A de avassalador. B de brilhante, C de completo, D de demolidor, E de esmagador, F de fatal, G de guerreiro. E a lista continua. A fase regular do conjunto ‘leonino’ foi um A a Z de adjectivos positivos, que comprovam a superioridade da equipa de Nuno Dias no Campeonato. No sábado passado, na última jornada antes do ‘playoff’, o ‘leão’ enfatizou a letra P de pragmático frente ao SL Olivais, vencendo pela margem mínima mas com o máximo de justiça.
Não houve ‘bluff’ e não terminou com um ‘flop’. O Sporting entrou em jogo com as melhores cartas, apostou que conseguia segurar o primeiro lugar a uma jornada do fim da fase regular e concretizou-o com êxito e a ajuda de um ‘poker’ – neste caso de Fortino. A tentar defender em posse para travar as investidas dos ‘leões’, o Belenenses procurou pressionar alto nos instantes iniciais. Mas a jogada não surtiu efeito e os ‘verde e brancos’ rapidamente assumiram o controlo, revelando-se pressionantes e dominadores.
O Quinta dos Lombos tinha no empate arrancado no reduto do Benfica (1-1), uma espécie de Luz ao fundo do túnel. Talvez por isso, tenha chegado ao embate com o Sporting com uma estratégia semelhante, a privilegiar a organização defensiva como forma de retardar o golo adversário. Mas ao contrário do eterno rival, que deixou o jogo seguir para um registo morno, aliando-o à ineficácia atacante, o Sporting foi letal desde o início.
Começámos a crónica do jogo anterior da formação de futsal a falar da importância dos números – e de como eles contam histórias para além da sua frieza inicial. O jogo da 23.ª jornada, entre Sporting e São João, mostrou outra faceta dos números: a forma como nem sempre contam o óbvio. À partida para o encontro, poucos imaginariam que o 11.º classificado poderia ser um obstáculo difícil de transpor para o primeiro – e aqui nem vale a pena elaborar muito na questão dos números, porque a diferença é demasiado gritante, a começar pela diferença de pontos (40 antes da partida, agora 43).
Para os fanáticos das estatísticas – e a dupla de treinadores Nuno Dias e Paulo Luís fazem parte desse ‘clube’ – os números não são frios; contam histórias. No caso deste jogo, em concreto, contam a superioridade do líder Sporting perante o último classificado Boavista: 70 remates contra 18. No Campeonato, contam a história de um líder que não o é só no número de pontos – o Sporting lidera nos golos marcados (125) e nos sofridos (19 em...
"Somos jogadores só para jogar com equipas pequenas? Vamos embora! Vamos jogar futsal, senão para estes jogos jogam os Sub-20!”. Em tom severo, gritado, Kitó Ferreira, treinador da Burinhosa, pediu a pausa técnica com apenas dois minutos de jogo decorridos. Em vez da habitual explanação táctica, apelou ao factor psicológico, procurando espicaçar os seus jogadores. A explicação estava toda lá, no jogo.
Um pai ensina, transmite conhecimento, indica o melhor caminho. Passa valores, ideais, princípios. Muitos deles condizentes com os do Sporting. Não é por isso de estranhar que o amor ‘leonino’ passe de geração em geração no seio de milhares de famílias Sportinguistas. E, se em pleno Dia do Pai, Odivelas se pintou de ‘verde e branco’ para assistir ao ‘derby’ que devolveu a liderança ao conjunto de Nuno Dias, em muito se deve aos ensinamentos, conhecimentos e hábitos transmitidos pelos pais ‘leoninos’ aos filhos que o aprenderam a ser.
O último Campeonato da Europa, na Sérvia, voltou a trazer à luz a eterna discussão sobre a utilização do sistema de 5x4, a propósito da predilecção de Cacau, treinador do Cazaquistão, por adiantar o guarda-redes. E não o faz apenas nos minutos finais da partida, a perder; fá-lo para ter a bola (ou para impedir o adversário de a ter) e para adormecer o jogo em momentos específicos. Foi, aliás, essa estratégia que valeu à selecção asiática a eliminação da então campeã europeia Itália, que nunca se conseguiu adaptar à teia montada pelo treinador brasileiro.
Exactos 48 dias. Pouco menos de dois meses. Foi este o intervalo de tempo que mediou a vitória expressiva sobre o Modicus (5-1), nos primeiros dias de Janeiro, e a goleada ao Rio Ave (7-0), no passado fim-de-semana. Pelo meio, um Campeonato da Europa com a participação de sete ‘leões’ e algumas dúvidas sobre se o Sporting ia conseguir manter o nível evidenciado antes da longa paragem.
Faltavam dois segundos para o final quando Nuno Dias disse com o corpo mais do que com as palavras. André Gomes rematou, Marcão fez-se ao lance, mas a bola desviou em André Machado e entrou. No banco, Nuno Dias inclinou o tronco para trás acusando o amargo de boca. Não porque a vitória estivesse em risco, mas porque era quebrada uma série de quatro jogos consecutivos sem sofrer golos, que constitui um recorde na história da modalidade ‘leonina’ em provas oficiais. A exigência é posto, até nestes ‘detalhes’ – chamemos-lhes assim.