se de pessoas, momentos e emoções — a adrenalina, o frio na barriga, o nervosismo. E, neste momento, vejo vídeos de vários momentos que vivi e sei que já não vou viver nada disso de novo. Já não vou ter aquela adrenalina, aquele festejo, não vou gritar com o meu colega porque não está a correr para a direita, não vou estar a dar indicações aos gritos ou não vou estar no banco a puxar por um dos meus colegas. Neste momento é olhar para trás e pensar que não vou ter este tipo de emoções, mas vou ter de ter outras e de ir buscá-las a algum lado.

E estar aqui, no Pavilhão João Rocha, pela última vez como jogador do Sporting CP é estranho? Foi a sua casa em nove das mais de 20 épocas na equipa principal.
Hoje ainda não é estranho, só depois de desligar. Há poucos dias ainda estava, não neste, mas num pavilhão com adeptos e com a equipa a competir. Por isso, ainda é muito cedo para ter essa sensação. Acho que é normal, depois de tantos anos desta rotina, ainda ser difícil perceber o que é que vou sentir. Falo com muitos ex-jogadores, porque o meu círculo de amigos do futsal são praticamente todos antigos jogadores, e todos dizem o mesmo: por mais que te prepares, não estás preparado. Eu ainda não sei isso, mas vou sentir na pele e vou precisar de sentir isso. Vou e quero, porque é sinal de que me entreguei e que valeu a pena.

Vai ter muitas saudades, não vai?
Claro, e vou sentir falta de entrar na quadra e ouvir a Marcha, de sentir o calor dos adeptos e de sentir toda aquela intensidade do balneário. Vai custar-me muito e, por isso, é que o meu último jogo no João Rocha foi, provavelmente, um dos jogos mais difíceis da minha vida. Foi difícil conciliar o lado emocional com o que tinha de fazer. Foi uma loucura. Vou ter muitas saudades.

E porque é que, desde há muitos anos, tinha a vontade de terminar a carreira no Sporting CP e acabar, assim, por só representar um clube?
Não me via a jogar noutro clube. Foram muitos anos aqui – porque acreditaram em mim, porque fui sendo uma mais-valia e porque batalhei para ir ficando; nada me foi oferecido, e ainda bem – e, além disso, é o clube do meu coração. Isso ajuda a pesar as coisas, mas também não me via a jogar num rival. Tendo em conta o meu sentimento, principalmente nos últimos meses, não me via a treinar, a continuar a viajar, a estar longe da família e a ter de vir jogar ao João Rocha contra o Sporting CP. Seria um desafio muito interessante para mim, certamente, mas não fazia sentido. Dei muito de mim ao Sporting CP, mas o Sporting CP deu-me tudo e só fazia sentido ser assim, e sempre expressei isso. Neste momento, se houvesse necessidade pura e o desejo de continuar a jogar, se calhar voltava atrás com essas palavras — e tive propostas para continuar a jogar —, mas a mim não me fazia sentido deixar esta casa e ir para outro lado fazer o que fazia aqui.

No vídeo de despedida disse que “quando se joga com amor, quando se joga com alma, não existe outro lugar”. O seu lugar sempre foi Alvalade/Pavilhão João Rocha?
Sempre. E por muito casmurro que eu seja, e que reclame muitas vezes — porque sou assim, sou torto e tenho essa consciência —, esta é a minha casa, sem dúvida alguma, e acho que as pessoas sentem isso. Acho que é visível. Não digo que não fosse lutador, batalhador, noutro clube, porque é da minha forma de estar, mas também nunca escondi o verdadeiro amor que eu e toda a família Matos temos ao Sporting CP. Além disso, eu vivi aqui uma vida inteira – treinei nos antigos pavilhões, joguei na Nave, passei por Odivelas e pelo Paz e Amizade [Loures] – e sou muito grato por tudo.

Leia a parte dois, parte três e parte quatro da grande entrevista de João Matos aos meios de comunicação do Sporting CP.

Foto Isabel Silva, João Pedro Morais

Pauleta: "Fui muito feliz aqui"

Por Sporting CP
04 Jul, 2026

O derradeiro olhar sobre os últimos momentos como futsalista dos Leões

Sete épocas e 17 títulos depois, Pauleta está de saída do Sporting CP. Um período, admite, com "um significado muito grande" e que, além disso, passou à mesma velocidade que o ala nas quadras. "Durante não se pensa muito nisso, mas passou muito rápido", considerou um futsalista que fez parte de um grupo ganhador como poucos em Portugal.

Na primeira parte (de duas) da sua entrevista de despedida, Pauleta reflectiu sobre os seus últimos momentos como futsalista verde e branco e abordou os altos e baixos da sua derradeira época. Faltaram "o Campeonato e as Taças" para uma despedida perfeita, não o escondeu, mas a sua segunda UEFA Futsal Champions League veio com um sabor particularmente especial. "Senti que desta vez fui mais importante", acrescentou.

Aos títulos na 'bagagem', Pauleta junta-lhe o excelente ambiente de balneário vivido e por isso sai feliz, mas também já com saudades.

 

Quando está prestes a despedir-se do clube que representou ao longo de sete temporadas, que impressões ou sentimentos lhe atravessam a mente?
O primeiro sentimento é logo de saudades, porque vou sentir saudades disto. Foram sete anos cá e fui muito feliz aqui.

Já sabe dizer do que é que vai sentir mais falta?
Vou sentir muitas saudades do balneário e dos meus colegas de equipa. Sempre fomos grandes amigos e isso é o que a gente leva de tudo isto.

"Vou sentir saudades disto"

 

Ora, o Pauleta sempre foi alguém muito acarinhado no seio do grupo. Despediu-se de muitas pessoas ou como vai manter essas ligações não sentiu que se tratava de uma verdadeira despedida?
Não, porque certamente vamos continuar a falar uns com os outros, mesmo que já não como colegas de equipa, mas vamos continuar amigos.

E, nesse sentido, quem são as grandes amizades que leva de todos estes anos?
Levo grandes amigos. O Pany [Varela], o Zicky, o Erick [Mendonça], o Merlim também... Praticamente toda a gente. Os Paçós, com quem discuto muito nos treinos (risos). Vão faltar-me sempre algumas. Levo o Wesley, o Valério, que só conheci este ano e é uma grande pessoa. Levo muitas pessoas daqui.

Sete épocas é muito tempo ou passou demasiado rápido?
Sim, passou muito rápido. Fogo! Cheguei aqui com 25 anos e, agora, saio com 32, passou muito rápido. Durante [o percurso] não se pensa muito nisso, mas passou muito rápido.

"Levo muitas pessoas daqui"

 

Globalmente, o que diria que significou para si este bem-sucedido período no Sporting CP?
Fez-me crescer como homem, também como atleta. Tem um significado muito grande, porque sete épocas não são sete dias.

Comecemos, então, por 2025/2026, a sua época de despedida. Venceram a Supertaça logo a abrir a época, depois a equipa vacilou mais do que o habitual na fase regular, não conseguiu vencer as Taças, mas deu uma grande resposta na UEFA Futsal Champions League. Já na final da Liga, apesar da luta até ao fim, o desfecho voltou a não ser o desejado. Com que sabor sai após esta temporada de altos e baixos?
Apesar de tudo, saio feliz. Conseguimos este ano a Liga dos Campeões, que foi sempre um grande objectivo desde que cheguei. Já tínhamos tentado em anos anteriores, ficámos lá perto e este ano voltamos a conseguir. É um feito muito grande. O Campeonato também é muito importante, é o último título que fica e que toda a gente se lembra, mas não conseguimos. Fomos até ao último jogo e tentámos sempre com tudo, mas saio feliz.

Faltou apenas isso para que fosse a sua despedida ideal?
O Campeonato e as Taças também, porque aqui entra-se sempre para ganhar tudo.

"[Champions] É um feito muito grande"

 

E a nível pessoal, como foi jogar as finais da Liga sabendo que o adeus ao Sporting CP estava já ali ao virar da esquina?
[Suspira] Quando ganhámos o segundo jogo já sabia que ia ter mais tempo, mas o último no João Rocha custou-me bastante...  Nesse dia tínhamos treinado de manhã e pensei nisso: vai ser o meu último jogo cá, espero ganhar para ir a quinto jogo, mas vou sentir mesmo saudades disto e dos adeptos. Apoiam-nos muito e já conhecemos os lugares [na bancada] de cada pessoa que está lá sempre. Apoiaram-nos até ao último jogo.

Por outro lado, considera que o facto de saber que eram as suas últimas decisões de Leão ao peito deram-lhe uma energia extra? Se formos a ver, marcou em três jogos da final da Liga e esta acabou por ser a sua época mais goleadora (26) no Clube.
Deu, deu. Tive isso sempre na cabeça. O Zicky é o meu colega de quarto, já sabia que eu ia sair e deu-me muitos conselhos. Disse-me: "Pauleta, tens de sair em grande". Queria sair daqui Campeão, é última coisa que fica e isso deu-me mais força, apesar de muito cansado depois de uma época desgastante.

"O último no João Rocha custou-me bastante..."

 

Já a UEFA Futsal Champions League foi claramente o ponto alto da época. Era um troféu que esta equipa já merecia repetir há algum tempo?
Já merecíamos. Em Palma [de Maiorca, 2022/2023] já merecíamos, fomos roubados, mas é o que é, não conseguimos. Depois, perdemos com o Palma na meia-final [de 2024/2025] e custou-nos bastante, porque sentimos que fomos melhores. Tinha de haver um ano em que íamos voltar a ganhar e tanto lutámos que o conseguimos. Foi o momento alto da época.

E pela forma como foi conquistado, superando as melhores equipas do ranking da UEFA, ainda teve mais sabor?
Claro que sim, mas independentemente dos adversários o importante, para nós, era ganhar. É sempre o objectivo do Clube. A final, pessoalmente, também me custou bastante, porque sabia que ia ser a minha última Champions pelo Sporting CP. O Merlim falou disso [no balneário], que ia ser o último jogo que íamos jogar todos juntos e isso puxou por nós.

"Queria sair daqui Campeão"

 

Por toda essa vivência, esta superou a sua primeira Champions ou a primeira será sempre a mais especial?
Importantes são todas, mas esta mexeu mais comigo porque sinto que eu fui mais importante, mais utilizado. A anterior foi diferente, porque jogava menos tempo. A responsabilidade era a mesma, mas senti que desta vez fui mais importante. Foi também a minha última pelo Sporting CP, por isso soube-me melhor.

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É a melhor última memória que leva daqui?
É. Em termos de conquistas, sim. Mas como já disse, esta envolvência e ligação que tivemos entre nós, jogadores, treinadores e directores, são coisas que também levo para o resto da minha vida. 

"O Merlim falou disso [no balneário], que ia ser o último jogo [de Champions] que íamos jogar todos juntos e isso puxou por nós"

 

Tendo em conta tudo aquilo que viveu no Sporting CP, que aspectos considera que este grupo não pode perder daqui para a frente, mesmo sem o Pauleta?
Essa ligação, porque é o que une tanto o grupo. Acho que fui muito importante nesse aspecto, porque quando as coisas não corriam tão bem conseguia pôr a equipa outra vez a sorrir. A treinar sou muito chato, estou sempre a rir, fico lixado quando perco e gozam comigo, mas faço o mesmo quando ganho (risos). Acho que é algo que vai continuar e não se vai perder. Há muitos colegas aí, assim. 
Eu vou acompanhar sempre e ver os jogos, porque tenho amigos aqui dentro.

 

Na segunda parte da entrevista, disponível aqui, Pauleta olha para trás e percorre desde o início o trajecto que deixou no Sporting CP. Sete épocas de títulos, muitos, mas de muita evolução pessoal, também, muito por causa de Nuno Dias e respectiva equipa técnica, a quem se mostra eternamente grato.

Foto João Pedro Morais

Nuno Dias: "Orgulho enorme"

Por Sporting CP
28 Jun, 2026

Declarações do treinador no final do campeonato

No final do desaire no dérbi da equipa de futsal do Sporting Clube de Portugal em casa do SL Benfica (4-3), que ditou o desfecho negativo da Liga, Nuno Dias reagiu.

"Primeiro, dou os parabéns ao SL Benfica pelo título. O sentimento que tenho pelo que a minha equipa fez nesta final é um orgulho enorme. Perdemos no quinto jogo, sendo que três jogos foram decididos pela margem mínima e outro nos penáltis. Condicionados, mais uma vez, viemos jogar o quinto jogo e equilibrámos, tendo sido melhores em muitos momentos. Se o Leo Gugiel não tivesse feito alguns milagres, o resultado podia ter sido outro", disse o treinador ao Canal 11.

Alex Merlim, capitão verde e branco na partida deste domingo, também falou à estação televisiva: "Um jogo equilibrado e, novamente, decidido nos detalhes. Iniciámos mal o jogo. Tínhamos treinado as bolas paradas e o sofremos o segundo golo assim. Foram cinco grandes jogos entre duas equipas de excelência e só tenho de agradecer aos meus companheiros pelo esforço de uma época intensa. Ficou longe de ser a época que pretendemos, apesar de termos ganho a UEFA Futsal Champions League. Quem joga no Sporting CP sabe que tem de jogar para vencer todas as competições e falhámos em três. Parabéns ao SL Benfica pela conquista e agora é recarregar as energias, descansar um pouco com a família e voltar para novos objectivos".

Foto João Pedro Morais

Derrota no último jogo da final

Por Sporting CP
28 Jun, 2026

Título nacional não sorri aos Campeões Europeus

A equipa de futsal do Sporting Clube de Portugal perdeu, este domingo, por 4-3 no reduto do SL Benfica no quinto e último jogo da final dos play-offs da Liga.

Com este resultado, os Leões não conseguiram chegar ao título nacional, terminando 2025/2026 com as conquistas da UEFA Futsal Champions League e da Supertaça.

No Pavilhão da Luz, onde marcaram presença muitos e bem audíveis Sportinguistas, começou melhor o emblema de Alvalade, que podia ter marcado logo no primeiro minuto: servido por Tomás Paçó, Alex Merlim surgiu na cara de Leo Gugiel e rematou para boa defesa do guardião visitado. Logo a seguir, o internacional italiano voltou a procurar o golo, mas desta vez falhou a baliza por pouco.

Na resposta, o SL Benfica obrigou Bernardo Paçó a mostrar o seu valor e, aos 3', Lúcio Rocha estava em grande posição, mas Tomás Paçó salvou com um tremendo corte. Dois minutos mais tarde, Rocha também ameaçou para intervenção de Leo Gugiel.

O guarda-redes das águias foi ainda mais decisivo aos 7', quando, do meio da rua, rematou para o fundo das redes e inaugurou o marcador. No mesmo minuto pouco feliz, e novamente num remate de longe, André Coelho dobrou a vantagem para o SL Benfica. Na reacção, o Sporting CP podia ter reduzido em duas ocasiões protagonizadas por Tomás Paçó. Na primeira, contudo, um adversário cortou quase em cima da linha de golo, sendo que Leo Gugiel defendeu na segunda.

A 11 minutos do intervalo, o SL Benfica atingiu as cinco faltas e Felipe Valério, de seguida, atirou a passar muito perto do poste. Aos 12', os Leões sofreram a sexta falta e Tomás Paçó foi chamado a bater o livre de dez metros, mas não conseguiu superar Diogo Carrera.

Já depois de Rocha ser crucial com um corte decisivo, o Sporting CP reduziu aos 15', minuto em que Tomás Paçó combinou muito bem com Allan Guilherme e finalizou com qualidade para o 2-1.

Daí até ao descanso, só deu verde e branco, com os Campeões Europeus a serem os únicos à procura de voltar a marcar. Rocha, aos 17', rematou perto do poste e, mais em cima do intervalo, Allan Guilherme apareceu isolado perante Leo Gugiel, mas permitiu a defesa ao guardião. Houve ainda tempo para faltar um pouco de pontaria a Diogo Santos num tiro de longe.

Assim, o SL Benfica vencia por 2-1 ao intervalo muito graças a dois remates em menos de um minuto, sendo que o Sporting CP estava bem vivo e terminou o primeiro tempo por cima.

A abrir a segunda metade, o Sporting CP ficou perto do golo logo aos 22', quando Leo Gugiel defendeu as investidas e Pauleta e Wesley. Do outro lado, e com tudo para marcar, Higor de Souza só não o fez porque Bernardo Paçó brilhou com uma tremenda intervenção.

O justo golo do empate aconteceu, finalmente, aos 26': Bernardo Paçó avançou pela direita e rematou, com a bola a ressaltar em dois adversários antes de sobrar para Diogo Santos, que não perdoou. 2-2 e explosão de alegria na bancada visitante.

O minuto que se seguiu voltou a ser louco e o SL Benfica começou por voltar a passar para a frente por intermédio de Silvestre Ferreira. O Sporting CP respondeu e Alex Merlim, da linha lateral, assistiu Tomás Paçó, que, num movimento de fazer inveja aos melhores pivôs do planeta, rematou à meia-volta e fez a bola entrar pelo buraco da agulha. Fantástico golo para o 3-3.

O encontro entrou numa fase muito equilibrada e com algumas ocasiões, como as tentativas de Alex Merlim (ao lado) ou de Diego Nunes (enorme defesa de Bernardo Paçó), mas a igualdade voltou a ser quebrada aos 31'. De penálti, Kutchy superou Gonçalo Portugal e recolocou o SL Benfica na frente (4-3).

O sétimo golo no dérbi causou uma escassez de oportunidades, com a bola a andar quase sempre longe das balizas nos minutos que se seguiram. A tendência foi apenas quebrada aos 35', quando Felipe Valério atirou forte e Leo Gugiel defendeu. Mais perto ainda ficou Wesley França, que só não empatou porque o guarda-redes contrário conseguiu desviar para o poste.

Já com Alex Merlim com a camisola de guarda-redes para o 5x4, o Sporting CP ainda ameaçou com dois remates de Bruno Pinto, mas o resultado não sofreu mais alterações.

Sporting CP: Gonçalo Portugal [GR], Miguel Malhão, Tomás Paçó, Diogo Santos, Wesley França, Pauleta, Allan Guilherme, Felipe Valério, Bernardo Paçó [GR], Pedro Silva [GR], Bruno Pinto, Alex Merlim [C], Bruno Maior e Rocha.

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